Nizan, Oliver, Bob… dissolver é a solução

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13 de novembro de 2017 - 14h45

Dissolveu? Dissolvi. Então, valeu!

Nizan dissolveu um pedaço da DM9 e certamente uma fatia generosa de suas antigas convicções para criar o modelo de agência que está ajudando a estruturar no Walmart. Um modelo in house, que foi alcunhado de colaborativo, porque além da própria DM9 embarca no game o Marcelo Prista, da Z515, criativo especializado em varejo; a Gouveia de Souza, consultoria também especializada em varejo; e a Tracy Locke, do Grupo Omnicom, focada em ponto de venda. Outros, anuncia-se, serão trazidos a bordo em breve.

Não tenho a menor ideia se esse balaio de gatos vai funcionar, mas o modelo líquido, que admite se dissolver para se adaptar às novas condições do meio, como as espécies na teoria de Darwin, é o único modelo de agência que sobreviverá. Isso porque ele não é modelo nenhum, é um estado permanente de mudanças. Não deu certo, bate no liquidificador e faz outro.

A liquidez da estrutura, perdoem-me o trocadilho infame, é que trará a liquidez financeira. Assim como ser líquido e dissolver-se é a única grande fórmula para a solidez do negócio de agências no futuro.

Vejam a Oliver. Ela é um modelo, ok, só que de vários modelos, porque é uma agência diferente em cada cliente que se implanta. Mesmo o comando central se adapta a cada experiência e a cada marca. É líquido. Dissolveu? Dissolvi. Então, valeu!

Vejam a R/GA. Ok, é um modelo. Mas que se dissolve e liquidifica a cada case, como não nos cansa de explicar — e ensinar — Bob Greenberg. Agora os caras modelam negócios e inventam produtos. E isso lá é mais agência?

Dissolveu? Dissolvi. Então, valeu!

Desde que entrei no Grupo M&M, há 40 anos, por “n” motivos, ando pelo interior do País e, posso dizer, sou um razoável conhecedor dos chamados mercados regionais. Nos últimos dez anos então, por conta das palestras que sou convidado a dar Brasil afora, viajei muito e tenho um depoimento a compartilhar: o mercado de agências fora do eixo São Paulo-Rio já se dissolveu faz tempo.

As agências lá não ganham por conta da mídia. A grande maioria não tem receitas de veiculação. Então, quando eu falo para elas que agências precisam dissolver seu modelo convencional e, por exemplo, fazer consultoria para seus clientes, elas dão risada, porque já fazem isso há anos.

Dissolveu? Dissolvi. Então, valeu!

A sólida e pétrea PwC nos brindou com estudo recente em que aponta o modelo rígido dos grandes grupos de agência como um modelo falido. Ela mesma anda buscando sua própria liquidez ao criar estruturas menos amarradas de consultoria, em que busca agregar processos, dinâmicas e novas entregas em áreas que nunca atuou antes. O mesmo vem acontecendo com algumas de suas concorrentes, como a Accenture e até a IBM. É uma liquidificação em massa, gente!

Dissolveu? Dissolvi. Então, valeu!

Os setores estão, também eles, se dissolução. Tenho enchido seu saco aqui sobre isso. Nossa indústria acumula hoje um sem-número de exemplos, além dos citados acima, de setores inteiros se metamorfoseando em outros. E, assim, os antes sólidos pilares do negócio também se dissolvem. (Mas olha, isso é bom, tá?)

E as plataformas e formatos? Idem, dissolvição total. TV não é mais TV, rede social não é mais rede social, telecom não é mais telecom e por aí vai.

Dissolveu? Dissolvi. Então, valeu!

Nem mesmo a realidade resistiu e se dissolveu. O que são a Realidade Aumentada e a Realidade Virtual se não formas líquidas de realidade?

O ponto é: agências, dissolvam-se! Qual modelo será vitorioso? O seu, que será diferente do outro, que se adaptará a outro mais, todos líquidos e fluidos, como nos ensinou Bauman.

Dissolveu? Dissolvi. Então, valeu!

 

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