Opinião: Empreender é o novo normal

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Opinião: Empreender é o novo normal

Provavelmente a propaganda acabou e virou algo parecido com um diálogo. Por isso, tantas marcas preferem falar menos delas mesmas e adotar uma causa importante para as pessoas que utilizam seus produtos


23 de setembro de 2015 - 10h56

Por Flavio Waiteman

O termo “novo normal” foi criado em 2009 pelo economista americano Bill Gross para descrever um longo período de crescimento lento pelo qual o mundo iria passar. E realmente o normal assumiu outros significados.

O novo normal na economia para quem tem quase nada é abrir um negócio. O empreendedorismo é o novo normal.

Para se locomover, o novo normal é o aplicativo. Qualquer um. A bicicleta é o novo normal do trânsito. O novo normal pressupõe menos por um tempo maior. Para os jovens é trabalhar sim, mas não se matar para subir na carreira. Sem muita pressa. A não ser quando errar e quiser corrigir para recomeçar. Sejam relacionamentos, empregos, carreira. Se errar é o novo normal, recomeçar também é.

O novo normal é ter um papa que anda de carro popular com anel de prata e crucifixo de latão.

Bom senso é a tendência do novo normal. A marca de roupas Patagônia pede para que você compre menos. E mesmo assim, fatura US$ 600 milhões. E boa parte do dinheiro desenvolve agricultores e criadores de animais que preservam a mata nativa e princípios socioambientais.

O novo normal em agências de propaganda é ser gentil, respeitoso e acredite, direto. Os jovens não querem perder tempo vivendo enredos de trapaças. Aposentar antes dos 40 é uma frase hoje completamente fora do normal. O novo normal é trabalhar sempre. Porque trabalho e prazer se misturam mais hoje. Em um mundo com esse novo normal produtivo, criar não é mais privilégio de agência de publicidade. A Deloitte criou uma agência digital. Porque? Porque tem relevância e entende muito o negócio dos clientes. As agências digitais no novo normal sonham com as contas off-line e as agências off-line, no novo normal, desejam as verbas online. Nesse mundo os criativos precisam criar novos negócios. Criar contas antes das campanhas. Criar clientes.

Provavelmente a propaganda acabou e virou algo parecido com um diálogo. O novo normal é ouvir muito. Por isso tantas marcas preferem falar menos delas mesmas e adotar uma causa, falar sobre as causas importantes para as pessoas que utilizam seus produtos. O novo normal é não ser consumidor, mas uma pessoa humana.
O novo normal é querer mudar o mundo pela tecnologia auferindo lucros sim, claro. Mas não usá-lo para comprar um carro e andar a 50 km por hora, o novo normal da velocidade 😉

Veja, por exemplo, a guerra às drogas. O novo normal é descriminalizar algumas drogas, olhar para trás e entender o que está errado e fazer de novo (desing thinking is the new normal). O novo normal é barril de petróleo a US 40, e carros elétricos luxuosos e com 500 km de autonomia. Veja o que Elon Musk está fazendo com os carros Tesla e com o sistema de produção e armazenamento de energia solar nas casas, o Powerwall. E não fazem isso pelo verde da natureza. Mas pelo verde dos dólares. Papo cabeça não é normal, bitcho. O novo normal é juntar bons negócios com lucro, sensibilidade e sustentabilidade.

Sonhos custam. Menos um pouco, por um pouco mais de tempo.

O novo normal é ser cada vez mais criativo. Cozinha, chefs, funileiros (recuperando carros antigos como Kombis, fuscas, etc), mecânicos (adaptando carros para modelos elétricos), etc.

E, importante, a intolerância, preconceito, ódio, racismo e xenofobismo continuam ser algo fora do normal. Ainda bem.

O novo normal é refazer os processos e nunca se precisou tanto de designers, criativos de comunicação, criativos de moda, criativos econômicos, criativos empreendedores.
E tudo isso que estamos vivendo e que está aí pode parecer incrível. Mas é tão somente o novo normal


(*) Flavio Waiteman é diretor de criação da Escala e escreveu para o Meio & Mensagem. Este artigo está publicado na edição 1678, de 21 de setembro de 2015.

 

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