A ansiedade da primeira vez
Entre a Festival Anxiety e a síndrome da impostora, um relato sobre a pressão de transformar inspiração em resultado.
Mal voltei do descanso do carnaval, abri o computador para começar a selecionar minha trilha no SXSW. E aí veio aquela cena de filme: a câmera dá um zoom out na tela e você se depara com o que parecem ser infinitas linhas de programação. Meu Deus, é muita coisa. Como vou escolher? Por onde eu começo? SOCORRO!
Primeira vez no SXSW, primeira vez escrevendo para o Meio e Mensagem. São muitas primeiras vezes juntas, e a cabeça fica a mil.
A ansiedade é tanta que nem me apresentei. Oi, me chamo Marcela e eu sou responsável pela área de mídia, dados e growth da Volkswagen. Uma empresa com décadas de história, em uma indústria igualmente milenar e que está se reinventando. Com tudo o que a inteligência artificial tem trazido de novo, a gente queria estar no centro dessa conversa, entender o que está acontecendo de perto, trazer isso para dentro.
Foi daí que veio a decisão: mergulhar de verdade no epicentro onde tudo isso acontece.
Ser escolhida para estar no SXSW é quase um “cheguei lá” no mercado publicitário. Mas a ansiedade que vem junto é surreal. Como eu tiro o melhor de tudo o que esse festival tem para oferecer: as palestras, os fóruns, os jantares, as experiências, a própria cidade? Como eu transformo tudo isso em mudanças aplicáveis?
É uma pressão que se soma à já conhecida Festival Anxiety.
E, gente, isso é muito real.
O SXSW tem mais de mil palestras, fóruns e workshops acontecendo ao mesmo tempo. Você pesquisa, lê descrições, pega indicações, seleciona. Mas como saber se a escolha está certa? E se aquela outra palestra for melhor? Vale mais a pena ir em um painel menor, sobre um assunto que você quer desenvolver, ou é melhor encarar a fila para assistir à lendária Amy Webb?
Existiram 3 janelas de reserva antecipada para as palestras mais concorridas. E eu não consegui Amy Webb em NENHUMA.
Aqui o desespero bateu. Vir ao SXSW e não ver Amy Webb é o mesmo que não vir? Estou perdendo o melhor de Austin?
E não para por aí. As pessoas começam a falar de Esther Perel, Brené Brown, Malcolm Gladwell, Tristan Harris, Scott Galloway… e o pensamento vem: “Meu Deus, eu deveria saber quem são todas essas pessoas? Sou uma impostora por estar aqui sem saber tudo isso? Estou despreparada para Austin?”.
(ALERTA DE SÍNDROME DA IMPOSTORA!)
Mas tá, respira, Marcela. Vai ficar tudo bem.
Aí você abre o grupo do Meio e Mensagem e os veteranos estão lá: “fique calma, no fim tudo é muito rico e qualquer coisa que fizer, vai valer a pena. Faça as pazes com seus erros e acertos.” E aos poucos vai percebendo que vir com um grupo, trocar figurinhas, pedir indicação de trilha, ouvir quem já passou por isso, tem sido ESSENCIAL. Parece jabá, eu sei, mas de verdade, tem feito toda a diferença.
Nos próximos dias, meu desafio é justamente este: navegar por tudo isso e tentar encontrar não apenas o que é novo, mas o que é útil. O que é inspiração e o que pode virar ação.
Prometo voltar aqui para contar como está sendo. Se vai dar tudo certo? Não sei. Mas pelo menos a ansiedade já rendeu um bom primeiro texto, não é mesmo?
Até já