Público critica e marcas encerram acordo com Flow Podcast

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Público critica e marcas encerram acordo com Flow Podcast

Depois da perda dos patrocínios de Flash, FFERJ, Fatal Model, Insider Store e Philip Mead, o Estúdios Flow comunica o desligamento do apresentador Monark

Bárbara Sacchitiello
8 de fevereiro de 2022 - 12h24

Episódio 545 do Flow Podcast contou com os deputados Kim Kataguiri e Tabata Amaral como convidados (Crédito: Reprodução/YouTube)

Atualizada às 18h52

Na manhã desta terça-feira, 8, os termos Flow, Monark e nazismo figuraram entre os mais comentados no Twitter. O motivo foi o episódio #545 do Flow Podcast, transmitido na noite de segunda-feira, 7.  Bruno Aiub, conhecido como Monark e apresentador do Flow Podcast, junto de Igor, recebeu como convidados os deputados Tabata Amaral e Kim Kataguiri. Durante a conversa, Monark disse aos convidados que achava que o Brasil tinha que ter um partido nazista reconhecido pela lei.

Ao longo do dia, as marcas patrocinadoras do programa começaram a se manifestar anunciando o rompimento da parceria com o Estúdios Flow, a empresa responsável pelo podcast. Já outras, que haviam feito ações publicitárias no ano passado, deixaram claro que não têm qualquer vínculo com o Flow Podcast.

Diante da repercussão do caso, o Estúdios Flow comunicou, na tarde desta terça-feira, 8, que o episódio #545 foi tirado do ar e que Monark está desligado da empresa. Veja o comunicado abaixo:

A manifestação das marcas aconteceu depois de várias pessoas criticarem nas redes sociais e cobrarem alguma atitude dos patrocinadores diante da fala do podcaster.

No mídia kit publicado no site oficial do Flow, o podcast diz que, nos últimos 30 dias, teve 20 milhões de streamings (acessos nas plataformas de áudio digital) e contabilizou uma audiência de 1,3 milhão de pessoas. No YouTube, o canal do Flow, que exibe as entrevistas ao vivo, conta com mais de 3,6 milhões de inscritos e mais de 15,3 milhões de visualizações.

Com essa grande audiência, o podcast já veiculou ações e teve o apoio de várias marcas. No próprio mídia kit, os responsáveis pelo Flow listam algumas empresas como patrocinadoras do programa. Entre elas, estão: iFood, Flash, LTW Consultoria, WiseUp, BIS, Insider, Blaze, Rio Shore, Ragazzo, Finclass, Amazon Music, Amazon Prime Video, Puma, Yuool, Fatal Model e Philip Mead. Algumas dessas empresas, entretanto, deixaram claro que fizeram patrocínios pontuais e que já pediram a retirada de seus logos do mídia kit.

Esse é o caso da Puma, que já se manifestou a respeito do assunto. No Twitter, a empresa de artigos esportivos diz que não é patrocinadora do Flow Podcast e que, no passado, fez uma ação pontual e isolada no programa. “Já havíamos pedido para nosso logo ser retirado como patrocinadores e reforçamos isso novamente.”, escreveu a Puma. Veja:

A Mondelez, detentora da marca BIS, também declara que “patrocinou apenas dois episódios do Flow Podcast, veiculados em 2021 e que não tem contrato com o canal, já tendo, inclusive, sido retirado seu nome do pool de patrocinadores, colocamos erroneamente.”

“Reafirmamos nosso compromisso com a liberdade e o respeito entre as comunidades e os consumidores e não compactuamos com qualquer tipo de discriminação”, declarou a Mondelez.

No início da tarde, o iFood também falou sobre o assunto. Em um post, a marca disse que não mantém mais relação comercial com o Flow e que a decisão de encerrar o patrocínio com o podcast foi tomada, de forma definitiva, em novembro de 2021.

Na época, outra fala de Monark também gerou críticas nas redes sociais e cobrança de uma postura das marcas patrocinadores. O apresentador, na ocasião, questionou se era crime ter uma opinião racista. Na sequência, o iFood declarou que havia encerrado o patrocínio com o programa. Ainda assim, o Flow mantinha o nome da marca na apresentação de seus patrocinadores.

