Sobre o futuro do trabalho

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Sobre o futuro do trabalho

Será necessário entender sobre machine learning, controle de informações, segurança virtual e outros desafios que anteriormente não faziam parte do ambiente corporativo


20 de maio de 2019 - 15h24

 

(Crédito: Startup_StockPhotos/Pixabay)

O tempo passa e acompanhamos a transformação da sociedade em diferentes frentes. Que a mudança está sempre a caminho todo mundo já sabe. A pergunta que fica é: como o novo vai impactar nossas vidas? Em que medida teremos que abandonar nossas zonas de conforto?

Com relação ao tema futuro do trabalho as perguntas não são muito diferentes e as mais variadas respostas (ou previsões) têm sido colocadas para debate. Independentemente do ponto de vista, a conversa sempre passa pelo possível impacto da inteligência artificial nos nossos futuros empregos. Será necessário entender as novas formas de trabalho, machine learning, controle de informações, segurança no ambiente virtual, entre outros desafios que anteriormente não faziam parte do ambiente corporativo. Mas voltemos à pergunta mais simples, presente nos artigos de grandes gurus e em discussões de mesas de bar: teremos nossas funções “roubadas” pelos robôs? Sim e não. Algumas profissões deixarão de existir e outras novas irão surgir. Simples assim.

O economista Daniel Susskind, autor de O Futuro das Profissões, desvenda alguns mitos sobre o tema. Ele propõe um interessante paralelo entre a economia e uma grande torta de maçã, sendo a tecnologia uma forma de fazer essa torta crescer. Os ingredientes da torta não serão necessariamente os mesmos, exemplifica o autor: 300 anos atrás trabalhávamos em fazendas, há 150 anos em fábricas e hoje em escritórios. Mas não há dúvida: os avanços tecnológicos vêm para somar e complementar os recursos humanos, tornando o trabalho mais produtivo e estratégico.

A ficção científica sempre foi, entretanto, mais fascinante do que a realidade. Concordo que a discussão sobre os robôs parece muito mais interessante, mas eu, pessoalmente, estou do lado daqueles que veem a crise mais preocupante no futuro do trabalho relacionada a pessoas, e não à tecnologia. Com a decrescente taxa de natalidade e o envelhecimento da população, em cerca de dez anos as maiores economias do mundo enfrentarão uma crise, e o déficit de profissionais mais qualificados será ainda maior.

A complexidade aumenta um pouco quando fazemos o exercício de projetar as expectativas da geração Z, que irá dominar esse mercado em 2030. A busca por aspectos culturais e emocionais será cada vez mais e mais importante. A velocidade de aprendizagem e a capacidade de lidar com transformações dessa geração supera qualquer outra. Para as demais fica o desafio: o quão afiada está sua autopercepção? Se conhecer, saber avaliar suas capacidades atuais é o primeiro passo. Se você não reconhece que tem algo a desenvolver, fica praticamente impossível evoluir. O mesmo vale para as organizações.

A Ph.D e psicanalista Carol Dweck traz uma leitura deste tema que, para mim, faz todo o sentido quando pensamos no futuro do trabalho. Por meio de estudos, comprova a diferença entre as empresas de mindset fixo versus as empresas de mindset de crescimento. No primeiro caso, o que mais vale é provar que as características que levaram a empresa ao sucesso continuam valendo e a luta é para não se sentir deficiente em relação a essas qualidades. No segundo tipo de mindset, o que vale é a capacidade de se modificar ao longo do tempo, a coragem para se expor ao novo e lidar com fracassos (e, sim, eles serão inevitáveis). Obviamente, um tipo de empresa está anos-luz à frente da outra quando pensamos no tema deste artigo e, só para lembrar, cultura organizacional não é algo que se muda da noite para o dia.

Confesso: agora me deu vontade de voltar aos primeiros parágrafos e ficar falando sobre os robôs.

*Crédito da foto no topo: RawPixel/Pexels

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