Facebook indica tendências para 2021

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Facebook indica tendências para 2021

Plataforma prevê aceleração do conversational commerce, consumo de vídeos, anúncios interativos e melhor uso de ferramentas digitais no trabalho

Thaís Monteiro
10 de dezembro de 2020 - 8h26

Com base nos insights obtidos durante o ano, com a forçada mudança de comportamento entre os consumidores e marcas, o Facebook realizou uma apresentação à imprensa da América Latina nesta quarta-feira, 9, com algumas indicações de estratégias que foram aceleradas este ano, mas que devem continuar a pautar e ganhar força em 2021.  A coletiva foi realizada horas antes da divulgação, nos Estados Unidos, da notícia de que a Comissão Federal de Comércio (FTC) do país considerou a prática de ‘monopólio ilegal’ da empresa de tecnologia, alegando a adoção de práticas ilegais na aquisição do Instagram e do WhatsApp.

 

(Crédito: Kon Karampelas/Unsplash)

Maren Lau, VP Latam do Facebook, apresentou o evento destacando a aceleração da digitalização de diversos negócios pelo mundo e a adesão de consumidores que nunca haviam feito transações online. A executiva também pontuou que o Facebook criou ferramentas para facilitar essas operações e auxiliar pequenas e médias empresas que, segundo ela, são a estrutura da economia. Isso acarretará em um 2021 em que as marcas estão com uma estratégia digital mais avançada e consumidores mais acostumados com o processo e facilidade da compra online. Ainda assim, conforme pesquisas conduzidas pela plataforma, há espaço para melhora na simplicidade e detalhamento melhor dos produtos e serviços.

Lau também indicou o aumento do consumo e uso de vídeo para aproximação entre pessoas e humanização de altos cargos, além do crescente aumento da importância essencial da diversidade e inclusão. “Eu acredito que empresas que não têm diversidade como seu valor e estratégia, vão ter mais dificuldade em sobreviver em sociedades que foram transformadas”, afirmou.

Social commerce
Talvez a tendência mais forte entre o segmento de negócios é o social commerce e o conversational commerce e live shopping nele inclusos. De acordo com Adriana Peon, industry lead do México, nos últimos anos, a estratégia do comércio online mudou de estudar de que forma as pessoas buscavam produtos online para como fazer com que o produto chegue nelas durante sua jornada na internet.

Dessa mudança, o Facebook criou as abas de descoberta de produtos, propondo aos usuários produtos ou serviços que eles desconheciam e que poderiam querer ou precisar. “A pergunta hoje é como eu crio demanda para então atender ela”, disse. De acordo com a executiva, os diferentes propósitos dos aplicativos da empresa visam tornar o contato com o consumidor de forma mais personalizada, a depender de cada plataforma, e de forma democrática para todos os tipos e tamanhos de negócios. “Temos que ter certeza que as experiências sejam simples e com a possibilidade de todos usarem”, pontua.

Outro investimento das plataformas é possibilitar que as marcas façam curadoria de seus produtos, algo essencial nas lojas físicas e que vem encontrando suas maneiras de migrar para o digital. Segundo a executiva, os dados oriundos da experiência digital dos consumidores também gera insights para as marcas sobre que novos produtos pode passar a oferecer. As redes trabalham para averiguar se os produtos seguem os regulamentos do que é permitido comercializar com inteligência artificial e, eventualmente, olhar humano para alguma necessidade diferente.

No entanto, é o conversational commerce a grande  tendência que deve deslanchar pela facilidade e menor fricção nas relações com o vendedor. “Poucos querem ligar para um call center porque tem muita fricção e estamos caminhando para um futuro sem fricção”, coloca.

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Em termos de anúncios, Theo Rocha, creative shop director, pontuou algumas tendências que podem ditar o futuro da criatividade. Para o executivo, o uso de influenciadores na comunicação das marcas continuará forte e exemplificou isso com a estratégia de Havaianas para divulgar seu novo e-commerce. A marca de sapatos brasileiras ficou tradicionalmente conhecida por suas campanhas em televisão com o uso de celebridades maiores. Em sua campanha para o canal de comércio online, a marca fez uso de microinfluenciadores para ganhar autenticidade e diversidade e fez uso da linguagem Reels, Stories, publicações no feed do Instagram e outras. Adaptando sua mensagem e identidade visual a cada tipo de publicação.

