Comunicação

“A melhor ideia será aquela que resolve e emociona”, diz Simon

CEO da Galeria cita três tendências que influenciarão a indústria de comunicação e marketing em 2026

i 19 de janeiro de 2026 - 8h25

Eduardo Simon

Eduardo Simon, sócio-fundador e CEO da Galeria, primeira colocada no ranking de melhores em novos negócios (Crédito: Divulgação)

Primeira colocada na 15ª edição do ranking de melhores em novos negócios, realizado por Meio & Mensagem, a Galeria conquistou sete novos negócios em 2025.

De acordo com o CEO e sócio-fundador da agência, Eduardo Simon, a soma de uma cultura própria construída ao encontro do mercado nacional com o dinamismo e maior velocidade nas tomadas de decisões — associado a um comportamento que define como inquieto e inovador para desenvolver soluções de comunicação para as marcas –, proporciona um diferencial competitivo em relação às agências de holdings globais.

Ele afirma, também, que o fato de a Galeria fazer parte da Galeria Holding, que conta com 12 empresas focadas em diferentes capabilities, de UX a inteligência artificial (IA), é peça crucial para o desempenho no que diz respeito a atração e retenção de novas contas.

Ao longo do ano passado, a agência foi responsável por campanhas como “Feito” para Itaú, que reposicionou a marca; a que uniu McDonald’s e Duolingo para o lançamento do McFish; a da Vivo com o Rafael Nadal, que trouxe o ex-tenista multicampeão sob outra ótica; as de Havaianas, como “Havaianas Encardida”, que marcaram o início da relação entre ambas; além dos trabalhos que divulgaram produtos da Seara em parceria com a Netflix.

Na entrevista a seguir, Simon comenta o cenário atual das agências de publicidade e cita três tendências que nortearão a indústria de comunicação e marketing.

Meio & Mensagem – A reportagem que divulgou o ranking de novos negócios destacou a atuação sinérgica entre agências e empresas que são parte de uma mesma holding para a atração de novos negócios e ampliação em verbas já atendidas. Qual é a sua leitura sobre essa afirmação? Há, de fato, um impulsionamento favorável quando a agência em questão faz parte de grupos?

Eduardo Simon – Independentemente da relação que as agências que se destacaram na lista têm com algum grupo, é importante notarmos que das sete maiores agências em crescimento de novos negócios, quatro são brasileiras e independentes de grupos internacionais. Esse cenário era algo difícil de se imaginar há alguns anos.

Partindo dessa observação extremamente relevante, entendo que quando a agência está conectada há um ecossistema de serviços e negócios que possam complementar o que ela oferece ao mercado, há sim um impulsionamento favorável.

M&M – Na sua avaliação, as holdings souberam se estruturar melhor, de algum tempo para cá, para ganhar vantagem competitiva? De que forma?

Simon – A indústria criativa e da comunicação é das que mais passa por mudanças e evoluções, sejam elas micros ou macros, ao longo dos últimos anos, que representam desafios para conectar marcas e pessoas de maneira eficiente. Observando por esse contexto, entendo que a maioria das holdings, cada uma de acordo com seu posicionamento e cultura institucional, tem encontrado seu caminho para se estruturar.

Há diferentes maneiras disso ser feito. Tem holding, principalmente as internacionais, que optam preferencialmente por fazer isso através de aquisições e/ou fusões de grandes negócios, e há holding que estrutura negócios a partir da visão e vontade de um talento notável em empreender ou investindo em negócios que estão em ascensão e com grande potencial de crescer ainda mais, quando conectadas em uma estrutura ampla e completa.

M&M – Quais foram os fatores que possibilitaram um bom desempenho em novos negócios ao longo de 2025?

Simon – Além de uma proposta de visão integrada e única para o mercado,, entendo que o fato de criarmos e veicularmos campanhas memoráveis para nossos clientes movimentando positivamente o ponteiro de negócio das marcas e gerando conexões com o público que dialogam com a cultura brasileira , funcionam como uma vitrine do produto estratégico e criativo da agência, contribuindo fortemente para um bom desempenho em novos negócios ao longo do ano.

M&M – Quais serão as tendências e ideias que regerão os negócios da indústria de comunicação em 2026?

Simon – Repertório Humano como moeda: Muitas marcas estão usando a IA para gerar conteúdo genérico em escala, mas com isso o diferencial e o talento humano desaparece. Uma tendência que observo para 2026 é o uso da máquina para trazer histórias à vida de uma forma que seria impossível sem a tecnologia. Nesse sentido, estamos entrando em um momento no qual a criatividade humana vale mais, mas só para quem tem repertório cultural, criativo e de vivências. A oportunidade está em combinar esse conjunto de repertório com inteligência de dados.

Escapismo funcional: O consumidor de 2026 está cansado. Cansado de notícias ruins, de incertezas, de complexidade. E quando as pessoas estão cansadas, elas buscam um respiro. A melhor publicidade será aquela que oferece um momento de leveza, beleza e propósito. Ou ainda aquela que oferecer segurança, na qual o consumidor se sente entendido e pertencente. As marcas que conseguirem trabalhar por esses caminhos vão criar comunidades engajadas.

A marca como infraestrutura: O consumidor não quer uma marca que só emocione, mas que também resolva problema. As marcas que cada vez mais estão ganhando espaço na vida das pessoas são as que viram infraestrutura. Que você usa e ela facilita sua vida, que você não consegue viver sem. Isso não significa que as campanhas criativas, que emocionam, vão desaparecer. A melhor ideia será aquela que resolve, se apresenta como uma solução e emociona. Que funciona e faz o consumidor voltar.