Facebook responde a boicote e promete combater o ódio

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Facebook responde a boicote e promete combater o ódio

Companhia envolverá auditoria terceirizada no processo de análise de conteúdo; quase 40 marcas já aderiram ao boicote

Bárbara Sacchitiello
30 de junho de 2020 - 6h00

(Crédito: Ghia Nguyen/Unsplash)

No centro de uma crise em que diversos grandes anunciantes promete interromper o investimento em publicidade em suas plataformas, o Facebook veio a público para dizer que vem evoluindo no combate aos discursos de ódio.

“Investimos bilhões de dólares todos os anos para manter nossa comunidade segura e trabalhamos continuamente com especialistas da sociedade civil para revisar e atualizar nossas políticas. Nos abrimos para uma auditoria de direitos civis e banimos 250 organizações supremacistas brancas do Facebook e Instagram”, disse a rede social, em comunicado enviado à imprensa, após a onda do boicote às redes sociais ganhar cada vez mais volume.

Para mostrar o comprometimento no combate aos discursos de ódio e à desinformação – razões que motivaram os anunciantes a tirar a plataforma de seus planos de mídia – o Facebook usou seu blog oficial para destacar, inclusive, que vem aprimorando os trabalhos em torno da filtragem a conteúdos nocivos. Em um post assinado pelo vice presidente de integridade da companhia, Guy Rosen, a rede social declara que é signatária do código de conduta da Comissão Europeia criada para combater o discurso de ódio online ilegal. O Facebook relata que a quinta edição do relatório publicado pela Comissão, publicado há alguns dias para avaliar o desempenho das empresas, sinalizou uma evolução.

“Segundo este relatório independente, o Facebook revisou 95,7% e o Instagram avaliou 91,8% das denúncias de conteúdos com discurso de ódio em menos de 24 horas, em comparação com 81,5% no YouTube e 76,6% no Twitter. A Comissão Européia também afirma que ‘apenas o Facebook informa os usuários sistematicamente; todas as outras plataformas precisam fazer melhorias”. Embora reconheçamos que temos mais a fazer, esses resultados sugerem que estamos caminhando na direção certa e que temos sistemas implementados que continuam a liderar nossa indústria”, declarou Rosen, no post oficial.

Nessa segunda-feira, 29, o Facebook anunciou novas medidas que seriam tomadas para atender às demandas das marcas e das entidades dos direitos civis que exigem posicionamentos mais severos em relação à postagem de conteúdos nocivos. A rede social anunciou que passará por uma auditoria externa para a moderação de seus sistemas de revisão de conteúdo.

“Estamos alcançando nossos stakeholders, abrangendo autoridades governamentais, a sociedade civil e a indústria de publicidade, conforme o planejado. Essa auditoria terceirizada será feita por uma empresa de reputação e incluirá a incidência de violação de conteúdo”, declarou o Facebook.

Organizações acham medidas insuficientes
As organizações e entidades dos Estados Unidos ligadas aos direitos civis, no entanto, acham que essa medida não atende às diferentes questões levantadas pelos grupos, que ajudaram a fomentar o protesto Stop Hate for Profit.
Jonathan Greenblatt, CEO da Liga Anti-Difamação, declarou que, além da auditoria de terceiros, as entidades também pedem que a rede social tenha mais moderação humana na filtragem do conteúdo e mais garantia para as marcas de que seus anúncios não aparecerão atrelados a conteúdos ofensivos. “Isso só mostra que o Facebook ainda não está disposto a fazer mudanças significativas. Eles responderam essencialmente ‘não’ a todos os 10 próximos passos recomendados”, disse Greenblatt.

Boicote cresce
Enquanto o Facebook tenta lidar com a crise e mostrar à sociedade que se preocupa com a publicação de conteúdos ofensivos em suas plataformas, o boicote à empresa continua crescendo – e atinge até outras redes sociais. Após a adesão de gigantes como Unilever e Coca-Cola, o boicote global cresce agregando mais marcas, que prometem deixar de investir em publicidade em redes como Facebook e Instagram e também no Twitter enquanto essas empresas não provarem o comprometimento no combate à discursos ofensivos e falsos.

O Advertising Age está monitorando as empresas que anunciaram que irão interromper a publicidade no Facebook. Algumas prometem deixar de veicular publicidade ao longo do mês de julho, como propõe o movimento Stop Hate For Profit. Já outras, como Unilever e Diageo, decidiram estender a medida até o final de 2020, contemplando todas as grandes plataformas sociais.

Por enquanto, já são quase 40 os anunciantes que aderiram ao movimento: Pfizer, Vans, Madewell, Best Buy, Puma, Kellogg Co., HP, Conagra Brands, Adidas, Ford, Clorox, Truth Initiative, Edgewell Personal Care, Denny’s, Beam Suntory, Starbucks, Diageo, Levi’s, Coca Cola Co., Hershey’s Co., Honda, Unilever, JanSport, Flickr, Birchbox, Lending Club, Viber, Verizon, Elleen Fisher, Magnolia Pictures, Arc’teryx, Ben & Jerry’s, Eddie Bauer, Dashlane, Patagonia, Upwork, REI e The North Face.

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