Assim como iFood, Puma e Bis, a marca Ragazzo, do Grupo Habib’s, que é citada no mídia kit do podcast, também usou as redes sociais para esclarecer que não patrocinava o programa. “Esclarecemos que o Ragazzo realizou no passado ações pontuais com o canal e que atualmente não tem nenhum vínculo com o podcast e seus apresentadores.” Veja o post:

Outra empresa a anunciar o rompimento com o Flow Podcast é a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ). Em um post no Twitter, a Federação diz que “é contrária a qualquer tipo de preconceito e anuncia o rompimento do contrato com o Estúdios Flow, responsável pelo podcast Flow Esporte Clube, que transmitia os jogos do Campeonato Carioca. Veja:

A Flash Benefícios foi mais uma marca a encerrar o contrato com os estúdios. A empresa divulgou uma nota de repúdio na qual cita que o apresentador fez “comentários inadmissíveis”, dos quais a marca discorda de forma veemente. “Diante disso, solicitamos o encerramento formal e imediato de nossa relação contratual com os Estúdios Flow.”

A nota ainda diz que a “Flash Benefícios acredita em uma sociedade igualitária, sem qualquer tipo de discriminação. Não há sociedade livre quando há intolerância ou busca de legitimação de discursos odiosos, nazistas e racistas, tecidos a partir de uma suposta liberdade de expressão. Reforçamos que todo e qualquer tipo de opinião jamais pode ferir, ignorar ou questionar a existência de alguém ou de um grupo da sociedade. Acreditamos que liberdade de expressão, diálogo, pluralidade, e até mesmo a individualidade, só existem em uma sociedade onde há respeito mútuo. Qualquer atitude que fere e subjuga a existência de qualquer ser humano é crime e deve ser encarada como tal.”

A repercussão da fala de Monark foi tão negativa a ponto de fazer com que até marcas que não tenham qualquer associação com o programa se posicionassem nas redes sociais para afastar qualquer possível associação. É o caso da Mastercard que, embora não patrocinasse o Flow Podcast, tinha sua marca exibida no cartão da Flash Benefícios, que patrocinava a atração. No Twitter, a Mastercard deixou claro que não apoia e nem tolera as declarações feitas no programa.

No Instagram, a Insider Store, uma das patrocinadores do Flow Podcast, também comunicou o rompimento com o projeto. Em um vídeo, o cofundador da empresa, Yuri Gricheno disse que está suspendendo o patrocínio ao programa e exigindo a saída de Monark do podcast.

A Fatal Model, empresa também citada entre os patrocinadores do podcast, emitiu um comunicado à imprensa no qual diz que pediu o cancelamento imediato do apoio ao projeto. “O Fatal Model, maior site de anúncios de acompanhantes do Brasil, também é sinônimo de respeito, profissionalismo e empoderamento. Assim, como sempre em toda nossa caminhada, repudiamos e sempre repudiaremos qualquer forma de discriminação, preconceito e violência. Após o episódio #545, solicitamos a imediata suspensão do patrocínio do Fatal Model ao Flow Podcast.

Outra patrocinadora do programa, a marca Philip Mead, fabricante de Hidromel, também se manifestou para dizer que está suspendendo toda ação comercial prevista para o Flow Podcast. Em nota, a marca diz: “Somos radicalmente contra qualquer tipo de apoio ao regime nazista, mesmo que de forma indireta, ou à existência de qualquer tipo de organização, partidária ou não, que seja favorável a este que foi um dos regimes mais terríveis e tenebrosos que assolou a humanidade. Por isso, assistimos com perplexidade às falas proferidas no programa da última segunda-feira (7) e as repudiamos. Tememos que falas como as que ocorreram naquela ocasião possam engrandecer grupos extremistas que, há muito, deveriam ter sido extintos. Não há espaço na sociedade para a propagação do ódio, da intolerância e da violência”, declarou a empresa.

Citada no mídia kit como uma das patrocinadoras do Flow, a WiseUp também emitiu comunicado para afirmar que não mantém vínculos comerciais com o programa desde 2020. “A companhia repudia veementemente qualquer apologia ao nazismo e solicitou a retirada do seu logo do site do programa, que consta de forma indevida na lista de patrocinadores”, declarou a rede de idiomas.

Resposta do apresentador
Em um vídeo postado em seu perfil no Instagram nesta terça-feira, 8, Monark comentou o acontecido. O podcaster inicia o vídeo pedindo desculpas e dizendo que errou. “Estava muito bêbado e fui defender uma ideia que acontece em outros lugares do mundo, como os Estados Unidos. Mas fui defender essa ideia de um jeito muito burro. Estava bêbado e falei de uma forma muito insensível com a comunidade judaica.”, diz.  Veja o vídeo:

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