Antídoto para a exaustão digital está em Austin e precisa ser medido
A inovação brasileira busca usar dados para medir o valor real das experiências ao vivo.
Texas, 2026. Finalmente desembarquei no estado da bota e do chapéu para a minha estreia no South by Southwest. Minhas últimas passagens pelos Estados Unidos a trabalho foram pautadas por dois eventos épicos. Em 2020, Miami, para o Super Bowl ver o primeiro título do Kansas Chiefs. Confesso que estava mais ansioso pelo show épico de Shakira e J-Lo do que pelo título da NFL. A outra foi em 2022 para vivenciar toda atmosfera de escape urbano no Lollapalooza Chicago, onde assisti pela primeira vez ao vivo a Dua Lipa, Green Day e a Doja Cat.
Foram experiências marcantes, mas Austin tem um peso diferente. Para quem ajudou a construir a plataforma sertaneja da Brahma e liderou a criação do Circuito Sertanejo com a Globo e a Diverti, o clima texano traz uma nostalgia, uma memória afetiva. Mas, desta vez, o foco não é apenas a propriedade intelectual e a produção, e sim a inteligência por trás dela.
Chego a Austin integrando a delegação do SP Global Tech, programa da Invest SP que selecionou dez startups paulistas para representar o que há de mais inovador no nosso ecossistema. Estar na SP House como founder da Spons é, acima de tudo, um compromisso de levar o olhar brasileiro sobre patrocínios e dados para o centro da conversa global.
E a conversa deste ano parece convergir para um ponto latente: a nossa saúde mental. Em um mundo onde a hiper digitalização nos satura com telas e notificações, o presencial deixou de ser opcional para se tornar um refúgio. O marketing de experiência é, hoje, o grande protagonista na estratégia das marcas que buscam relevância sem maquiagem, mas ele carrega um desafio crônico que viemos ajudar a resolver.
O mercado de patrocínio e experiências cresce a passos largos, mas ainda sofre com uma carência abissal de metodologia. Gastam-se milhões em ativações memoráveis, mas na hora de traduzir o impacto em dados estratégicos, o setor ainda patina. Minha tese para este SXSW é clara: não basta criar momentos, é preciso mensurá-los com a mesma precisão que fazemos no digital. Se a tecnologia nos exauriu, é a própria tecnologia, usada de forma invisível e inteligente, que vai nos permitir provar o valor financeiro do ao vivo.
Nos próximos dias, minha agenda será um mergulho entre sessões de futurismo, mentorias e, claro, a cena musical vibrante da cidade. Entre um pitch e outro na SP House, pretendo reencontrar velhos amigos do mercado e validar se o famoso churrasco texano faz jus à fama. O sonho de viver o SXSW se realizou, e a missão agora é transformar cada insight de Austin em ferramenta para que o mercado de experiências finalmente fale a língua dos dados. Animado pra contar pra vocês tudo que vamos viver por aqui.