SXSW

O olhar muda a cada South by Southwest

No meio de tantas ideias sobre o futuro, são as conversas inesperadas e as conexões humanas que ajudam a transformar informação em reflexão

Paula Fernandes

Diretora-executiva da Lovely. 11 de março de 2026 - 17h39

Embarcando mais uma vez para o South by Southwest, percebo como a expectativa muda a cada ano.

Na primeira vez, tudo é novidade: a cidade tomada por ativações, as dezenas de trilhas de conteúdo acontecendo simultaneamente e a sensação constante de estar perdendo algo relevante.

Em Austin, durante o festival, parece que sempre há mais coisas acontecendo do que é possível acompanhar, e essa intensidade faz parte do encanto inicial.

Com o tempo, porém, o olhar muda. O que antes era ansiedade por acompanhar tudo dá lugar a uma curadoria mais natural. A experiência passa a ser menos sobre quantidade e mais sobre contexto.

O South by Southwest deixa de ser apenas um grande festival de tendências e inovação para se tornar um espaço de leitura de sinais. Mais do que buscar “a próxima grande coisa”, o valor passa a estar em identificar padrões, perceber convergências e entender como tecnologia, criatividade, cultura e negócios estão se conectando.

Porque muitas vezes o mais interessante não é necessariamente o que surge de novo, mas o que começa a ganhar consistência, aquilo que aparece em diferentes conversas, painéis e experiências, indicando caminhos possíveis para o futuro.

E mesmo em um evento que discute intensamente o que vem pela frente, uma coisa continua igual em Austin: o valor das interações humanas. Muitas vezes, são as conversas informais nas filas entre uma palestra e outra, os encontros inesperados no fim do dia ou até comentários trocados logo após uma apresentação que ajudam a organizar ideias e dar sentido a tudo o que foi visto.

São nesses momentos, menos planejados e mais espontâneos, que novas perspectivas surgem e que o excesso de informação se transforma em reflexão.

Talvez esse seja o verdadeiro diferencial do South by Southwest: um lugar onde o futuro é debatido o tempo todo, mas onde são as conexões humanas, muitas vezes simples e inesperadas, que transformam informação em aprendizado e inspiração em novas possibilidades.