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Empresas brasileiras investem R$ 10 milhões em inscrições de cases

Cálculo feito pela reportagem de Meio & Mensagem aponta que, apesar da queda nas inscrições, festival faturou quase R$ 127 milhões com as taxas para admissão de campanhas de todo o mundo

i 23 de junho de 2026 - 8h01

Cannes Lions 2026

Cannes Lions 2026

As empresas atuantes no Brasil destinaram cerca de R$ 10 milhões (€ 1,7 milhão) para inscrições de cases no Cannes Lions 2026, segundo cálculo aproximado feito pela reportagem de Meio & Mensagem, que aponta um faturamento para o evento de quase R$ 127 milhões com as taxas para admissão das campanhas concorrentes de todo o mundo.

O ponto de partida para o cálculo foi a tabela oficial de preços da 73ª edição do Festival Internacional de Criatividade, na qual o custo para envio de peças varia de 690 euros a 2.825 euros por inscrição, dependendo da categoria e do prazo para pagamento – há quatro períodos, com o valor subindo na medida em que a data do evento se aproxima.

Foi calculada a média de custo para inscrição em cada uma das 31 áreas do festival e considerado o total de peças avaliadas pelos júris em cada uma delas. Com isso, chegou-se ao valor total aproximado de faturamento do Cannes Lions com inscrições em 2026: R$ 127 milhões (€ 21,5 milhões).

Apesar dos pedidos da reportagem, a organização do evento não forneceu até o fechamento desta reportagem o total de inscrições brasileiras por área no festival deste ano. Então, foi feita uma média aproximada, considerando o total de 1.593 inscrições enviadas neste ano pelas empresas atuantes no País, para se chegar ao total de R$ 10 milhões (€ 1,7 milhão) de investimento do mercado nacional.

O Brasil diminuiu em 41% o total de inscrições de cases no Cannes Lions em 2026. A retração na participação do País foi bem maior que as dos demais principais concorrentes: os Estados Unidos cortaram em 17,8% o seu volume de inscrições e o Reino Unido, em 20,5%. A França diminuiu em 11,4% suas inscrições e a Canadá, em 16,8%.

No total, o Cannes Lions 2026 recebeu 20.050 inscrições, o que representa uma queda de 25% em relação ao ano passado. Embora haja uma necessidade global da indústria por economia de custos, a diminuição nas inscrições é atribuída, principalmente, às regras mais rígidas de checagem de dados e à promessa de intolerância com campanhas falsas criadas somente para competir em festivais, instituídas após o vexame da cassação de um Grand Prix e outros Leões concedidos à brasileira DM9.

Orçamentos altos
Os custos das inscrições de cases representam somente parte do investimento feito pelas empresas dispostas a entrar na caça aos Leões do evento. O orçamento inclui, ainda, passagens e hospedagens das equipes na Riviera Francesa e taxas para os passes de entrada nos ambientes oficiais do festival, que variam de € 4.465 a € 16.089.

Ainda é preciso acrescentar neste cálculo a não menos custosa preparação prévia dos cases, que mobiliza equipes das agências, produtoras e anunciantes. Há ainda o trabalho de relações públicas e busca por engajamento em projetos promissores, para que cheguem ao festival já chancelados de algum modo pelo público.

Apesar das quedas nos volumes de inscrições e de uma menor movimentação no Palais des Festivals e arredores, o Brasil é o terceiro país com mais trabalhos concorrentes, atrás apenas de Estados Unidos e Reino Unido, e se mantém entre as maiores delegações presentes em Cannes.