Conexão Austin

Da recepção ao epicentro de Austin: a ocupação como destino

Olho para trás e percebo como coragem e oportunidade encurtaram distâncias na minha trajetória

Grasiela Scalioni

CEO da Lápis Raro 11 de março de 2026 - 14h46

Aos 18 anos, eu era apenas “a garota da recepção” de uma agência de publicidade aqui em Minas. Um rótulo que, para muitos, definia o limite de onde eu poderia chegar. Mas os rótulos nunca combinaram com a minha inquietude. Entre atender o telefone e abrir a porta para os clientes, eu abria livros, observava estratégias, alimentava minha criatividade e uma coragem silenciosa que me dizia: seu lugar é onde você decidir estar.

Hoje, 30 anos depois, no dia do meu aniversário, escrevo este texto prestes a desembarcar no Texas. E não chego em Austin apenas como uma visitante de um dos maiores festivais mundiais de inovação e cultura (SXSW), mas como CEO da Lápis Raro — a maior e mais criativa agência de Minas Gerais — e como parte de uma comitiva histórica de Minas Gerais que, pela primeira vez, pauta a grade oficial do SXSW.

O frio na barriga é o mesmo daquela jovem na recepção, mas a bagagem é outra.

Chego ao SXSW com uma euforia caótica. O meu app do SXSW parece um campo de batalha: marquei três, quatro painéis para o mesmo horário. Quero ouvir Amy Webb decifrar o amanhã, ver Steven Spielberg falar sobre a alma do storytelling e entender com Aza Raskin como a inteligência artificial está abrindo canais de comunicação com os animais. Quero viver o “phygital” das marcas globais e, claro, me permitir viver Austin, seus bares, clubes e cultura.

O FOMO (medo de perder algo) é real, mas aprendi que a maior perda seria não ocupar este espaço. Estar aqui como uma mulher líder, representando Minas Gerais, é a prova de que a coragem, determinação e criatividade é a nossa tecnologia mais potente.

Minas Gerais chega ao SXSW para mostrar que o futuro precisa do nosso subsolo, da nossa inteligência energética, da nossa vanguarda. Eu chego para mostrar que a criatividade mineira tem um sotaque necessário, capaz de humanizar os dados e transformar algoritmos em conexões reais.

Minha missão como blogueira aqui no Meio & Mensagem será filtrar esse tsunami de informações sob o olhar de quem aprendeu a ler as entrelinhas desde cedo. Vou falar de como a “Humanidade Aumentada” impacta o nosso negócio, de como a liderança feminina está redesenhando as mesas de decisão e de como Minas com sua hospitalidade se tornou o parceiro estratégico de grandes players globais.

Para a garota que atendia a recepção, Austin parecia outro planeta. Para a CEO que sou hoje, Austin é logo ali, na esquina da coragem com a oportunidade.

Nos vemos na Rainey Street. Ou em qualquer lugar onde o futuro esteja sendo escrito por mulheres que não aceitaram o limite do rótulo.