Diário de Cannes

Quem matou o rádio?

A conclusão que fica é que o Rádio deveria ser uma subcategoria dentro de Áudio

Lucas Sfair

CEO e Founder da CANJA Audio Culture 19 de junho de 2023 - 9h38

A invenção atribuída ao italiano Guglielmo Marconi em 1899 foi uma das maiores revoluções da história da comunicação. Olha que ironia: estou escrevendo esse texto no meu celular. Praticamente um walkie-talkie (WhatsApp que o diga) multi funcional que serve pra praticamente tudo, mas em essência é um transmissor de voz.

Quando olhamos para os últimos Grand Prix de Cannes, a pergunta que fica é: por que essa categoria ainda se chama Rádio? Há anos que o Áudio é uma das mídias mais passíveis de inovação. Estamos falando de coletes que emitem ondas sonoras para desobstrução de vias aéreas (Sick Beats), jogos interativos via assistentes de voz (Westworld: The Maze), guias turísticos de museu com filtro do instagram (The Unfiltered History Tour), entre outros. Tudo, menos rádio.

Acontece que, em meio a tantos artifícios, spots acabam sendo premiados quase que por consolação. Os jurados sentem que precisam encontrar alguma peça de rádio tradicional para largar um bronze ou prata, se não tudo perde o sentido.

A conclusão que fica é que o Rádio deveria ser uma subcategoria dentro de Áudio. Assim como existem hoje as de Podcast, de Ativação por Voz, de Inovação etc.

Dessa forma, garantimos que ele sobreviva com seu devido espaço nos festivais de criatividade.

Nosso júri estava se imaginando daqui há alguns anos, brincando com os netos e contando pra eles como nossa geração matou o rádio.

Mas, em 2023, o festival guarda uma surpresa para todos. Aguarde e verá. Ou melhor, ouvirá.