Áudio x Privacidade de Dados
As implicações desses questionamentos são múltiplas e, não necessariamente, eu tenho respostas
No meu primeiro artigo como colaborador do Diário de Cannes, escrevi sobre o evento ser uma oportunidade de networking borbulhante e incrível. Nesse mesmo dia, um executivo de uma empresa de mídia me perguntou para checar, em português com a tripulação do embarque no aeroporto, se o nosso portão do voo realmente era o portão para o voo para Nice.
Tá, mas o que isso tem a ver?
Acontece que ele trabalha com mídia programática e é um dos palestrantes aqui em Cannes para um evento da TrustX, uma das empresas líderes em mídia programática no mundo, e me convidou para um evento onde ele falou sobre a importância da privacidade e da proteção dos dados dos consumidores.
E onde entra o áudio nisso?
Recentemente, vimos uma música do “Drake”, chamada de “Not a Game” viralizar em plataformas de música. Acontece que a música não era do Drake, e sim de uma inteligência artificial operada por uma pessoa com o intuito de criar uma música que soasse identicamente ao artista. A música gerou monetização por um curto período de tempo para a pessoa que criou a música e não para o artista, ou seja, o artista deixou de receber e outra pessoa se beneficiou do uso da sua voz.
Também vemos cada vez mais a popularização de ferramentas que criam modelos de vozes idênticos ou muito próximos às vozes reais, como o case que virou shortlist, neste ano, em rádio & áudio do Tik Tok Brasil chamado de Galvão Bueno Million Voices onde a voz do narrador mais famoso do nosso país foi recriada para o TikTok (Agência Galeria | Loud+ | Satélite Áudio | Prodigo Films) de forma que qualquer pessoa pudesse narrar os seus vídeos com a voz do Galvão Bueno.
Cito esses dois exemplos, mas os casos são inúmeros. No primeiro um uso ilegítimo da voz, no segundo um uso legítimo e autorizado. Minha pergunta é: como iremos proteger os nossos dados futuramente? Como iremos saber que quando uma pessoa nos liga é realmente ela falando? Como saberemos que uma música é realmente feita por aquele artista e não por outra pessoa? As implicações desses questionamentos são múltiplas e, não necessariamente, eu tenho respostas.
Além disso, temos a questão de como as empresas usam a nossa voz. Com ferramentas cada vez mais potentes de análise de áudio e termos de uso cada vez mais longos em aplicativos (dos quais, ninguém lê), sabemos como as empresas estão utilizando o que falamos, ouvimos e tocamos?
É, nem eu achava que logo no primeiro dia do evento já teria tanto assunto aqui, sorte ou acaso, como falei Cannes é o lugar onde questionamentos e oportunidades acontecem.