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O curioso caso de um jovem de 100 anos

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7 de abril de 2022 - 6h00

Crédito: Shutterstok

O curioso caso de Benjamin Button é um filme, de 2008, que traz a história de um bebê que nasce com a aparência de uma pessoa de cerca de 80 anos que, ao invés de envelhecer, rejuvenesce com o passar do tempo.

Na indústria da comunicação, tenho acompanhado outro “curioso caso” de rejuvenescimento, pois convivo com um jovem senhor – ou um senhor jovem – que, em 2022, completou 100 anos. Por ter muito carinho e admiração por ele, divido aqui alguns dos momentos mais marcantes da sua vida no Brasil.

Embora eu não estivesse vivo para presenciar, sei que nos anos 30 ele estava no auge da sua forma. Época de grande glamour no Brasil, dos cassinos cariocas e do sucesso de Carmem Miranda. Contam que meu amigo tinha relação próxima com Getúlio, que era o então presidente, e gostava muito de opinar na sua vida, mas era da música mesmo que ele gostava, de Ary Barroso a Dalva de Oliveira. Como ele mesmo diz: foi uma década de ouro.

Já nos anos 40, infelizmente, o seu coração musical esvaziou-se e o seu tom de voz mudou. Saiu a alegria e entrou a preocupação com o avanço da Segunda Guerra Mundial. Meu caro amigo, agora, costumava falar sobre as informações dos campos de batalha até 2 de setembro de 1945, quando finalmente pode comemorar a grande notícia: o fim da guerra e a volta da paz.

Na década de 50, sua atenção voltou-se para as novelas, programas de humor e de auditório. Na música, chegou para ele a bossa nova, o maior soft power do Brasil de todos os tempos. E assim ele seguia a massa e o gosto popular.

Em 60, era a vez de Roberto Carlos, Jorge Ben e a Tropicália. Começava a aparecer um concorrente no pedaço, chamando mais a atenção do que meu amigo por ser bom de som e imagem, mas no decorrer dos anos eles conseguiram conviver bem, cada um com seu espaço e diferenciais.

Entre 70 e 80, foi o tricampeonato mundial da seleção brasileira e a nova cena musical, que mexia com Brasil, que tomaram sua atenção e seu coração. Meu nobre amigo gostava de compartilhar todos os estilos, Raul Seixas, Elis Regina, Chico Buarque, Secos e Molhados, mas de política, nessas décadas, ele não falava muito.

A explosão do rock nacional veio logo em seguida e invadiu sua playlist com Legião Urbana, Paralamas, Titãs, RPM, Cazuza, Lobão, Blitz. Anos 80, ele relembra: “Que período bacana”!

Nos anos 90, já mais maduro, com cara de empresário, foi se interessando por tecnologia, sem parar de acompanhar os novos ritmos musicais e as notícias do mundo.

E, a partir dos anos 2000, muita coisa aconteceu na sua vida. A tecnologia era uma realidade e tudo começou a ficar mais digital, desde a interação com as pessoas, com os negócios, até as milhares de possibilidades decorrentes do uso dos celulares. Meu caro amigo nunca se deixou ficar para trás, veio acompanhando toda essa revolução, cada ano com mais novidades para sua audiência. A música do Brasil é tomada pelo sertanejo, um sucesso de norte a sul no país.

O ano de 2022 chegou, ele completou 100 anos, em plena forma, digitalizado e operando em múltiplas plataformas. Trazendo alegria, informação e companhia para milhões de brasileiros.

Esse curioso caso me faz acreditar que meu amigo, o Rádio, é imortal.

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