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Marisa Furtado
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07  Oct   2011

Comunicacao

Meu banco de dados pelo seu bando de fofocas!

“Enriqueça nosso banco com a conversa nas redes sociais. Tá tudo lá”. É com esta frase que se inicia uma nova caça ao tesouro, que talvez ainda nunca tenha existido. Em sua página do Facebook, Laurinha, mulher jovem, típica da classe C, arrimo de família, locomotiva do Brasil, entrega seu estilo de vida. “Nosssssssssssssa, quantos amigos ela tem, estilinho periguete”, é o que diriam muitos diante do perfil da moça.

Então, já podemos esquecer a história de modelo predictivo porque já sabemos quem ela é. Tá tudo na fan page! Afinal, as redes sociais retratam a alma das pessoas, não é? Se Laurinha tem predisposição para gastar? Claro que sim! Roupas fast fashion? Total, ela consome de montão. Repara quantos looks novos ela postou depois das comprinhas para arrasar na balada. “Malditos pôneis, que nojinho! Me deixaram na mão, na sexta-feira à noite”, ela diz. Opa, aqui tem coisa! Laurinha tem carro, seria um 4x4? Marca aí na base. Gosto musical? A garota descolada curtiu muito Elton John no Rock in Rio. Vai marcando aí na base: gênero preferido, balada romântica internacional, propensão a ações de entretenimento e gastronomia, porque a foto revela a moça se acabando em uma pizza de muçarela.

E, então, log off, vem a vida dura e real de Laurinha e a nossa também, no entedimento destes comportamentos fakes nas redes sociais. É tudo um grande faz de conta sobre ser verdadeiro. O match entre a tendência e o spending no cartão de crédito quase sempre não é possível. Laurinha e sua geração, no melhor estilo “Scott Philgrin”, iludem veementemente os caras do business inteligence. Ela e mais três amigas fazem rodízio com as mesmas “roupitchas”. Este mês, as três estão na maior pindaíba. Ela não comprou nada :(

Laurinha viu o flash do megashow do Rock in Rio no Jornal da Globo, logo após chegar em casa, exausta depois de seu 4º. ônibus do dia. Carro, só daqui a uns bons anos. E que seja usado, para começar. Mas tava todo mundo comentando sobre a propaganda da Nissan no Face, então ela não podia ficar de fora. A pizza foi uma indulgência depois da balada. Também, ela nem beijou nenhum dos “caritchas” com que aparece abraçada. E a carência consumiu vales-refeição demais. Ainda vai dar indigestão. Vai faltar para o mercado da família.

E assim gira uma nova conversa maluca entre redes sociais e empresas. A vida de cada um exposta o tempo todo, feito vitrine, mas nem sempre como ela realmente é. Entre o banco de dados e o bando de fofocas, existe um novo paradigma para a comunicação dirigida: separar perfis possíveis de perfis inventados. Separar indicadores reais de tendências dos sinais de fumaça, que tanto aparecem nas redes sociais.

O vício de xeretar, agora também impregnou o ambiente corporativo, nos tornando mais vulneráveis, cheios de possibilidades e visões fragmentadas sobre nossas bases de dados e, o pior, com muito pouco espaço para curtição. Ao final do dia, acho que temos mais é que colocar a lente na grande angular. Deixar de lado os modismos, entendendo com ciência o que acontece de verdade com o consumidor. Só assim eles também se permitem ser nossos ativos de marca. Por muito tempo!

Marisa Furtado é sócia, vice-presidente e diretora de criação da Fábrica Comunicação Dirigida 

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