A hora dos transformadores

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Ponto de vista

A hora dos transformadores


3 de junho de 2011 - 5h34

“Um dia nos perguntamos: qual é o propósito da nossa empresa? Buscamos um propósito que transcendesse nossos interesses pessoais. Descobrimos que esse propósito era doar o que temos de melhor e isso para nós significa fazer pesquisa, trazer perguntas, convidar as pessoas a refletir.”

Foi assim que começou, na última terça-feira, no primeiro dia de junho, a apresentação do “Sonho Brasileiro”, projeto anunciado pela Box1824 durante o primeiro TEDxSP há cerca de 18 meses.

Durante um ano e meio, os “boxers” falaram com 2.900 jovens de 18 a 24 anos, em 173 cidades brasileiras, construindo não apenas um retrato dessa geração, mas identificando qual o zeitgeist, o espírito desse tempo, que provavelmente determinará o mood dessa segunda década do segundo milênio.

Sonho Brasileiro from box1824 on Vimeo.

 Mas o que aconteceu de mais importante na última terça, do meu ponto de vista, não foi a apresentação dos resultados da pesquisa. O mais importante foi a atitude ousada de pessoas que acreditam que podem contribuir para a transformação da realidade através daquilo que fazem todos os dias: a Box investiu equipe, horas de trabalho e 1/3 do que ganhou em 2010 na execução desse projeto, que será doado ao Governo Brasileiro e disponibilizado ao público em geral através de um site, que poderá ser consultado e compartilhado por milhões de pessoas em todo o mundo.

Como várias outras ideias bacanas, o “Sonho” teve poucos patrocinadores: Pepsi e Itaú, além do apoio da Rede Globo – que em breve deverá começar a divulgar os resultados e a convidar as pessoas a compartilhá-los. Quem apostou nessa ideia deu uma importante demonstração de visão e inteligência.

Ao se perguntar qual era o propósito da marca que criaram, os sócios da Box1824 deram um importante exemplo. Todas as marcas deveriam sentar e se fazer a mesma pergunta. Uma questão que vai além dos já conhecidos conceitos sobre visão, essência e valores. O propósito de uma marca fala sobre sua razão de ser, sobre aquilo que você só consegue descobrir quando sabe quem você é.

Ao descobrir seu propósito, a Box encontrou uma atitude capaz de construir reputação e com potencial para criar uma maior interação entre a marca, seus clientes e as centenas de pessoas que são fonte das dezenas de relatórios sobre comportamento que a empresa produz por ano.

Os “meninos” da Box escolheram agir no lugar de fazer discurso e terminaram sendo tão transformadores quanto os jovens que pesquisaram – e que fecharam a apresentação deixando um recado: “O sonho brasileiro não busca um destino exato. Não somos um país que luta por um ponto de chegada, nós vivemos o prazer de percorrer e celebrar o caminho”.

Depois de tudo isso, eu voltei pra casa celebrando o caminho aberto por uma empresa que resolveu descobrir e colocar seu propósito em prática e acreditando, ainda mais, que agir influenciando o mundo positivamente é um ótimo jeito de construir marcas.

Ana Paula Cortat é vice-presidente de estratégia do Grupo Isobar no Brasil

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