Conexão Austin

SXSW e o desconforto de trocar as lentes

Muitas vezes, o que mais fica não é o que foi dito no palco, mas a conversa que acontece depois

Thais Semer

Diretora Executiva Comercial da BR Media 11 de março de 2026 - 16h35

Ir para o South by Southwest nunca é apenas assistir palestras. É sobre se permitir perder, e principalmente se encontrar, no meio de ideias que desafiam, provocam e, às vezes, bagunçam tudo o que a gente achava que estava organizado.

Austin já tem essa energia pulsante por si só, mas durante o SXSW, a cidade vira um grande laboratório vivo de cultura, tecnologia, comportamento e futuro. É descentralizado, intenso, cheio de estímulos. E eu gosto disso. Gosto dessa sensação de que, em cada esquina (ou em cada fila), pode nascer uma conversa que muda a sua perspectiva.

A maior expectativa este ano é ouvir quem está refletindo profundamente sobre o impacto da inteligência artificial, da economia da atenção, da ética tecnológica e, principalmente, sobre o papel humano em meio a tudo isso. Nomes como Esther Perel, Brené Brown, Malcolm Gladwell, Tristan Harris e Scott Galloway não estão ali apenas para entreter… eles provocam desconforto. E desconforto, quando bem direcionado, é crescimento.

Eu particularmente acredito muito que alguém sempre tem uma visão diferente da sua sobre o mesmo conteúdo, e é isso que torna essa experiência extremamente rico. Muitas vezes, o que mais fica não é o que foi dito no palco, mas a conversa que acontece depois. A troca no corredor. O debate no jantar. O insight que nasce quando você escuta o olhar do outro sobre a mesma palestra que você assistiu.

Vou para Austin querendo ampliar repertório. Querendo sair com mais perguntas do que respostas. Querendo provocar em mim mesma um certo desconforto produtivo. E, principalmente, querendo voltar com reflexões que impactem não só o meu olhar, mas também o meu time, meus clientes e as marcas com as quais eu trabalho.

O SXSW nunca foi sobre sair com certezas. É sobre sair com novas lentes.