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A nova disputa não é por atenção, é por arquitetura

Como a inteligência artificial está redefinindo poder, decisão e crescimento na convergência entre mídia, varejo e tecnologia

Alexandra Mendonça

diretora executiva de inovação & digital da CNN Brasil 13 de janeiro de 2026 - 11h34

A nova fase da AI não representa apenas a evolução de modelos. Ela marca uma mudança estrutural na forma como tecnologia, mídia e varejo se conectam e, principalmente, em quem controla a experiência, a decisão e o valor ao longo da jornada.

O que está se consolidando como necessidade é o tal stack completo de inovação, que Sundar Pichai, CEO da Alphabet, trouxe na sua palestra: da infraestrutura física à experiência final do consumidor. Chips proprietários, GPUs de última geração, ganhos exponenciais de performance e redes globais deixaram de ser pano de fundo técnico e passaram a ser ativo estratégico. Essa “infraestrutura invisível” é o que permite que a IA deixe de ser promessa e se torne produto, plataforma e negócio.

Modelos cada vez mais sofisticados, capazes de interpretar contexto, aprender preferências e agir por meio de agentes. A IA deixa de apenas responder e passa a decidir e executar. Esse é o verdadeiro ponto de inflexão.
Essa inteligência ganha escala real quando integrada aos produtos do dia a dia. A busca deixa de ser um exercício de palavras-chave e se transforma em conversa (falei disso no meu artigo anterior, tudo conectado). A descoberta se torna mais visual, contextual e natural. Plataformas antes separadas (busca, vídeo, assistentes, creators) passam a atuar juntas, refletindo como as pessoas realmente decidem.

No varejo, a ruptura é clara: saímos da lógica de “procurar e filtrar” para “descrever, conversar e decidir”. A jornada encurta, a fricção cai e a expectativa do consumidor sobe. Agentes de IA passam a mediar discovery, decisão e compra, enquanto o verdadeiro jogo estratégico passa a ser quem controla dados, relacionamento e confiança.

Do ponto de vista de liderança, esse momento exige visão de longo prazo e coragem para mudar estruturas. As transformações mais profundas são construídas com investimento consistente, aprendizado contínuo e adaptação organizacional. Ao mesmo tempo, a velocidade da IA não tolera burocracia: ela impõe times mais autônomos, decisões mais rápidas e modelos operacionais mais leves.
E no fim, a lição continua simples, meio que mais do mesmo (eu mesmo repito tanto isso como mantra) e mais atual do que nunca: colocar o usuário no centro. Vencerão as empresas que entenderem para onde o consumidor e o usuário está indo, não apenas onde ele esteve.