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Qual é o papel de um líder e a função de uma empresa em 2016? Como ela conversa com as novas ambições e expectativas dos seres humanos, que hoje estão mais independentes e mais antenados?


5 de fevereiro de 2016 - 5h33

(*) Por David Laloum

A primeira semana de janeiro é a melhor do ano para se trabalhar. Menos gente, menos reuniões, menos e-mails e WhatsApp… mais tempo para pensar, repensar, planejar. Já passou o tempo das boas resoluções, vem o tempo do real. E nesses momentos mais suspensos, mais lost in translation, eu recaí na leitura de um relatório da Wolff Olins, o WO Report, sobre novas lideranças. “How leaders are creating the uncorporation”… holly shit!

A leitura veio corroborar muitas coisas que eu tinha na cabeça. Algumas mais maduras, outras mais voláteis. Qual é o papel de um líder? Qual é a função de uma empresa em 2016? Como ela conversa com as novas ambições e expectativas dos seres humanos, que hoje estão mais independentes e mais antenados?

A tecnologia, além das ferramentas, trouxe uma visão nova dos negócios — ligada à cultura, à velocidade, ao risco, à experimentação — que está contaminando progressivamente todas as corporações do mundo. As empresas de tecnologia impactaram a cultura empresarial global.

E isso vai muito além de bicicletários, barras de cereal e sofás coloridos dentro das empresas.

Num país como os Estados Unidos, em 2020, 40% da força de trabalho será feita de trabalha dores independentes, 60 milhões de indivíduos.

Muitas pessoas serão multijobs, part-time jobs, executivos numa empresa e donos do próprio negócio numa outra. Microinvestidores e funcionários. Ativistas e comerciantes.

Pensando nisso, pensando no meu papel na Young, eu refleti sobre nossa responsabilidade em como estamos transformando rapidamente a nossa condução das empresas. E foquei em cinco temas centrais sobre o futuro/presente das empresas.

A cultura é mais forte do que os objetivos — Os inputs são mais importantes do que os outputs. As nossas organizações estão acostumadas a trabalhar em cima da motivação de pessoas ligadas a objetivos (vender, crescer, conquistar…). Hoje ganhamos muito mais eficiência dando inputs para os times, criando e disseminando uma cultura forte, uma ética para o nosso negócio. Compartilhando com eles as nossas crenças, os nossos valores e, assim, deixando-os inspirados para que eles contribuam para um projeto maior.

A velocidade de ação é tão importante quanto a assertividade dela — Como falou Bill Gates, a gente superestima quantas mudanças vão ocorrer em dois anos e subestima quantas mudan- ças vão ocorrer em dez anos. Chegamos aos dez anos. Acreditam? Beta é a palavra-chave. Times menores, corridas rápidas, aceitar um pouco de caos. Incubar, testar, arriscar, experimentar, pilotar. E aprender rapidamente sobre isso. As nossas organizações têm de se flexibilizar, aceitar o forasteiro, o original, o diferente e o risco.

Let it go — Não adianta querer controlar tudo. Se todas as decisões estruturais têm de subir até um CEO, a empresa está condenada. A chave não é mais falar para as pessoas o que elas têm de fazer, mas ensinar a elas o que deve aspirá- las. O novo leadership é distribuído e não concentrado, ele é mais rápido e de mão dupla. Dá frio na barriga, mas você terá que confiar cada vez mais nas pessoas.

As pessoas antes da organização — Dentro das empresas, há cada vez mais pessoas e cada vez menos funcionários. Com propósitos próprios e uma resistência natural à conformidade corporativa. Mais confiantes, mais móveis, mais idealistas, mais emancipadas e menos seres corporativos. Elas são individualistas.Em contrapartida, os líderes são menos visionários, “menos sábios”, mais conectores, mais designers de organização, mais questionadores.

A empresa como ecossistema — Ela vira mais aberta, mais orgânica, mais criativa. Ela é um chão compartilhado para todos, uma base para criatividade. Ela reúne uma comunidade embaixo de uma cultura. Comunidade de indiví- duos, independentes, não clusterizados, que vão se agregando e se integrando ao decorrer dos projetos. Tudo é projeto, porque nada pode ficar linear. Tem um início e um fim. Para agregar valor e transformar. A tecnologia nos ajuda a deixar tudo isso mais flexível, mais plug & play.

Nossas empresas são organismos vivos, abertos, oráculos de cultura. Vamos desapegar do controle e focar na inspiração e na conexão.

Bem-vindo, 2016!

(*) David Laloum é COO da Y&R
 

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