O storytelling mais autêntico também pode ser feito entrando em contato com grupos e comunidades formadas nas plataformas, indicou Rocha. Outra possibilidade que pode ganhar escala nos próximos anos é a construção de campanhas que fazem uso de interatividade, seja para trazer um novo final para um filme de acordo com a escolha do usuário, como em uma campanha sobre preservativos, ou com o uso de mídia impulsionada e orgânica. Ainda de acordo com Rocha, os filtros em realidade virtual estão cada vez mais complexos e promovendo experiências imersivas e o conversational commerce pode se beneficiar das figurinhas, tornando os seus produtos em imagens para compartilhar com o consumidor. O executivo também recomenda às empresas se adaptarem a linguagem utilizada por seu público-alvo.

Esportes
Leonardo Lenz Cesar, diretor LATAM de parcerias esportivas, destacou algumas das conquistas do Facebook na área de conteúdo esportivos. Hoje, a rede social soma 400 milhões de fãs de futebol, grande parte da América Latina. De acordo com o executivo, a função do Facebook é prover apoio aos parceiros incentivando a produção de conteúdo para a plataforma, assim possibilitando a criação de anúncios com uso de ferramentas das próprias redes e realizar a conversão da audiência em oportunidade de negócios, como vender produtos licenciados ou então oferecer conteúdo exclusivo a partir de uma assinatura.

“Nos posicionamos como um enabler dos parceiros para providenciar produtos e serviços para os clientes. É algo que tem crescente importância para nós e nossos parceiros”, explicou Cesar.

Alguns dos parceiros citados pelo executivo incluem ESPN, Globo, Televisa, Desimpedidos, ligas, federações e clubes esportivos. Com Desimpedidos, o Facebook criou séries em vídeo exclusivas. A rede também incentivou clubes a produzirem conteúdo exclusivo para suas páginas; e veículos a publicar os highlights de partidas ocorridas antes da pandemia.

A plataforma também está testando novos formatos de monetização. Em uma delas, denominada Facebook Stars, o usuário comprar tokens — no caso, estrelas –, para doar para publishers. O Facebook ainda experimenta eventos online pagos e conteúdo pago por pay-wall. “Estamos começando a testar e vendo bons resultados”, disse.

O Facebook é dono dos direitos de transmissão da Conmebol Libertadores. Quando os jogos foram interrompidos, em decorrência da Covid-19, o Facebook organizou novas partidas repetindo clássicos da competição. Isso ocorreu também pois as emissoras que têm o material antigo não o cedeu para reprises no Watch, plataforma de streaming do Facebook.

Dados da plataforma indicam que mais de um bilhão de usuários acessam o Facebook Watch todo mês. Desde 2016, a plataforma teve 10 bilhões de lives. As lives, ambas no Facebook e no Instagram, têm cerca de 800 milhões de usuários assistindo.

Além da Libertadores, a rede transmite a UEFA Champions League para a América Latina. O campeonato cresceu 170% em audiência entre a final de 2020 comparada com a de 2019 e obteve um pico de 7,25 milhões de espectadores simultâneos.

A plataforma também está transmitindo o Campeonato Paulista de Futebol Feminino, outra aposta do Facebook para ampliar diversidade e inclusão, mas não comenta sobre renovações dos acordos de transmissões.

Worlplace
O Facebook acredita que o modelo de trabalho vai caminhar para um formato híbrido entre físico e digital e que as empresas de tecnologia tendem a permanecer no modelo remoto. O próprio Facebook traçou um plano para ter 50% de sua força de trabalho no modelo remoto nos próximos cinco a dez anos.

Adriano Marcandali, head de workplace do Facebook Latam, indica alguns dos benefícios coletados em pesquisas conduzidas pela empresa. Segundo o executivo, as empresas notaram que não precisam executar tantas viagens para reuniões e que ferramentas de trabalho colaborativo devem crescer, assim como o uso de videochamada para aproximar os colaboradores e conduzir um trabalho com propósito coletivo.

“Senso de proposito é essencial. Isso ajuda no engajamento dos funcionários. O vídeo diminui o gap entre o CEO e o trabalhadores da linha de frente. Estamos vendo os CEO tentando se tornar mais humanizados”, conta Marcandali.

Algumas aplicações práticas que o Facebook notou são a realização de lives com toda a empresa para apresentar novidades e sistemas de bot para monitoramento da saúde e bem-estar do funcionário monitorados pelo time de Recursos Humanos. “Vamos precisar mais de mentores, coaches, criar um espaço para que os colaboradores possam ser ouvidos”, alerta o executivo.

**Crédito da imagem no topo: Novendi Dian Prasetya/iStock

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