RioContentMarket coloca a diversidade na pauta

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RioContentMarket coloca a diversidade na pauta

Evento, que está em sua sétima edição, acontece esta semana no Rio de Janeiro e envolve todos os segmentos do audiovisual

Teresa Levin
8 de março de 2017 - 19h21

Meio e Mensagem Rio Contet Market 2017 - RJ

RioContentMarket chega a sua sétima edição (Crédito: André Valentim)

A diversidade ganhou espaço de destaque na sétima edição do RioContentMarket, evento voltado para o mercado audiovisual que acontece entre os dias 7 e 10 de março, no Rio de Janeiro. Reunindo os mais diversos players do setor, o encontro latino-americano já se firmou como um dos principais do segmento no cenário mundial, reunindo milhares de profissionais a cada ano em painéis, rodadas de negócios, exibições e outras atrações que ocupam seis salas do Hotel Windsor Barra.

No primeiro dia da edição deste ano, uma das atrações foi a executiva americana Zola Mashariki, da Black Entertainment Television/ Viacom. Em um painel que contou com a participação do ator global Lázaro Ramos, ela ressaltou a importância de ter jovens, velhos, negros, asiáticos, gays, heterossexuais, entre outros, representados nas inúmeras produções veiculadas nas mais diversas telas. Reconhecendo que nos Estados Unidos um longo caminho neste sentido já foi percorrido, mas lembrando que ainda há muito o que fazer, a executiva observou que, pelo Brasil ter grande parte de sua população negra, deveria haver uma maior representação de negros nas telas. “O que pode ser feito para aumentar esta representação na mídia como está acontecendo nos Estados Unidos? O que podemos aprender um do outro?”, questionou. Para ela, um primeiro conselho é, ao abrir uma porta, leve outros 20 com você. “Todos que trabalham na indústria devem fazer isso”, falou. Zola aconselhou ainda que cada um crie suas oportunidades. “O movimento americano negro no cinema não começou com financiamento de estúdios”, alertou o público. Reconhecendo ainda que vê muitos paralelos entre a indústria brasileira e americana, ela ressaltou que há muito o que ser feito entre os dois países. “Olho para a indústria aqui e vejo paralelos e oportunidades de parcerias para os Estados Unidos e o Brasil. Temos tanto a fazer juntos, que estou excitada para explorar”, concluiu.

 

Meio e Mensagem Rio Contet Market 2017 - RJ

Zola Mashariki, executiva da Black Entertainment Television (Crédito: André Valentim)

Em um outro painel que também contou com a participação de Zola, a atração foi John Singleton, diretor de Boyz n the Hood e da série The People vs. O.J. Simpson: American Crime History. Ele aproveitou e reforçou o discurso da importância da diversidade nas produções. Singleton concordou com Zola ao observar seu estranhamento ao ver que o Brasil tem milhões de negros em sua população, mas não nas atrações que vão ao ar na TV. “Deveriam ter programas, filmes, mas não vi isso”, alertou. Assim como destacado pela executiva americana, ele acredita que já passou da hora de ser formada uma aliança entre produtores americanos negros e brasileiros. “Não é difícil, tem tantos talentos aqui, seria lindo”, concluiu.

Conteúdo sem fronteiras

Firmando-se cada vez mais como um palco de discussões que reflete as mais diversas frentes do mercado audiovisual, o RioContentMarket também recebeu em seu primeiro dia a executiva Kelly Luegenbiehl, diretora de criação da International Originals Netflix. Para uma plateia lotada, ela lembrou que o Netflix está hoje em 190 países e continua investindo em conteúdos locais. Sobre o que procura, foi enfática: quanto mais local uma produção é, mais relevante será globalmente. “Não pense em o que alguém na Índia ou na Suíça quer assistir, mas o que querem ver no Brasil. Nos conte uma história que ninguém vai poder contar fora do seu país que ela viajará bem”, falou. Kelly frisou ainda que o Netlfix não acredita que Hollywood é o começo e o fim do storytelling. “A maior parte destas histórias está em países como o Brasil. Isso nos anima!”, concluiu.

 

Meio e Mensagem Rio Contet Market 2017 - RJ

Kelly Luegenbiehl, do Netflix (Crédito: André Valentim)

Em outra frente, o evento deu espaço para a Vivo, através de seu vice-presidente de estratégia digital e inovação Ricardo Sanfelice. O executivo aproveitou para fazer uma análise de como as empresas de telecom podem investir no audiovisual. Reconhecendo que hoje a Telefonica, controladora da Vivo, não tem interesse em adquirir uma produtora de conteúdo no Brasil já que legislação brasileira proíbe que as empresas do setor produzam e empacotem conteúdo, ele frisou que existem caminhos para o investimento no audiovisual. “Apesar de todas as regulações que dificultam que uma operadora de telecom possa competir efetivamente no mercado de conteúdo, encontramos maneiras de fazer isso através de investimentos indiretos”, disse. Como exemplo, ele citou a parceria da Vivo com a Vivendi, que gerou produtos como o Studio+. “E estamos abertos a outras iniciativas”, antecipou. Para ele, é possível para uma operadora de telecomunicações jogar este jogo de maneira indireta. “Temos um desafio muito grande que é produzir cada vez mais conteúdo dublado e legendado, com uma diversidade maior de gêneros, além de pensar muito em conteúdo desenhado exclusivamente para o mobile. Trabalhar com adaptações é muito difícil”, finalizou.

 Balanço do audiovisual

 O diretor-presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine) Manoel Rangel aproveitou o RioContentMarket para fazer um balanço dos 15 anos de atuação da entidade e apresentar os desafios que o mercado audiovisual brasileiro tem pela frente. O executivo lembrou que os serviços de vídeo sob demanda (VOD) precisam de um marco regulatório para continuar a crescer e garantir seu dinamismo; a distribuição dos filmes brasileiros exige novas alternativas que reduzam a distância entre os grandes e pequenos lançamentos; a exibição de cinema demanda um novo motor de expansão para as cidades médias, que valorize os empreendimentos dos pequenos exibidores; o equilíbrio nas parcerias ente TV e produção independente pede atenção e cuidado com o mercado de licenças, e os estados e municípios podem fazer mais na política do audiovisual e no desenvolvimento regional do audiovisual. “Estes cinco desafios constituem uma pauta de trabalho. Há um conjunto de fatores a serem seguidos. São consensos construídos com vocês e por vocês e com um conjunto de agentes econômicos”, conclui o diretor-presidente da Ancine, acrescentando que o crescimento do setor também é fruto de um consenso entre os diversos players do segmento.

 

 

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