SXSW

Chego sem respostas e quero voltar com ainda mais perguntas

O que estou buscando no SXSW 2026, de IA e mentorias estratégicas a cinema e encontros que não estão em nenhuma agenda

Carolina Gancev

Head de Produto e Design na Creditas 11 de março de 2026 - 13h58

O SXSW é daqueles eventos que não cabem em uma descrição. Não é uma conferência de
tecnologia, nem apenas um festival de cinema e música, tão pouco somente uma semana
de networking. É tudo isso junto, ao mesmo tempo e com o volume lá em cima. É
exatamente por isso que eu sempre quis ir.

Essa semana, finalmente vou.
O que eu espero do SXSW 2026? O que vai na minha agenda? O que eu estou buscando
com tudo isso?

Inteligência artificial como lente principal

Trabalho na intersecção entre design, produto e estratégia, e nos últimos anos não consigo
pensar em nenhum desses três campos sem pensar em como a IA está redefinindo as
regras do jogo. Não só as ferramentas que usamos no dia-a-dia, mas também toda uma
arquitetura de trabalho, das organizações e das experiências (dentro e fora dos produtos
digitais).

Austin vai ser um termômetro privilegiado para isso. Na minha agenda já confirmada,
sessões como “How to Design a Company That AI Can’t Outpace”, “Why Most Companies
Will Never Be AI Native”, “Intelligence on Tap: Designing the Frontier Firm” e “Building the
Next Generation of Trustworthy AI” respondem exatamente às perguntas que me tiram o
sono. Não as perguntas ingênuas como “a IA vai me substituir?”, mas as perguntas mais
interessantes: como redesenhar estruturas rápido o suficiente? Quais são os modelos que
de fato escalam? Onde está a armadilha do hype?

É claro que na minha agenda tem a grandiosa Amy Webb lançando o relatório de
tendências emergentes de 2026 com o tema Creative Destruction. Também vou ouvir o
Matthew Prince, CEO da Cloudflare, falando sobre a internet pós-busca, uma das
discussões mais estratégicas do momento, especialmente para quem pensa sobre o futuro
das interfaces.

Quero sair de lá com um modelo mental mais claro do que está de fato acontecendo.

Mentorias como forma de ir fundo

Enquanto os keynotes te dão perspectiva, as mentorias te permitem explorar a fundo, fazer
as perguntas que não cabem num Q&A de auditório e testar hipóteses com alguém que
vive o que você quer entender.

Tenho sessões reservadas com CPOs, VPs, investidores, consultores e diretores em
diversas áreas de expertise, desde produto e design, que são a minha praia, até
especialistas em conteúdo, SaaS e entretenimento. Uma lista eclética, de propósito. Quero
cruzar perspectivas de quem está construindo coisas muito diferentes, porque é na fricção
entre mundos distintos que as melhores ideias surgem.

Pitches e workshops como janela para o que vem aí

Sessões de pitch são, para mim, um dos formatos mais honestos de futurismo. Enquanto
as grandes conferências indicam para onde o mercado está indo, os pitches mostram onde
algumas pessoas estão apostando suas fichas agora. Vou acompanhar o SXSW Pitch de
Smart Data, Security e FinTech, uma categoria que captura muito bem a tensão entre
dados como ativo estratégico e privacidade como direito, e estou de olho no Future-Proof
Your Strategy: An AI Test and Learn Lab, um workshop para testar estratégias contra
cenários radicalmente diferentes de futuro da IA. Exatamente o tipo de exercício mental que
quero trazer de volta.

Cinema para impulsionar a criatividade

Sou aficionada por cinema, e o SXSW tem uma tradição de estreias que importam, não
blockbusters, mas filmes que dizem algo sobre o tempo em que vivemos.

Quero assistir Beast Race (Corrida dos Bichos), produção brasileira que se passa num Rio
de Janeiro distópico consumido por uma corrida espetacular entre os destroços da guerra
de classes. Relevante por tantos motivos, principalmente agora com o cinema brasileiro na
boca do povo e em vias de conseguir mais um Oscar.

E tem a sessão que estou mais ansiosa de toda a programação: o keynote com Steven
Spielberg, numa conversa sobre sua carreira de 60+ anos, o futuro do cinema e o seu novo
filme, Disclosure Day. Spielberg voltando ao território de contato com o desconhecido,
tecnologia, espaço, o que nos amedronta e nos fascina ao mesmo tempo. Se tem alguém
que soube, ao longo de décadas, traduzir o zeitgeist em imagens, é ele e que privilégio vai
ser estar na mesma sala que este gênio do cinema.

Networking e os encontros inesperados

Já fiz eventos onde o networking foi o mais valioso que levei para casa. E já fui a eventos
onde o conteúdo foi tão denso que saí sem ter conversado direito com ninguém. O SXSW
tem a reputação de conseguir as duas coisas.

Na agenda oficial, dois encontros me chamam a atenção. O AI Builders Meet Up, para
cruzar com quem está construindo produtos de IA na prática, não os que falam sobre, os
que estão com a mão na massa. E o UX/AX Designers and Researchers Meet Up, que
entrou na agenda por um motivo muito específico: eu nunca tinha ouvido falar em AX
designer até ver esse evento. O que é isso? O que essa pessoa faz? O que come, onde
dorme, que decisões toma no dia a dia? AX, Agentic Experience, é uma posição que mal
tem nome estabelecido no mercado e já está aparecendo em eventos como esse. Quero
entender o que está sendo construído antes que vire óbvio.

Mas o networking mais importante não está em nenhum calendário. É o que acontece nos
corredores entre uma sessão e outra, na fila do café, na mesa de um jantar que alguém
improvisa na hora. O SXSW tem fama justamente disso: de gerar encontros que não
deveriam ter acontecido e que mudam alguma coisa. Estou indo aberta à essas surpresas
e com a convicção de que os convites inesperados serão os mais importantes.

E as festas também estão na minha programação, claro. Começo com a Innovation
Opening Party no dia 12 e termino com a Film & TV Wrap Party no dia 18, fora as festas
inesperadas entre o primeiro e último dia. Minha alma é inimiga do fim e em Austin não
poderia ser diferente.

Uma semana para abrir a cabeça

No fundo, o que eu espero do SXSW é o que espero de qualquer experiência intensa: sair
diferente de como entrei. Não pretendo sair com respostas, mas sim com muitas
perguntas. Quero fazer conexões que não teriam sentido de outro jeito. Tenho certeza que
essas referências vão contaminar meu trabalho pelos próximos meses.

Que Austin me prepare para o futuro.