Você vai no evento aprender ou ver gente famosa?
A pergunta não é “quem vai atrair mais público?”, mas “quem tem algo relevante para dizer sobre esse assunto?”
Tem uma coisa que acontece em praticamente todo evento (e no SXSW não é diferente): Os keynote speakers.
Em teoria, são aquelas pessoas que atraem audiência por si só. Os grandes nomes do line-up. Aqueles que fazem gente chegar cedo, pegar fila, esperar horas para assistir uma palestra.
O SXSW, inclusive, é famoso por isso. Não é raro ver filas de duas horas para ver um keynote speaker.
Este ano, por exemplo, teve Steven Spielberg, imagina a fila?
Mas como eu acompanho mais a trilha de Creator Economy, fico com a sensação de que ali existe uma característica que eu gosto muito, e que nem sempre aparece em eventos por aí: O assunto é mais importante que a pessoa.
Claro que as pessoas que estão no palco são relevantes dentro daquele tema. Ninguém está ali por acaso.
Mas a lógica parece ser outra.
A pergunta não é “quem vai atrair mais público?”, mas “quem tem algo relevante para dizer sobre esse assunto?”
Pode parecer um detalhe pequeno, mas faz bastante diferença.
Porque em muitos eventos, especialmente no Brasil, a lógica às vezes é invertida. O line-up é montado a partir do nome que chama atenção. Quem tem muitos seguidores, quem é famoso, quem vai gerar manchete. E aí, muitas vezes, o conteúdo vira quase um detalhe.
Não importa tanto o que aquela pessoa vai falar. O importante é colocar no headline um nome que atraia público. O influenciador do momento, o famoso da novela, o jogador de futebol…
É uma lógica meio fã-clube. A lógica do “venha ver essa pessoa”, e não necessariamente do “venha ouvir essa ideia”.
Não que pessoas famosas não tenham o que dizer. Muitas têm. Mas quando o critério principal vira o tamanho da audiência de alguém, e não a relevância da sua contribuição, o risco é que o conteúdo fique em segundo plano.
E eventos deveriam ser, antes de tudo, sobre conteúdo.
No SXSW, pelo menos na trilha de Creator Economy, senti algo diferente. Os assuntos são fortes por si só. E quem está no palco está ali porque tem algo relevante a acrescentar àquela conversa, independentemente do número de seguidores.
Existem nomes grandes, claro. Mas a sensação é que o palco não está a serviço da fama, está a serviço da pauta.
E isso faz toda a diferença: Pensar primeiro na conversa que precisa acontecer, depois nas pessoas que podem enriquecer essa conversa, não nas pessoas que simplesmente atraem mais atenção.
No fim das contas, talvez a pergunta que um evento deveria fazer ao montar seu line-up não seja:“Quem vai trazer mais público?” Mas sim:
“Que conversa precisa acontecer, e quem realmente pode contribuir com ela?”
Agora… também existe uma provocação possível aqui.
Talvez parte do problema não esteja só nos eventos, talvez esteja também na audiência.
Porque, sejamos honestos, em alguns casos a plateia também não está exatamente interessada em aprender alguma coisa nova. Às vezes o objetivo é outro: tirar uma foto, postar no Linkedin um texto mal feito pela IA, com meia dúzia de insights só pra registrar que “viu fulano famoso”.
E tudo bem também né? Eventos também são sobre experiência, pertencimento, até um pouco de fandom.
Mas essa já é uma outra conversa. Talvez pro texto de amanhã.