Mídia

O que está por trás das demissões das techs?

Cortes da Amazon e do Pinterest são atribuídos à inteligência artificial, mas lay-offs acontecem desde 2022

i 2 de fevereiro de 2026 - 6h03

O primeiro mês do ano fechou com um balanço que pode dar uma ideia do que deve acontecer com as demissões nas empresas de tecnologia (sejam big techs ou não) ao longo deste ano: aconteceram 51 lay-offs em techs nos EUA, com impacto sobre 25,3 mil pessoas (845 por dia).

Para ficar entre duas empresas conhecidas, a Amazon confirmou o corte de 16 mil empregos, que se somam às 14 mil demissões em outubro do ano passado, ou seja, serão 30 mil cortes no total.

A segunda empresa é o Pinterest, cuja redução será de até 15% do quadro de funcionários. A justifica: realocar recursos para funções e estratégias focadas em inteligência artificial (IA).

Demissões em 2025

Na comparação com o ano passado, entre as techs, foram 783 lay-offs, com quase 246 mil pessoas que perderam o emprego, ou a média de 674 indivíduos por dia.

No recorte pontual, os 16 mil cortes que a Amazon fará nos EUA, Canadá e Costa Rica são atribuídos à decisão de fortalecer a empresa e como parte do plano de eliminar a burocracia interna.

A Amazon tem, aproximadamente, 1,5 milhão de funcionários em todo o mundo, dos quais cerca de 350 mil ocupam cargos corporativos. Mas a empresa não especificou onde as demissões recentes ocorrerão e nem quais países serão afetados, além dos citados.

Amazon e a rodada de demissões

Contudo, desde que o fundador da Amazon, Jeff Bezos, deixou o cargo de CEO há quatro anos, o sucessor, Andy Jassy, ​​tem promovido diversas rodadas de cortes de empregos.

Assim, o CEO mudou a cultura de trabalho e a tornou mais rígida: o presencial de cinco dias por semana é obrigatório, o que faz com que a Amazon seja uma das poucas big techs a exigir isso.

Papel da IA nas demissões

Sobre o papel da inteligência artificial (IA) na eliminação das vagas, isso não está claro.

As ações da Amazon caíram quase 10% depois que sua apresentação sobre IA não entusiasmou os investidores.

Assim, essa queda pode ser justificada pela crescente concorrência do TikTok, Facebook e Instagram (ambos da Meta) pela fatia do mercado de anúncios.

O caso do Pinterest, embora a rede alegue foco em IA, suscita dúvida: “Sem uma clara redução de custos ou caminho concreto para o crescimento da receita impulsionado por IA, esses cortes parecem mais defensivos do que estratégicos”, disse Jeremy Goldman, analista da Emarketer, quando o Pinterest anunciou o corte de 15% das vagas.

Dessa forma, até setembro do ano passado, o Pinterest tinha 5.205 funcionários em tempo integral.

A empresa, ainda, planeja fechar escritórios menores relacionados às suas aquisições.

No Fórum Econômico Mundial, que aconteceu no mês passado, executivos disseram que, embora empregos desaparecessem, novos surgiriam.

Afirmaram, ainda, que a IA seria usada como desculpa por empresas que já planejavam demissões em massa.

Relatório da PwC sobre IA

Sobre o impacto da IA na produtividade, no crescimento e no mercado de trabalho, a Pesquisa Global Hopes and Fears 2025, da PwC, mostra que a influência da IA aumenta e que o otimismo em relação ao seu potencial supera, de longe, a preocupação com seus riscos.

Ainda assim, o estudo, feito com quase 50 mil participantes de 28 setores em 48 grandes economias, revela que o uso diário da tecnologia ainda é limitado e que os líderes têm grande oportunidade de estimular a motivação das equipes e impulsionar a inovação e o crescimento por meio da tecnologia.

No Brasil, mais de 70% dos colaboradores de todos os setores usaram IA nos últimos 12 meses (54% no mundo).

Além dsso, quase 30%, também no País, utilizam ferramentas de IA generativa (GenAI) diariamente no trabalho (14% no mundo).

