Deu no NP: tiros e chifres no Faroeste Caboclo

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Deu no NP: tiros e chifres no Faroeste Caboclo

Revivido em ação criada pela AgênciaClick, Notícias Populares circula com edição especial para divulgar filme baseado na música da Legião Urbana

Lena Castellon
24 de maio de 2013 - 1h32

Uma edição extraordinária está dando o que falar na mídia social. Ainda mais porque se trata de um jornal que virou referência na imprensa brasileira e de uma música da banda mais cultuada do País, a Legião Urbana. Para promover o filme Faroeste Caboclo, baseado na canção homônima, ressurgiu das cinzas o famoso Notícias Populares, ou NP como era carinhosamente chamado. O diário, que “pingava sangue” como se dizia no tempo em que não havia o “politicamente correto”, ganhou uma última edição, que circulou nesta sexta-feira, 24, junto com a Folha de S. Paulo. Todo seu conteúdo se refere à contenda entre João de Santo Cristo e Jeremias por conta do amor de Maria Lúcia, e mais o cenário em que se construiu esse romance popularizado na voz de Renato Russo.

Reviver o NP foi uma estratégia criada pela AgênciaClick, que foi procurada pela Europa Filmes para divulgar o longa-metragem dirigido por René Sampaio, que estreia em 30 de maio. A distribuidora já tinha acionado a agência para outro lançamento, o filme Colegas, que teve uma bem-sucedida campanha, a “Vem Sean Peann” (leia mais aqui: "Sean Penn, o sonho de Ariel").

O time que criou esse trabalho assistiu ao longa e percebeu que os elementos da narrativa – sexo, drogas e violência – tinham a “cara” do NP. A Europa Filmes aprovou a ideia e a equipe procurou, em seguida, o Grupo Folha para negociar a volta do título para uma edição especial. “Pensamos que essa seria uma negociação fácil para uma marca de cerveja, por exemplo, que tem verba. Mas não para esse projeto porque a gente tinha um budget de cinema nacional. Para nossa surpresa, o grupo adorou a proposta e tivemos uma impressão com preço de custo”, conta Eduardo Battiston, diretor executivo de criação da AgênciaClick (a verba não é revelada).

Foram impressos 300 mil exemplares do jornal, que teve seu conteúdo preparado por um grupo de profissionais que trabalhou anos na redação do NP. Entre eles, Ebrahim Ramadan, editor-chefe que atuou por 18 anos no jornal. “Eles viram o filme e escreveram os textos em cima disso. O fotógrafo (Conceição) selecionou os frames do longa que seriam usados. Todo esse projeto foi operacionalizado em um mês. O jornal foi preparado em três dias”, detalha Battiston. Foi feito um vídeo com os bastidores desse trabalho, que está disponível no YouTube (veja mais abaixo). “Fizemos com que esses jornalistas se reencontrassem e eles se divertiram muito. A gente também foi para a gráfica acompanhar a impressão e havia gráficos que tinham trabalhado nos tempos do NP. Eles ficaram felizes”, revela o criativo.

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Estilo preservado

O projeto de papel ficou restrito a São Paulo, mas essa edição do NP tem uma versão na web: o site www.ultimonp.com.br, que distribui o conteúdo para fãs de outras partes do Brasil. Além disso, a ação dispõe de uma hashtag para ampliar a repercussão do feito na mídia social, que é #faroestenoNP. Para reforçar essa estratégia, a “última edição” do Notícias Populares estampa na capa, em seu notório estilo, a mensagem “quem não compartilha cai o bilau”. Outrros títulos de reportagens marcam o tom que tornou o NP tão cultuado, como "Traficas trocam tiros e chifres" e "Maria Lúcia viciou no bagulho de Santo Cristo". O humor também se manifesta no horóscopo assinado por "Pai Tião", com destaque para os nativos de peixes com ascendente em Escorpião, como está na letra da canção.

Na Folha de S. Paulo desta sexta-feira, Antonio Carlos de Moura, diretor executivo comercial do Grupo Folha, afirma que o projeto é "um exemplo de como lançar um produto de maneira divertida e criativa". A edição especial será distribuída também nas salas de cinema.

O NP faria 50 anos em 2013. Com a campanha, também é homenageado o diário. Em uma de suas oito páginas, há um espaço dedicado a classificados. E nele se lê uma referência à extinção do veículo. “Quer anunciar no Notícias Populares? Vai ficar querendo. Conforme é sabido por fãs do periódico mais autêntico do Brasil, nossas atividades foram encerradas em janeiro de 2001. Esta última edição, histórica e de colecionador, não poderá vender futuros espaços publicitários. Infelizmente”. 


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