“Grandes reportagens incluem grandes riscos”

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“Grandes reportagens incluem grandes riscos”

Apresentador do Profissão Repórter, Caco Barcellos fala sobre os dez anos do programa e o que ele representa em termos de ousadia e inovação

  • Os jovens jornalistas da nova temporada do programa

    Crédito: Globo/Ramón Vasconcelos

  • Toda a equipe do Profissão Repórter reunida

    Crédito: Globo/Ramón Vasconcelos

  • Equipe do programa se reúne antes da estreia

    Crédito: Globo/Ramón Vasconcelos

  • Neste ano, o Profissão Repórter mudou de terça para quarta

    Crédito: Globo/Ramón Vasconcelos

  • Caco Barcellos, apresentador e idealizador

    Crédito: Globo/Ramón Vasconcelos

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Luiz Gustavo Pacete
14 de abril de 2016 - 11h30

O Profissão Repórter, da TV Globo, completa dez anos neste mês e acaba de ganhar um livro da Editora Planeta, lançado em 6 de abril, mesmo dia da estreia da nova temporada. Com o título “Profissão Repórter, Grandes Aberturas, Grandes Coberturas”, a obra reúne relatos dos jornalistas que fizeram 20 reportagens exibidas pelo programa, consideradas as melhores segundo a equipe. No total, foram 250 edições. Em entrevista ao Meio & Mensagem, Caco Barcellos, idealizador e apresentador do programa, falou sobre os dez anos da atração e as inovações trazidas pelo formato.

 

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Caco Barcellos: “O jovem jornalista pôde trazer essa inquietude à TV”

Meio & Mensagem – O que o programa representa em termos de inovação no formato, na linguagem e na forma de apuração?

Caco Barcellos – Muitos aspectos. O que eu destacaria é a questão da câmera inquieta, fora do tripé. Aquela que vai no ombro. Essa foi uma forma de aproximar o telespectador das pessoas e naturalmente ampliar a possibilidade do envolvimento. O jornalismo na TV sempre foi um gênero analítico e de opinião, logo, tínhamos que resgatar isso. Somos repórteres sem juízo de valor e o programa só sobreviveu em dez anos por causa disso. Por causa das histórias em que mergulhamos.

 

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A capa do livro de dez anos do Profissão Repórter

M&M – Como os novos jornalistas, recém formados, contribuem para o programa?
Barcellos – O jovem jornalista pôde trazer à televisão essa inquietude, ideias e a capacidade de criação. Além disso, trouxemos a visão de olhares diferentes. De nove jornalistas que estão na rua buscando o seu ângulo. É o que chamamos de imersão colaborativa. E nesse período a gente aprofundou esse conceito de imersão. De mais repórteres inseridos em um contexto. Tivemos casos de repórteres que passaram um tempo em comunidades, buscaram sozinho a notícia. Esse incentivo muda toda a abordagem de uma matéria.

M&M – O programa conseguiu atrair uma audiência mais jovem?
Barcellos – As pesquisas apontam nosso público entre 25 e 43 anos. Não saberia te dizer se somos um programa mais visto por jovens, até porque nossa temática é bem aberta. Abordamos assuntos que dizem respeito a vida de todos. Somos abordados por gente de várias idades, classes. Então acho que conseguimos falar com um número grande de pessoas e não necessariamente uma faixa específica.

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O programa surgiu como um quadro do Fantástico

M&M – Qual o desafio de manter o frescor?
Barcellos – São as histórias do dia a dia. Cada vez que saímos para fazer uma reportagem e buscar o olhar do outro temos algo novo, mesmo que o tema não seja inédito. E isso se torna ainda mais forte tendo em vista o momento que vivemos. Ele é intenso e fascinante com muitas coisas acontecendo e muitas histórias a serem contadas. Sou suspeito para falar por que sou apaixonado pelo que faço.

M&M – Nas manifestações de 2013 você chegou a ser hostilizado por manifestantes. Neste momento, vivemos uma situação tensa em que a Globo está na mira dos protestos. Isso não lhe dá medo?
Barcellos – Os grandes momentos históricos e políticos dificilmente acontecem sem incertezas, riscos e potencial de violência. Isso não deve afetar, no entanto, o trabalho do repórter. Grandes reportagens incluem grandes riscos. Não quero que existam guerras, mas se elas acontecem, o repórter tem que estar lá. É o ônus do nosso trabalho. Mesmo com os riscos e o envolvimento pessoal eu jamais deixaria de trabalhar. Amo a reportagem.

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