Conexão Austin

Somente as primeiras percepções em Austin

E, curiosamente, uma das discussões mais repetidas nesses primeiros dias não foi sobre tecnologia, mas sobre conexão humana

Francisco Rosa

Diretor Comercial na Record 14 de março de 2026 - 18h13

Três dias andando de um lado para outro no SXSW e já dá para perceber um padrão curioso: todo mundo fala de tecnologia o tempo inteiro… mas quase sempre para discutir algo muito pouco tecnológico – nós mesmos. Inteligência artificial, robôs, biotecnologia, computação quântica. A lista desses temas é longa. A lista de certezas, nem tanto.

O pessoal da MIT Technology Review apresentou sua lista de tecnologias que podem mudar o mundo. Nada muito modesto: IA cada vez mais poderosa, robótica avançando rápido e ciência abrindo caminhos que até pouco tempo pareciam ficção científica. A mensagem, porém, veio com um pequeno asterisco: inovação costuma chegar muito antes da sociedade entender o que fazer com ela.

No meio desse turbilhão, a futurista Amy Webb trouxe uma ideia que ficou ecoando nos corredores: não estamos vivendo apenas novas tendências, mas convergências – quando tecnologias diferentes se juntam e criam mudanças difíceis de desfazer. Surgem conceitos como “living intelligence”, misturando IA com biologia, e também fenômenos curiosos como o tal “emotional outsourcing”: gente começando a terceirizar companhia, conversa e até apoio emocional para máquinas. Em outras palavras: o futuro promete produtividade infinita… e talvez algumas sessões de terapia com algoritmos.

Entre discussões sobre IA no trabalho, na educação e praticamente em tudo, apareceu também um lembrete simples: histórias continuam sendo uma das formas mais poderosas de entender o mundo. Conversando sobre carreira e imaginação, Steven Spielberg falou sobre medo, criatividade e a velha suspeita de que talvez não estejamos sozinhos no universo. Considerando a quantidade de ideias estranhas circulando por aqui, essa hipótese já nem parece tão ousada assim.

E, curiosamente, uma das discussões mais repetidas nesses primeiros dias não foi sobre tecnologia, mas sobre conexão humana. A pesquisadora Kasley Killam sustenta, desde a edição do ano passado, que relações sociais são primordiais para nossa vida pessoal e trabalho. Em um evento cheio de gente tentando imaginar o futuro, talvez essa seja a ideia mais direta até agora – porque, se a tecnologia vai mudar tudo mesmo, é melhor garantir que ainda exista alguém do outro lado da conversa, não é mesmo?