ONU, Unilever e ABA trazem Aliança sem Estereótipo ao Brasil

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Comunicação

ONU, Unilever e ABA trazem Aliança sem Estereótipo ao Brasil

Brasil é o primeiro país da América Latina a receber a coalizão, que reúne agências, anunciantes e entidades para promover a representatividade na propaganda

Karina Balan Julio
22 de fevereiro de 2019 - 14h38

De cima para baixo, em sentido horário: Ana Paula Duarte (Unilever), Sandra Martinelli (ABA), Adriana Carvalho (ONU) e Isabel Aquino (Heads)Foto: Arthur Nobre

A ONU Mulheres apresentou nesta sexta-feira, 22, a Aliança Sem Estereótipo (Unstereotype Alliance), iniciativa que chega ao Brasil com apoio da Unilever e da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA). A aliança global foi lançada oficialmente em 2017, durante o Festival de Cannes, e reúne agências, anunciantes e entidades da indústria para discutir o papel da propaganda na erradicação de estereótipos, assim como incentivar políticas ligadas à igualdade de gênero.

Junto à Turquia, Brasil é um dos primeiros países a sediar uma versão regional da coalizão, sendo o primeiro na América Latina. As primeiras signatárias oficiais da Aliança no Brasil são Unilever, Grupo Boticário, Heads Propaganda, MasterCard, Magazine Luiza, Heads Propaganda, WPP e IPG. Durante o próximo mês, a Aliança vai trabalhar para angariar novos parceiros oficiais entre agências, marcas, universidades e entidades sociais.

A partir de abril, o grupo criará um comitê de governança junto às empresas líderes, o qual se encontrará periodicamente para definir times de trabalho direcionados a diferentes pilares. “Vamos trabalhar com as empresas de fora para dentro e de dentro para fora. Queremos levantar questões como o viés inconsciente, a diferença salarial entre homens e mulheres, assédio moral e sexual e o trabalho doméstico que não é valorizado”, afirma Adriana Carvalho, gerente de princípios de empoderamento das mulheres da ONU Mulheres.

O próximo passo será a elaboração de um site em português com materiais traduzidos da ONU, pesquisas sobre diversidade e campanhas de referência. Nos planos da coalizão também está a criação de uma agenda de workshops e oficinas com profissionais de agências e anunciantes.

“Queremos oferecer ferramentas para que empresas possam avaliar se estão endereçando a questão dos estereótipos ou não. A visão dos profissionais de publicidade não necessariamente reflete a realidade, então a aliança tem um papel de educar o mercado, pois estamos todos aprendendo”, afirma Ana Paula Duarte, diretora sênior de mídia da Unilever. A marca já era parceira da ONU Mulheres e lançou, em 2016, a iniciativa “#Unstereotype” para combater percepções enviesadas na comunicação das suas marcas.

Isabel Aquino, diretora de planejamento da Heads, presente no evento de lançamento da Aliança, acredita que o projeto incentiva a mudança da mentalidade de anunciantes sobre assuntos como raça, gênero e grupos minoritários. “Muitos criativos tendem a não querer colocar sua comunicação no campo do politicamente correto, embora existam muitos exemplos de campanhas emotivas e muito criativas que não necessariamente são politicamente corretas. A Aliança vai ajudar a quebrar a inércia e os vícios dos profissionais na hora de criar”, disse.

Durante o evento, também estiveram presentes representantes das agências Live, Grey, WPP, entre outros.  A ABA ficará responsável por promover o projeto  entre seus associados. “A cadeia da publicidade é muito longa, mas o cuidado com os estereótipos é uma responsabilidade básica dos criativos e dos anunciantes que aprovam uma campanha”, justificou a presidente da associação, Sandra Martinelli.

A nível global, a Unstereotype Alliance é capitaneada também pela Unilever, pelo grupo Interpublic e AT&T. Alguns dos apoiadores globais da iniciativa são: ANA Alliance for Family Entertainment, Alibaba, WPP, Cannes Lions, Diageo, Facebook, Geena Davis Institute, Google, IPG, IPA, Johnson & Johnson, Mars, Mattel, Microsoft, P & G, Publicis, Twitter, The Female Quotient e Federação Mundial de Anunciantes.

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