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O que será da Netflix sem a Disney (e vice-versa)?

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O que será da Netflix sem a Disney (e vice-versa)?

Enquanto a gigante da animação trabalha em seu serviço próprio de VOD, a plataforma de streaming negocia para manter Star Wars e Marvel em seu catálogo

Luiz Gustavo Pacete
14 de agosto de 2017 - 7h14

A semana passada foi uma das mais agitadas na história recente da Netflix. Dois dias após anunciar sua primeira aquisição, a empresa de HQs Millarworld, do quadrinista Mark Millar, responsável por títulos como “Kick-Ass” e “Kingsman” e “Velho Logan”, a plataforma teve um de seus principais parceiros, a Disney, anunciando que romperia o acordo para lançar uma plataforma própria de Vídeo on Demand (VOD).

Ainda na quinta-feira, 10, Ted Sarandos, diretor de conteúdo da Netflix, afirmou à Reuters que tenta negociar a permanência dos lançamentos da Marvel e da Lucasfilm, detentora de Star Wars. As duas empresas pertencem à Disney. Em nota publicada também na quinta-feira, a Netflix Brasil afirmou que o fim do acordo com a Disney está restrito aos Estados Unidos.

“Os assinantes da Netflix nos Estados Unidos terão acesso aos filmes da Disney no serviço até o final de 2019, incluindo todos os novos filmes que estrearão nos cinemas até o final de 2018. Continuamos a fazer negócios com a Disney globalmente em muitas frentes, incluindo o nosso relacionamento com a Marvel em andamento”, diz a nota da Netflix. No próximo dia 18, Marvel e Netflix lançam Os Defensores, que reúne os personagens de outras quatro séries desenvolvidas em parceria: Demolidor, Jéssica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro.

O movimento da Disney em desenvolver sua própria plataforma de distribuição e o da Netflix de adquirir uma empresa de conteúdo remetem a um caminho: a autonomia na produção de conteúdo próprio. “O maior interesse da Disney é aumentar suas chances de ganhos. Hoje, ela apenas comercializa seus conteúdos e a ideia agora é que também possa faturar com a distribuição”, observa Marcos Facó, diretor de comunicação e marketing da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

De acordo com Facó, no modelo atual, toda a inteligência de mercado, comportamento do consumidor e demais métricas estão nas mãos da Netflix. “A Disney entendeu que o proprietário do conteúdo deve possuir sua própria plataforma de distribuição. Porém, ainda não está claro se outros provedores de conteúdo farão o mesmo, o que compromete a Netflix. Devido aos baixos custos de streaming, a tendência é que os demais também passem para o modelo DTC (direct to consumer)”, observa.

Marcelo Forlani, sócio-fundador e diretor criativo do Omelete Group, explica que, com a aquisição da Millarworld, a Netflix continua sua busca por conteúdo. “Usando sua tecnologia e sua área de estratégia, o serviço de streaming monitora o consumo do conteúdo e sabe muito bem o que as pessoas procuram para assistir. Do outro lado, Mark Millar é o quadrinista que mais olha para Hollywood como objetivo final. Seus quadrinhos são claramente criados como storyboards, que já vão direto para um dos públicos mais exigentes e, ao mesmo tempo, fanáticos pelo que passam em suas mãos”, diz Forlani.

Ted Sarandos, diretor de conteúdo da Netflix, afirmou à Reuters que ainda negocia para manter Marvel e Star Wars no catálogo

Em relação ao rompimento da Disney, Forlani observa que a notícia pode ter pego alguns consumidores finais de surpresa, mas é um movimento natural que o mercado já previa. “Como produtora de conteúdo original de altíssimo nível e rentabilidade, era realmente uma questão de tempo. O ponto agora é se a nova plataforma de streaming vai servir como ‘janela de exibição’ e vai conseguir se manter de pé. Já temos assinaturas de Netflix, Amazon Prime e HBO Go disponíveis. Nossos bolsos vão aguentar esta nova opção?”, diz Forlani.

João Paulo Rego, professor especialista em marketing digital da FGV Rio, explica que Netflix tem se focado cada vez mais em produções próprias, principalmente com séries e que possuem roteiro original, porém resolveu seguir os passos do sucesso de grandes estúdios como Warner Bros e Disney que respectivamente adquiriram DC Comics e Marvel. “A Netflix nunca ficou parada com o movimento de mercado, fez diversos experimentos com o licenciamento de propriedades terceiras como as da Marvel com bons resultados em seu canal digital. Porém há de ressaltar que o licenciamento de conteúdo pode ter cláusulas leoninas não só condicionantes para uso de seus conteúdos, mais em alguns casos até interferência na liberdade artística da produção”, diz Rego.

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