Meio & Mensagem

Grupos de afinidade e a conexão humana das empresas

Buscar
Publicidade

4 de julho de 2022 - 10h05

Tendências de Marketing Digital para 2022

Minha história começa em 2019, quando comemorávamos os 50 anos da Revolta de Stonewall. Neste contexto, percebi que estava usufruindo privilégios conquistados com muito sangue e suor sem dar nada em troca para a minha comunidade. Nesta busca por propósito, tive a oportunidade de participar da formação de um grupo de afinidade LGBTQIA+ na Unilever. Três anos depois, tenho orgulho de ser um dos líderes do proUd, que conta com mais de 1300 pessoas em todo o mundo, mais de 100 destas aqui no Brasil.

Nestes três anos de trabalho ao lado de grupos focados nas pautas raciais, de gênero e de pessoas com deficiência, alcançamos uma profunda transformação cultural na companhia. Nosso plano para construir uma Unilever com mais Equidade passa por todas as áreas da companhia.

1. Liderança
Um dos trabalhos mais importantes de um grupo de afinidade é auxiliar a liderança na implementação do conceito de Equidade. Ele representa grupos minorizados e controla um poder inerente vindo de suas vivências. Este conhecimento pode ser compartilhado com a liderança através de sessões de letramento e de feedback. Esta, devidamente capacitada, deve aplicar este conhecimento na tomada de decisões críticas para o negócio. Líderes também podem oferecer mentoria através de sua visão estratégica, capacitando estes novos líderes na definição de suas prioridades e avançando suas agendas de forma ainda mais assertiva, formando um ciclo virtuoso.

2. Políticas e benefícios
O próximo passo é a revisão das políticas e dos benefícios oferecidos pela empresa. Por exemplo, todas as pessoas são tratadas pelos seus nomes, mas o que acontece quando este nome e o gênero estão diferentes no documento? Para garantir que todas as pessoas serão tratadas com respeito em todos os pontos de contato, a Unilever lançou uma política oferecendo o reembolso da retificação de certidões de nascimento, RGs e CPFs de pessoas trans que trabalham na empresa. Esta revisão dos processos mais básicos não é simples e exige envolvimento e trabalho de diferentes áreas, mas a Equidade não será completa até que todas as pessoas tenham condições de usufruir plenamente de todos os benefícios que têm direito.

3. Comunicação e publicidade
Costumo falar que qualquer representatividade positiva é melhor que nenhuma. Mesmo marcas que nunca fizeram nada publicamente devem garantir que as pessoas que aparecem nas suas comunicações correspondam à realidade da sociedade, considerando raça, gêneros, corpos e deficiências. Deixo aqui um exemplo que seguiu este princípio à risca e me enche de orgulho até hoje (link). Aqui, consistência é o nome do jogo. Pessoas LGBTQIA+ já estão treinadas para não cair em promessas vazias de acolhimento que desaparecem no dia primeiro de julho. Ações com propósito e impacto real na sociedade devem ser o lastro de qualquer comunicação para evitar acusações de oportunismo.

Os grupos de afinidade tornam a Unilever uma empresa cada vez melhor, pois temos um ambiente seguro para compartilhar nossas experiências e percepções de forma genuína. Ser parte do proUd também me possibilitou ser uma pessoa, um funcionário e um líder melhor. Tenho a oportunidade diária de aprender com pessoas incríveis vindas de realidades diferentes e de todas as áreas e níveis hierárquicos. Ninguém perde nesta relação.

Não é todo dia que encontramos oportunidades ganha-ganha no mundo corporativo. Se eu fosse você, não deixaria esta escapar.

Publicidade

Compartilhe

Veja também