O USO DE IA
 NOS ÚLTIMOS 12 MESES, COM QUE FREQUÊNCIA USOU, SE É QUE USOU, AS SEGUINTES TECNOLOGIAS NO TRABALHO?
IA generativa Brasil Global
Nunca 29% 45%
Raramente 25% 22%
Semanalmente 19% 18%
Diariamente 26% 14%

Fonte: PwC

O USO DE IA
 NOS ÚLTIMOS 12 MESES, COM QUE FREQUÊNCIA USOU, SE É QUE USOU, AS SEGUINTES TECNOLOGIAS NO TRABALHO?
Agentes de IA Brasil Global
Nunca 41% 57%
Raramente 29% 23%
Semanalmente 18% 13%
Diariamente 10% 6%

Fonte: PwC

De fato, a maioria percebe benefícios: 83% dos brasileiros enxergam melhorias na qualidade do trabalho e 79% na produtividade (no mundo, são 75% e 74%, respectivamente).

Aqueles que utilizam GenAI diariamente, contudo, são os mais entusiasmados.

Assim, nove em cada dez no mundo afirmam não apenas ter observado esses avanços, mas esperam ainda mais vantagens no futuro.

No geral, os profissionais estão duas vezes mais propensos a encarar o impacto da IA mais com curiosidade ou empolgação do que com preocupação ou incerteza.

Lay-offs em 2025

O site Layoffs.fyi, que monitora cortes de pessoal na área de tecnologia, estimou que mais de 123 mil funcionários foram demitidos de 269 empresas no ano passado.

Portanto, segundo esses dados, as demissões no setor de tecnologia diminuíram em 2025.

Para o site offoffs.fyi, que faz acompanhamento similar, cerca de 257 empresas de tecnologia demitiram mais de 122 mil.

O que representa, de fato, queda em relação aos 152.922 funcionários demitidos de 551 empresas em 2024, segundo o site offoffs.fyi.

As techs que anunciaram demissões em ondas com mais de 10 mil trabalhadores incluíram alguns grandes nomes de tecnologia como Intel, Amazon, Tesla, Google, Meta e Microsoft.

Agora mesmo, em janeiro, a Meta comunicou a demissão de 10% de sua unidade reality labs, que tem cerca de 15 mil funcionários.

Durante e pós-pandemia: 2022 a 2024

A partir de 2022, quando o mundo ainda enfrentava o auge da pandemia, as demissões nas techs aumentaram de forma constante.

Por fim, atingiram o pico de 585 empresas no primeiro trimestre de 2023, segundo o lyoffs.fyi, quando já se sinalizava o fim da pandemia.

Desde então, as demissões em tecnologia diminuíram.

Em 2024, de fato, cerca de 542 empresas de tecnologia demitiram 151.484 funcionários, números praticamente idênticos aos de 2025.

Portanto, as motivações de tantas demissões estão atreladas às contratações abundantes a partir do início da pandemia, notadamente pelas techs, com o trabalho remoto.

No ano passado, dessa forma, algumas das empresas que mais demitiram foram:

– HP: 6 mil pessoas

– Amazon: 14 mil vagas

– Paramount Skydance: 1 mil empregos

– Salesforce: 4,3 mil pessoas

– Microsoft: 15 mil funcionários

– Intel: 22 mil trabalhadores

Quando começaram todas as demissões?

Roger Lee, criador do site Layoffs.fyi, disse que as startups começaram a demitir funcionários nos primeiros dias da pandemia, ainda em 2020.

De fato, a pandemia impulsionou a transformação digital.

E criou hábitos: trabalho remoto, compras via e-commerce e consumo de entretenimento e conteúdo informativo.

Assim, em resposta às mudanças de consumo, as techs iniciaram a onda de contratações para atender a essas demandas.

Mas esse crescimento no emprego em tecnologia, contudo, durou até 2021.

Se as demissões começaram em 2022 com as startups, no final daquele ano e início de 2023 se ramificou entre as big techs também.

E continuam, de fato, a vir em ondas conforme as bolhas da internet aparecem e somem.