Covid-19 inspira documentário brasileiro da Endemol

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Covid-19 inspira documentário brasileiro da Endemol

Longa já foi captado e reúne depoimentos de 21 pessoas, de nove diferentes países, a respeito das transformações trazidas pela emergência de saúde

Bárbara Sacchitiello
2 de julho de 2020 - 10h16

(Crédito: iStock)

De que forma a pandemia da Covid-19 irá impactar as relações de trabalho, sociais e pessoais da população nos próximos meses e anos? Esse questionamento inspirou a equipe da Endemol Shine Brasil a idealizar e produzir o primeiro documentário original do escritório nacional da produtora.

O longa O Que Você Vai Fazer Amanhã? é uma espécie de experimento social que mostrará as impressões e transformações no cotidiano de 21 pessoas, residentes em nove países (Brasil, Portugal, Itália, África do Sul, Israel, Índia, França, Estados Unidos e Rússia). O documentário irá retratar os efeitos físicos, emocionais e sociais da Covid-19 e das novas regras de distanciamento social em suas vidas.

Além dos depoimentos dessas pessoas, o documentário, que foi idealizado e dirigido por Cassia Dian, também trará reflexões de jornalistas, filósofos e profissionais de saúde. Entre eles, estão os brasileiros Mário Sérgio Cortella, Amyr Klink e Pedro Bial.

Renato Martinez, head of content sales da Endemol, fala a respeito da entrada da Endemol Shine – responsável por formatos de sucesso na TV como Big Brother Brasil e Masterchef – na esfera de documentários. Confira a entrevista:

 

Renato Martinez, head of content sales da Endemol Shine Brasil (Crédito: Divulgação)

M&M: Como foi o processo de criação do projeto do documentário? A ideia foi do escritório brasileiro?
Renato Martinez: A Cassia Dian, que assina a direção do documentário, trouxe a ideia do documentário e ao lado do Eduardo Gaspar, que lidera o nosso time de criação, a Endemol Shine Brasil abraçou o projeto, realizando todo o desenvolvimento, conceito, estrutura e todos os detalhes do “O que você vai fazer amanhã?”.

M&M: Como foram selecionadas as pessoas que aparecem no documentário? Quais critérios a produtora usou?
Renato: Essa é a primeira vez em 100 anos que o mundo todo está passando pela mesma situação de pandemia que nos requer um isolamento social. É um ponto comum para qualquer crença, etnia, idade…. A Cássia e o Eduardo entenderam que o conceito do projeto era trazer os mais variados perfis de pessoas para contar as percepções de cada um neste momento. Este é o insight do projeto: entender por vários olhares uma mesma situação. Saímos na busca de personagens que trouxessem essa pluralidade de representação e especialistas que faziam sentido para a estrutura psicológica e científica. Temos histórias não apenas no Brasil, mas também na Índia, na África do Sul, nos quatro cantos do mundo. Todos, não importa o perfil, estamos sendo impactados pela pandemia global

M&M: Este é o primeiro documentário feito pela Endemol no Brasil. A produtora já tinha pretensões de investir nesse gênero ou a pandemia acabou acelerando esse processo?
Renato: Este é o primeiro documentário que lançamos no mercado que já está produzido e captado. A Endemol Shine Brasil tem outros projetos deste gênero que estão em desenvolvimento, sob análise com possíveis parceiros. Um exemplo é o documentário do Sequestro do Voo 375, que relata o episódio que um homem revoltado com o Governo de José Sarney sequestrou um avião e pretendia jogá-lo sob algum prédio público de Brasília.

M&M: Qual a previsão de lançamento do documentário?
Renato: O Que Você Vai Fazer Amanhã? já está 100% captado, com todas as entrevistas já realizadas. Nesse momento, estamos buscando um parceiro que realize uma pré-compra do projeto para entrarmos em processo de pós-produção e finalização. O documentário será lançado assim que fecharmos o parceiro ideal de distribuição. Na Endemol Shine Brasil entendemos que um conteúdo como este documentário pode ser interessante para os clientes do setor de emissoras/plataformas, e também para a oportunidades de brand-funded projects.Temos um mercado amplo e promissor para trabalhar a distribuição ideal do conteúdo.

M&M: O longa também será lançado em outros países onde a Endemol possui escritório?
Renato: Nossa ideia, quando criamos o projeto, é que além do sucesso local, o conteúdo seja também distribuído globalmente entre os mais de 120 territórios onde a Endemol Shine Group tem presença. Assim que tivermos o documentário finalizado, o projeto será disponibilizado no catálogo da Endemol Shine International para que os times de vendas internacionais iniciem o processo de venda em outros países.

M&M: Como têm sido as experiências de gravações remotas e caseiras? Acredita que esse padrão ganhará mais espaço no audiovisual?
Renato: De acordo com a Cassia (diretora) fazer uma captação e direção remota foi um desafio, já que quando estamos presencialmente com os entrevistados a abordagem fica mais íntima e próxima. Foi um longo processo, com várias entrevistas, até que conseguíssemos que eles se sentissem verdadeiramente ouvidos, querendo se abrir mais sobre os sentimentos e angústias. Acredito que a pandemia está fazendo com que todos os segmentos de mercado se adaptem a uma nova realidade, e sem dúvida ganhou espaço no audiovisual. Muitas dessas adaptações serão irreversíveis, sejam pelo ponto de vista de prático ou financeiro. No caso do audiovisual, tivemos essas adaptações, mas vale ressaltar que esses ajustes só são possíveis em determinados de programas, pois há gêneros que requerem grande infraestrutura, tal qual a linha de shows, realities, dramaturgia e eventos esportivos. De toda forma, existe também um espaço no audiovisual, como este documentário ou no jornalismo, em que o espectador já está se acostumando com essas adaptações, e já não enxerga com estranheza quando uma entrevista é realizada através de uma vídeo conferência. Estamos passando por um processo onde o mais importante é o conteúdo, e não a plataforma ou maneira que ele é captado.

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