“O aspiracional do negro não é ser branco”

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“O aspiracional do negro não é ser branco”

Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, ressalta que as empresas têm que entender que não existe um só padrão de beleza. Negros movimentam R$ 1,7 trilhão por ano no Brasil

Thaís Monteiro
20 de novembro de 2018 - 6h00

Movimentando uma renda própria de R$ 1,7 trilhão por ano, os negros representam 54% da população brasileira. Cerca de 14 milhões são empreendedores (29% da população negra). Se formassem um país, este seria o 17º em consumo no mundo e 11º em população. Os números são parte dos resultados da pesquisa A Voz e a Vez – Diversidade no Mercado de Consumo e Empreendedorismo, realizado pelo Instituto Locomotiva com apoio do Itaú e a pedido do Instituto Feira Preta, que realiza anualmente o evento homônimo, que reúne criadores negros de diversos setores para impulsionar o empreendedorismo. Este ano, a feira acontece entre 18 e 20 de novembro.

 

Negros movimentam R$ 1,7 trilhão por ano no Brasil (crédito: g-stockstudio/iStock)

Esses 14 milhões de empreendedores negros movimentam R$ 359 bilhões em renda própria por ano, mesmo assim a média salarial de um empreendedor negro (R$ 1.420) equivale a metade da média de remuneração de um empreendedor branco (R$ 2.827). A maioria (39%) está na faixa dos 35 a 49 anos e 53% tem o fundamental completo. Dos 14 milhões de empreendedores, 82% não têm CNPJ — 57% diz sofrer preconceito na hora de abrir seu próprio negócio no Brasil.

O estudo ouviu proprietários de empresas e empreendedores que fazem parte da Feira Preta e reuniu o material com dados públicos do IBGE, além da base de dados do próprio instituto de pesquisa. Foi constatado que, apesar de ter uma grande representatividade entre produtores e consumidores, a população negra sente o racismo presente nas relações institucionais e não se identifica com a comunicação.

Segundo o estudo, mais de 90% das campanhas têm protagonistas brancos e 72% dos consumidores negros consideram que as pessoas que aparecem na publicidade são muito diferentes deles. Dos entrevistados, 82% dizem que gostariam de ser mais ouvido pelas empresas. “Existem dois tipos de solução: a prática e a estrutural. A prática é ser mais criterioso no casting das campanhas e fazer um checklist. Já do ponto de vista estrutural é colocar os negros nos cargos de liderança e no centro das tomadas de decisão das empresas”, avalia Renato.

Outra questão importante levantada pelo presidente do Instituto é a autoestima. Segundo ele, os negros têm autoestima mais elevada do que os brancos e “o aspiracional do negro não é ser branco”. Em números, 86% dos negros brasileiros tem orgulho de quem são, 81% gosta de produtos que melhorem sua autoestima e 67% prefere marcas e empresas que compartilham de seus valores.

“As empresas têm que entender que não existe um só padrão de beleza. Estamos no século XXI e, nesse momento de múltiplos padrões de beleza, fazem mais sucesso as empresas que buscam contemplá-los nessa comunicação”, opina. Outra ação que pode modificar o cenário, de acordo com o presidente, é trabalhar continuamente nessa comunicação e não de forma pontual. Ele considera que as empresas de varejo e telefonia têm feito essa mudança de forma mais eficiente.

O estudo foi apresentado pela primeira vez na terça-feira, 13, na Praça das Artes, em São Paulo. O instituto planeja fazer um road-show em agências e anunciantes com os resultados do estudo.

**Crédito da imagem no topo: Rawpixel/Unsplash

 

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