No SXSW, creators emergem como novos mediadores de confiança
Criadores de conteúdo deixaram de ocupar apenas o território do entretenimento ou do lifestyle
Entre as discussões sobre inteligência artificial, economia da atenção e o futuro da comunicação, um tema atravessa diferentes painéis desta edição do SXSW: a disputa por confiança na internet.
A conversa “Who Owns the Truth?” sintetizou bem esse debate ao provocar uma pergunta direta: em um ambiente onde qualquer pessoa pode publicar, comentar e viralizar conteúdo, quem realmente controla a narrativa dos fatos?
Durante décadas, a resposta parecia clara. Grandes veículos de imprensa funcionavam como principais gatekeepers da informação, responsáveis por selecionar, verificar e publicar o que chegava ao público. Esse modelo estruturou a circulação de notícias por boa parte do século XX. Só que o ambiente digital fragmentou esse sistema.
Hoje, plataformas sociais, criadores de conteúdo e comunidades online também participam ativamente da construção das narrativas públicas. A verdade deixou de ser mediada por poucos e passou a ser disputada em um ecossistema muito mais distribuído.
É nesse novo cenário que a creator economy ganha um papel cada vez mais relevante. Criadores de conteúdo deixaram de ocupar apenas o território do entretenimento ou do lifestyle. Muitas comunidades digitais passaram a desempenhar uma função mais ampla: interpretar acontecimentos, contextualizar debates e traduzir tendências para suas audiências.
Na prática, isso significa que creators também se tornaram mediadores de confiança. Em um ambiente marcado pelo excesso de informação e pelo crescente ceticismo em relação às instituições tradicionais, a credibilidade muitas vezes se constrói na relação direta entre criadores e suas comunidades, não necessariamente pela autoridade institucional, mas pela consistência de discurso, proximidade e capacidade de diálogo com a audiência.
Esse movimento não elimina o papel da mídia ou das plataformas, mas amplia o número de atores que influenciam a formação da opinião pública, o que impacta diretamente a forma como marcas constroem reputação.
Isso exige das marcas uma mudança de postura. Mais do que contratar alcance, é preciso construir relações de longo prazo com criadores que tenham afinidade real com suas agendas e valores.
Talvez o maior aprendizado desta edição do SXSW seja justamente esse: em um ambiente de informação distribuída, a confiança se tornou o ativo mais valioso da comunicação. E cada vez mais, ela é construída nas relações entre creators e suas audiências.