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Lições de onde o Ano-Novo chega primeiro

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Lições de onde o Ano-Novo chega primeiro

Precisamos gastar menos tempo discutindo cenários e ter coragem de fazer as coisas acontecerem, botar o discurso em prática e, se necessário, corrigir a rota já em curso


8 de janeiro de 2018 - 13h49

Mais que votos para o Ano-Novo, quero compartilhar aqui um pouco do que aprendi em uma viagem recente à Ásia, como parte do programa de MBA da Berlin School. Fomos até lá, pois “vendo outra realidade você reflete sobre quem você é”. Pensando nisso, separei cinco conceitos que toda liderança pode aplicar no seu dia a dia e que, acredito, ajudarão a fortalecer a nossa indústria como um todo.

Empatia e responsabilidade — No Japão, quando uma pessoa esbarra na outra, as duas pedem desculpas “sumimasen”. A primeira porque errou, a segunda porque não estava atenta para o erro que ia acontecer. Isso é bem diferente aqui, onde é comum apontar o dedo para o outro quando um problema aparece. Mas podemos construir um mercado melhor se tivermos profissionais capazes de assumir suas responsabilidades e, ao mesmo tempo, exercer a empatia pelo outro. Mais do que ver que o outro errou, se você não estava atento para evitar, o erro também é seu.

Mais meritocracia que aristocracia — Na China Imperial, o acesso à elite próxima do imperador e aos cargos de confiança era regido por exames formais de conhecimento. Pessoas ascendiam ao poder de acordo com o seu nível de conhecimento e cultura. Até hoje na China você só evolui por meio do estudo. Aqui, embora a meritocracia no trabalho seja valorizada, ela não necessariamente está ligada a conhecimento. Relacionamentos são importantes para empresas que prestam serviços, mas estudar e estar sempre aprendendo coisas novas é fundamental para nos mantermos relevantes e desejáveis para os clientes.

Esteja presente — Em uma aula de meditação Zazen num templo em Kamakura, ao sul de Tóquio, vive uma experiência interessante. Em um momento da meditação, o mestre chega na sua frente, você se curva e ele bate com uma tábua de madeira duas vezes nas suas costas (bem forte, por sinal). Ele teve a minha autorização para fazer isso e tinha um objetivo claro: manter o foco unicamente no presente. E podemos trazer isso para o nosso trabalho. Ao desempenhar uma tarefa, não devemos ficar com a mente presa no passado ou no futuro, temos de estar presentes e focados no momento.

O famoso “fail & learn fast” — A China moderna tem uma mentalidade muito mais aberta à inovação do que se imagina. Eles estão o tempo todo inovando e aprimorando tudo em várias áreas como legislação, política, economia e urbanismo. E muitas vezes aprendem fazendo: se existe dúvida em relação à melhor forma de aplicar uma lei, ela entra em vigor em duas versões em cidades diferentes. Depois de um tempo, expande-se o modelo que melhor performou. Aqui, precisamos gastar menos tempo discutindo cenários e ter coragem de fazer as coisas acontecerem, botar o discurso em prática e, se necessário, corrigir a rota já em curso.

O individual e o coletivo são a mesma coisa — Outro conceito oriental é o de que o indivíduo só existe como parte de um coletivo. E essa mentalidade é o que faz CEOs da Ásia terem um foco tão grande em todos os stakeholders. Em empresas como a MUJI, do Japão, a opinião de um ativista ambiental tem o mesmo peso da de um acionista. Aqui, também podemos tomar mais decisões pensando que o individual só existe e tem sentido porque faz parte de um coletivo. E esse coletivo contém os interesses dos nossos acionistas, clientes, funcionários, parceiros comerciais e até concorrentes.

Espero que em 2018 você ajude os outros a não errar, aprenda mais, esteja presente, teste seus projetos na prática e pense no big picture nas tomadas de decisões. De preferência levando o mínimo de pauladas possível.

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