Meca apresenta novo conceito
Festival cria plataformas de conteúdo e de eventos e marca estreia no exterior
Criado em 2011 na cidade gaúcha de Maquiné, a cerca de 100 quilômetros de Porto Alegre, o Meca Festival começou uma investida tímida ao sair do Sul e chegar a São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O próximo passo do grupo de organizadores formado por Box1824, Grupo8, Todos, MKTG, Flag.cx e Matte é estabelecer um calendário anual de eventos — e colocar um pé no exterior.
Com o patrocínio de Skol, Fila, Jameson, Absolut e Melissa, e parceiros como Spotify e YouTube, o Meca carrega a proposta de ser um festival “boutique”: atrações especiais, mas desconhecidas do grande público, na iminência de estourar nas paradas dentro de poucos anos – como foi o caso de Charli XCX, que participou da edição paulistana do festival no começo de 2014, poucos dias antes de Fancy, parceria com a rapper australiana Iggy Azalea, estourar. Ele se anuncia como a “biggest smallest music plataform” (maior menor plataforma de música). Mas agora o objetivo da marca é trocar o “music” por “lifestyle”.
No dia 5 de dezembro, acontece um evento gratuito no Complexo do Brás, em São Paulo, para divulgar a nova proposta do Meca. A festa, que terá apresentações de Taíde e DJ Hum, Trails and Ways, Lia Paris, Galaxy4 e mais de 20 DJs, tem patrocínio da Fila.
Neste novo conceito, o festival passa a ser uma propriedade sob o guarda-chuva Meca, que agora conta ainda com o MecaGames (evento de esportes radicais, jogos de mesa e videogames), o MecaMarket (série de atividades culturais que une gastronomia, moda, design e arte), e o MecaConference (workshops, cursos, seminários, mostras, exposições e palestras). Os dois primeiros acontecerão em São Paulo, em data a ser definida. Já o MecaConferece será em Minas Gerais entre 16 e 19 de abril de 2016. Por sua vez, o Meca Festival acontece no dia 2 do mesmo mês, em Porto Alegre. Desde 2010, já foram investidos mais de R$ 3 milhões na criação e desenvolvimento da plataforma. A previsão de faturamento para o ano que vem é de R$ 12 milhões.
Na frente de expansão internacional, está programada para julho um MecaSpecial em Nova York durante o festival Full Moon, produzido pela sócia Matte. Também haverá um MecaPresents durante o SXSW, em Austin. Na América Latina, Ponta Del Este receberá o MecaNew Year.
Além dos eventos, a investida do Meca para ser uma plataforma de lifestyle inclui a produção de conteúdo. Está previsto o lançamento do MecaTV, canal do YouTube; do MecaRadio, parceria com o Spotify; do MecaPaper, revista quadrimestral impressa e gratuita sobre comportamento com entrevistas e editoriais fotográficos; e do MecaWebsite, portal sobre música, arte, design, cinema, gastronomia e tecnologia. Também está sendo desenvolvido o MecaTrends, em parceria com a Box1824, uma pesquisa de comportamento que pretende alimentar um banco de dados sobre movimentos culturais e comportamentais que será publicado no MecaPaper.
Segundo Rodrigo Santanna, um dos sócios do Meca, em um cenário de mudanças, desbravar o território de produção de conteúdo se torna essencial para conseguir firmar a imagem que o Meca quer para si. “As marcas e os projetos estão cada vez mais desenvolvendo audiência proprietária”, justifica. Essas iniciativas não têm a pressão de gerar receita. “Nós temos patrocínios, uma série de receitas geradas por outros projetos. Com o conteúdo temos uma visão de longo prazo. Obviamente, há um viés de negócio, mas, primeiramente, é importante para construção de audiência e estabelecimento da marca”, afirma.
O plano de negócios até 2020 prevê ainda o MecaCafé, um espaço para pessoas se encontrarem, com curadoria de música e livros; o MecaComplex Members Club, inspirado no londrino Soho House & Co; o MecaStore, que começará online para depois migrar para o mundo físico; e o MecaSchool, escola para negócios criativos e entretenimento. “Nós queremos crescer na soma de pequenas experiências, que sejam incríveis, especiais e controladas, para continuar nos consolidando como uma marca de referência”, conta.
A crise econômica, obviamente, parece ser a última preocupação dos sócios do festival. Santanna, inclusive, afirma que eles a enxergam como uma oportunidade. “Nós temos um pensamento muito diferente e moderno sobre como gerir negócios e empreendimentos e usar a crise para crescer. A flexibilidade que nós temos na forma de trabalho, a capilaridade e a forma orgânica de ter vários eventos e vários sócios espalhados pelo mundo nos dá uma vantagem competitiva”, ele explica. “Somos mais ágeis, mais criativos e mais leves. Temos os investidores internacionais que nos ajudam em momentos de crise e também várias empresas por trás do Meca que estão preparados para investir a longo prazo”.
Sobre os nortes que guiam o projeto maior do Meca, Santanna explica que eles são dois: o racional, “biggest smallest lifestyle plataform”, e um emocional. “’Celebrating love through music’. “Nós somos apaixonados por música, já viajávamos o mundo para participar de festivais. A ideia do Meca era trazer pra cá um pouco dessa experiência”, ele conta.
