Fluir encerra atividades após 32 anos

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Fluir encerra atividades após 32 anos

Waves, que publicava a revista desde 2010, segue com portal e eventos

Igor Ribeiro
2 de junho de 2016 - 11h29

A marca Fluir encerrou, em maio último, seu ciclo. Editada pela Waves, a revista publicou seu último número e encerrou as atividades – pelo menos por ora. “É uma decisão difícil, mas não descarto a possibilidade de no futuro voltar com outra pegada, quando a economia estiver melhor”, afirma Cláudio Martins, publisher e único remanescente dos cinco jovens empreendedores que fundaram a revista em 1983.

Capa da edição de 32 anos, publicada em outubro de 2015 (Crédito: Reprodução)

Capa da edição de 32 anos, publicada em outubro de 2015 (Crédito: Reprodução)

A desaceleração econômica, o interesse crescente do público por conteúdo digital e audiovisual e a mudança do perfil do anunciante são apontados como os principais motivos. “A Fluir sobreviveu principalmente graças a anunciantes do segmento de surf wear ou de marcas com essa identidade, que têm sofrido um desgaste de imagem muito grande. Então as verbas de marketing também migraram, principalmente após a virada do ano. Em nossa edição de aniversário, de outubro de 2015, estava super saudável, faturou R$ 4 milhões, mas neste ano não conseguimos nem R$ 1 milhão”, diz Cláudio.

Segundo o publisher, o destaque internacional do surfe brasileiro, com as conquistas da World Surf League em 2014 (Gabriel Medina) e em 2015 (Mineirinho), não ajudaram os negócios. “A Oi nunca anunciou na Fluir, nem a Coppertone ou a Samsung, entre outras, o que é até meio esquisito, sempre fomos porta-vozes desse segmento”, relata Cláudio. Por outro lado, grandes marcas como Gillette, Honda, Corona e Panasonic já patrocinaram o Prêmio Fluir Waves no passado.

A cerimônia reconhece os principais atletas, torneios e profissionais envolvidos na cadeia do esporte é considerada a mais importante do surfe no Brasil. Vai continuar, ainda que sem a marca Fluir, e deverá ser realizada junto à etapa de Maresias da Liga Mundial de Surf, em novembro. O nome do prêmio também faz referência à produtora e portal Waves, criados há 19 anos por Cláudio, que seguem adiante. “O site também sofreu um pouco o desgaste do anunciante de surf wear, mas no geral vai bem. Demos uma enxugada na estrutura e trabalhamos forte na instalação de câmeras ao vivo para pegar os picos de onda”, conta o publisher.

História

Primeira edição da Fluir, de 1983 (Crédito: Reprodução)

Primeira edição da Fluir, de 1983 (Crédito: Reprodução)

Apesar de nunca ter se afastado da Fluir, seguindo como o principal executivo comercial da revista mesmo enquanto gerida por outros donos, Cláudio Martins havia readquirido em 2010 a marca do espólio da Companhia Brasileira Multimídia, de Nelson Tanure, que cumpria à época diversas reestruturações no setor que culminaram, entre outros, no encerramento da Gazeta Mercantil e do Jornal do Brasil impresso. Há seis anos, a estratégia foi justamente evitar que a publicação fosse descontinuada como aconteceu com outros títulos da Editora Peixes, como a Set, a SpeakUp e a Terra.

Esse havia sido o último grande remodelamento da Fluir desde seu nascimento. Em 1983, Cláudio se uniu aos amigos Fernando Mesquita, Bruno de Carvalho Alvez, Romeu Andreatta e Alexandre Andreatta na criação de uma publicação que superasse as expectativas de um conteúdo de nicho e virasse referência no País – objetivos que títulos que a antecederam, como a Brasil Surfe e a Visual Esportivo, não atingiram.

Desde então, a Fluir passou por diversas fases e editoras. O empresário Ângelo Rossi chegou a comprar a operação no início dos anos 1990, como parte de sua Editora Azul, cujo portfólio foi adquirido pouco tempo depois pela Abril. Quase uma década depois Rossi criou outra editora, a Peixes, e fechou acordo para gerir a publicação de surfe, que cumpria seu papel mas não saltava aos olhos dos executivos da empresa dos Civita. A Fluir atravessou outra boa fase até ser adquirida por Tanure, em 2007.

Leia mais sobre a descontinuidade da Fluir e novos negócios da Waves na edição 1713 de Meio & Mensagem, que circulará em 6 de junho, disponível nas versões impressa e para tablets iOS e Android.

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