As iniciativas brasileiras de blockchain no audiovisual

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As iniciativas brasileiras de blockchain no audiovisual

Projetos prometem dinamizar o pagamento de fornecedores e a distribuição de conteúdo na indústria

Karina Balan Julio
29 de maio de 2019 - 9h00

Foto: Pexels

Transparência, agilidade e segurança são alguns dos benefícios que as redes de blockchain prometem trazer para diversos setores. Embora estas soluções tenham se mostrado latentes em setores como finanças e logística, áreas criativas também podem se beneficiar de redes de verificação distribuídas e da criptografia que caracterizam a tecnologia. Na área audiovisual, por exemplo, já existem no Brasil algumas iniciativas em desenvolvimento, voltadas para a cadeia de produção e distribuição de obras audiovisuais.

Em âmbito público, a Ancine tem testado, junto ao BNDES e à distribuidora Elo Company, um sistema de blockchain para o repasse de verbas incentivadas para projetos audiovisuais. A iniciativa, anunciada no ano passado, propõe uma interface de blockchain para o registro de transações financeiras e repasse de verbas entre fornecedores da cadeia audiovisual.

O projeo propõe que, a longo prazo, a verba de um projeto financiado com o Fundo Setorial Audiovisual (FSA), por exemplo, possa ser distribuída em “tokens”, ou ativos digitais, às carteiras digitais de fornecedores cadastrados no sistema – como produtoras, agências, entre outros agentes. A ideia é que, depois de verificadas as condições dos contratos digitais em blockchain, os players possam trocar os tokens por dinheiro fiduciário junto ao Banco Central.

A vantagem, em transações como esta, seria o registro das transações de forma cronológica e digitalmente incorruptível, por conta da criptografia. “A ideia é que a prestação de contas aconteça de forma automática porque o sistema já conterá as regras de acompanhamento e identificará, na hora do repasse, se o CNPJ de um fornecedor está correto, se existe alguma pendência no Cadastro Informativo Municipal (Cadin) e se a nota fiscal está adequada àquele serviço, por exemplo”, explica Daniel Tonacci, especialista em regulação da Ancine. No mês passado, ele apresentou a iniciativa para representantes do mercado audiovisual durante o evento Rio2C, no Rio de Janeiro.

Daniel definiu o sistema, metaforicamente, como uma espécie de Waze – onde é possível mapear, em tempo real, para quais empresas e fornecedores o dinheiro está indo, com qual velocidade, para quais obras e estados está sendo distribuído. Como todas as transações ficam registradas em rede, a ideia é que estes dados tragam insights para a formulação de novas políticas públicas.

Também no ano passado, a Ancine e o BNDES lançaram uma consulta pública para buscar parceiros, startups e entidades de mercado interessadas no sistema, que está sendo desenvolvido em um modelo open-source. O projeto piloto está sendo conduzido com operações fictícias, mas em breve deve ser implementado em cases reais.

Nem todas as etapas de um projeto podem ser acompanhadas em blockchain, porém. “Imagine que estou filmando no meio da Amazônia e preciso pegar um barquinho no meio da gravação para chegar a uma locação. Esta operação e outros imprevistos provavelmente não podem integrar um sistema digital como este”, disse Sabrina Nudeliman, CEO da distribuidora Elo Company, em entrevista ao Meio & Mensagem.

“Troco likes por tokens”
Na frente de distribuição ao espectador final, a Elo também fechou recentemente uma parceria com a startup indiana Miners Inc. para distribuição de filmes em sua plataforma VOD, estruturada em blockchain. Criado para contornar problemas como a pirataria e os altos custos para distribuição de obras em salas de cinema, o sistema funciona como uma rede social. “Os usuários ganham tokens conforme indicam obras, compartilham e interagem com o conteúdo, e também podem se tornar revendedores certificados dos títulos”, conta Sabrina. Usuários podem então trocar seus tokens por prêmios e incentivos.

Através da ferramenta, a Elo tem disponibilizado alguns de seus títulos para o mercado indiano. “Há a possibilidade de expansão internacional para conteúdos que normalmente não chegariam aos cinemas de outros países”, acrescenta a CEO.

Outra startup brasileira dedicada à distribuição de conteúdo em blockchain é a Paratii, que nasceu incubada pela Bossa Nova Films e hoje atua de forma independente, com colaboração de profissionais do Brasil e Europa. A empresa oferece um player de vídeo independente de servidores como Google e Facebook, onde os “bits” de conteúdo assistido são remunerados com créditos.

O modelo garante que as visualizações sejam criptografadas e verificadas em rede, o que impede tráfego fraudulento advindo de bots, por exemplo.

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