“As agências não podem fazer tudo sozinhas”

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“As agências não podem fazer tudo sozinhas”

Presidente da Y&R, David Laloum vê o compartilhamento de ideias e talentos como o futuro para a indústria da comunicação

Bárbara Sacchitiello
2 de maio de 2016 - 10h51

O futuro da indústria da comunicação será o do compartilhamento. As agências deverão unir seus talentos e expertises em prol da entrega das soluções que os clientes necessitam. E, sem dúvida, a tecnologia terá papel fundamental nesse novo cenário. A previsão é de David Laloum, que desde o início deste ano, passou a ocupar o posto de presidente da Y&R, que há anos sustenta o título de maior agência do País em faturamento.

 

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Com dez anos de experiência na agência, Laloum assumiu o cargo de presidente em janeiro de 2015 (Crédito: Arthur Nobre)

Ciente da responsabilidade de líder, Laloum acredita que cabe a empresa tomar iniciativas que pautem os caminhos que o setor da comunicação deverá seguir nos próximos anos. Por isso, ele se envolveu diretamente em um projeto para levar startups para dentro de sua agência. Já testado em outros escritórios da Y&R no mundo, o modelo consiste em auxiliar no desenvolvimento de novas empresas, que podem desenvolver soluções e ideias para os clientes da casa.

Nesta entrevista, o presidente da Y&R detalha o projeto e revela suas perspectivas acerca do futuro da indústria da comunicação – e como já vem se preparando para ele. Com dez anos de atuação na empresa (mesmo período de vivência no Brasil) o profissional francês é ciente de que assume a empresa em um período de dificuldades para o País. Mesmo assim, pretende seguir adiante seus planos.

“Não quero que o cenário macroeconômico freie minha agenda de transformação”.

Projeto das startups
“Tenho uma crença profunda em inovação. Há 10 anos estamos sendo impactos por transformações tecnológicas profundas na área da comunicação, que mexem profundamente com o ecossistema do consumidor, das marcas, das empresas e de nossas relações com produtos e serviços. Enxergar isso não está ligado a uma postura mais ou menos conservadora, mas sim a consciência de uma nova realidade. Alguns escritórios da Y&R no mundo já realizaram esse projeto de incubar startups e a ideia de trazer isso ao Brasil coincidiu com a chegada do Pedro Gravena (head de digital e inovação da agência), que tem uma longa experiência nessa área e conhece os profissionais e empresas mais voltados à inovação. Iremos selecionar startups de diversos serviços para passarem um período de 3 a seis meses dentro da agência. Além do espaço físico, propomos também um coaching com nossos profissionais, que podem passar a essas startups conhecimento sobre diversas áreas. E a ideia é que essas startups exercitem esse conhecimento e criem propostas de soluções para nossos clientes, dentro do âmbito da comunicação.”

 

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“Não é mais correto dizer que as pessoas são consumidoras, mas sim usuárias das marcas”, David Laloum (Crédito: Arthur Nobre)


Sistema aberto

“Nos próximos anos, 50% das soluções que traremos para os clientes não virão das nossas agências, mas de um sistema aberto, em que puxaremos recursos, tecnologias, indivíduos e valores de outras empresas que estão fora da agência.”

“O mundo é complexo e rico demais para as agências acharem que podem resolver tudo. Creio que atuaremos em um ecossistema aberto e que muitas soluções virão de parceiros, de dentro e fora do Brasil.”

Inovação na comunicação
“Não é mais correto dizer que as pessoas são consumidoras, mas sim usuárias das marcas. As relações com o público são cada vez mais complexas, seja via TV, internet, nas lojas ou em festivais que aquela marca patrocina. E esses pontos de contato são ampliados por causa da tecnologia. A inovação acaba permeando tudo isso porque ela é a base da construção desse relacionamento entre marca e cliente através da tecnologia.”

Cenário econômico
“Apesar do desafio econômico para qualquer empresa hoje, considero que a crise nos obriga a transformar. As visões que tínhamos há dois ou três anos não cabem mais, pois temos que temos que aprender a lidar com novos critérios e comportamentos de consumo e nos readequar a isso. Quem tiver essa consciência se sairá melhor quando a crise passar. Isso exige muito malabarismo e ajuste de recursos, mas não quero que o cenário macroeconômico freie minha agenda de transformação.”

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