Estudo mostra como marcas podem ser úteis à periferia

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Estudo mostra como marcas podem ser úteis à periferia

Mapeamento feito pelas agências Bullet e Responsa mostra a importância de as empresas entenderem as necessidades e o comportamento deste consumidor durante a crise

Luiz Gustavo Pacete
30 de março de 2020 - 6h00

 

Das pessoas consultadas, 96% consideram a pandemia algo sério e apenas 4% não estão preocupadas com o avanço do vírus (Crédito: Reprodução)

Nas últimas semanas, muitas pesquisas veem monitorando o sentimento do consumidor em relação à crise e ao papel das marcas neste contexto. Poucas, no entanto, estão considerando um público específico e que se enquadra em um dos grupos mais afetados durante a crise, os moradores de periferia de várias regiões do Brasil. Com o objetivo de entender também o sentimento do consumidor das periferias, as agências Reponsa e Bullet se uniram para mapear o comportamento da periferia durante a pandemia.

O Report Responsa, por meio de um questionário, foram ouvidos 525 brasileiros, moradores da periferia no período de 23 a 26 de março. Do montante, 28% representam o público masculino e 72% o feminino. O levantamento considerou três frentes: o impacto do coronavírus, a situação da periferia e o papel das marcas. “Apesar do conflito de informações sobre a real gravidade da pandemia de coronavírus e suas consequências 
 para as pessoas e para o País, as regiões periféricas mostram entendimento sobre a gravidade”, diz o estudo.

Das pessoas consultadas, 96% consideram a pandemia algo sério e apenas 4% não estão preocupadas com o avanço do vírus. As pessoas da periferia reconhecem que as marcas estão fazendo algo, porém, com poucas ações direcionadas ao povo mais necessitado. “A parte das ações acaba sendo voltada para um público muito mais generalista, deixando de lado as preocupações e necessidades da periferia no momento”, diz a pesquisa que também questionou o papel que as marcas possuem na conexão e na comunicação com esse público.

“A provocação que faço é de que as marcas entendam que nesse momento não queremos ser vistos apenas como consumidores, mas que de fato elas estejam interessadas nas vidas dessas pessoas que colocam essas marcas no dia a dia. Com essa pesquisa e tantas outras, é fácil identificar o que estamos precisando. Que vai desde procedimentos básicos de higiene, passando por alimentação e internet para que possamos ter entretenimento e nos informar. E principalmente não nos deixar com mais dívidas aumentando os valores de seus produtos”, diz Samuel Gomes, diretor de arte da Responsa e corresponsável pela pesquisa.

As pessoas consultadas indicaram algumas formas em que as marcas seriam mais úteis neste momento. A maioria, 81%, considera que elas são fundamentais ante 19% que não identificam a importância das marcas. E entre as várias possibilidades sugeridas, a pesquisa identifica as que mais aparecem: doando suprimentos; oferecendo informação e conteúdo para que as pessoas possam ficar em casa; geração de empregos e oferta de capacitação; redução de custos em serviços; no caso de operadoras de telefonia maior acesso à internet; aumento no prazo de pagamentos; oferta de suporte a unidades hospitalares da periferia e dando mais voz e visibilidade à situação das periferias.

“É chegada a hora de repensar a estratégia de mercado e entender que nesse momento o dinheiro que talvez fosse investido apenas num comercial, possa ser dedicado a empresas, coletivos, agências ou projetos que de fato estejam pensando no bem para essas pessoas. Faça um mapeamento e entenda qual periferia consome mais seu produto. Veja quais as necessidades daquela região. Faça pesquisa de campo e disponibilize o que for necessário”, pontua Samuel.

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