SXSW

Menos previsão e mais adaptação

A relevância não é prever o futuro, mas criar estruturas prontas para evoluir com ele

Andréa Fernandes

Chief Revenue and Growth Officer do Publicis Groupe Brasil 11 de março de 2026 - 14h58

De volta a Austin para mais uma edição do SXSW, uma frase tem estado muito presente para mim. Ela veio de um dos textos da newsletter que assino do David Shing: “The brands that will endure this decade will not be the ones who correctly predict every shift. They will be the ones structurally prepared to absorb shifts.”

Essa frase ficou comigo. Durante muitos anos, nossa indústria se organizou em torno da previsão. Prever tendências. Prever comportamento. Prever plataformas.

Mas talvez essa lógica já não seja mais suficiente. A velocidade das mudanças hoje é maior do que a capacidade de qualquer organização de antecipar tudo. E, com isso, a vantagem competitiva muda de lugar. Ela não está em quem prevê melhor o futuro. Está em quem constrói organizações capazes de evoluir com ele.

Isso muda o tipo de liderança que precisamos construir. Menos estruturas rígidas. Mais sistemas adaptáveis. Menos silos. Mais fluidez entre capacidades. Menos reação. Mais arquitetura organizacional pensada para mudança permanente.

A grande pergunta deixou de ser “Qual será a próxima tendência?”. E passou a ser: “Estamos construídos para acompanhar a velocidade da cultura?” Em um mundo de transformação constante, relevância já não é episódica. Ela é estrutural. Talvez por isso eventos como o SXSW sejam tão interessantes. Não apenas pelas tendências que surgem ali. Mas pelas perguntas que nos ajudam a fazer.

O que levo comigo para Austin é simples: relevância já não é uma questão de previsão. É uma questão de arquitetura. Porque mudança já não é mais um evento. É uma constante. E, quando mudança é constante, rigidez é o verdadeiro risco.