SXSW

A América Latina é o centro

No SXSW 2026, a latinidade deixa de ser tendência e se torna a linguagem central da cultura global.

Pedro Thompson

Head de Marketing da Uber no Brasil 11 de março de 2026 - 14h15

O SXSW sempre foi um radar do que vem por aí. Mas, em 2026, talvez a pergunta não seja sobre tecnologia.

Quem ocupa hoje o centro da narrativa cultural global?

Nos últimos anos, a América Latina deixou de ser exportadora ocasional de fenômenos para se tornar uma linguagem dominante. Quando Bad Bunny protagoniza o Super Bowl e o cinema brasileiro marca presença constante nas principais premiações internacionais, não estamos falando de tendência. Estamos falando de estrutura.

Existe uma latinidade incontornável.

Incontornável porque não é estética emprestada. Não é trend passageira. Não é trilha sonora para campanha global. É código cultural profundo. Está no humor, na forma direta de falar, na maneira como construímos comunidade, na intensidade com que vivemos a rua e no jeito de transformar improviso em potência criativa.

É identidade que não pede autorização.

O Brasil tem figurado entre as maiores delegações internacionais do SXSW nos últimos anos. Não como espectador, mas como participante ativo das discussões sobre creator economy, tecnologia, música e comportamento. Isso não é coincidência. É reflexo de um ecossistema criativo que amadureceu e ganhou confiança.

Por isso, a pergunta que levo para Austin não é se a América Latina estará presente. É se ela será tratada como tema de painel ou como parte central da história.

Há uma diferença grande entre convidar um painel latino e reconhecer que boa parte da cultura que movimenta a economia criativa hoje nasce no Sul Global.

A latinidade não é tendência passageira. É uma linguagem global. E talvez 2026 seja o ano em que o SXSW precise reconhecer que o centro já mudou de lugar.