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Profissionais da Nestlé, TIM, Leroy Merlin e Magalu apontam que boa rede de contatos e aproximação com marcas são essenciais para a base de um influenciador

Luiz Gustavo Pacete
11 de setembro de 2019 - 5h50

 

Maristela Abreu Vasconcelos: “É essencial entender as expectativas de quem contrata, de como o conteúdo que ele produz pode ajudar a marca a vender ou alcançar qualquer objetivo que seja de interesse da empresa.” (Crédito: Divulgação)

Qualificação, profissionalização e desenvolvimento de métricas e ferramentas são alguns dos temas importantes na evolução do ecossistema de criadores de conteúdo. Com a alta na demanda por conteúdo de influência por parte das marcas, discutir profissionalização continua tendo relevância. E um dos caminhos para que exista uma qualificação na relação dos criadores com as marcas é a aproximação via mentoria. A troca de ideias entre creators mais experientes e as próprias marcas e agências com os profissionais que estão iniciando sua base é fundamental para qualificar essa relação.

Levantamento do Youpix, divulgado em fevereiro deste ano, mostrou que a própria relação das marcas e criadores está em processo de amadurecimento. A maior parte das que trabalham com influenciadores, 51%, o faz de forma pontual sem continuidade na relação. De acordo com o levantamento, conteúdo se sobressai na pretensão dos anunciantes. Para o resultado, foram ouvidas 94 grandes empresas brasileiras no período de 18 a 22 de fevereiro.

Na ocasião, Bia Granja, sócia da Youpix, reforçou que os números apontavam uma forma cada vez mais estratégica de trabalhar influencia. “Esses dados nos mostram que as marcas estão atuando no marketing de influência de forma mais estratégica”, afirmou Bia Granja. E um instrumento importante dentro deste processo é a mentoria. Nanna Pretto, manager of content and influencer marketing da Nestlé, explica que ter uma pessoa com mais experiência no negócio para conversar e tirar dúvidas é muito positivo para quem está começando. “É importante lembrar que, nas redes sociais, os erros viralizam muito mais rápido do que os acertos. Se profissionalizar como influenciador digital significa fazer das redes sociais o seu local de trabalho. E, para qualquer trabalho, quanto mais conhecimento, melhor”, diz Nanna.

Nanna Pretto, da Nestlé: “Ter um crescimento orgânico e consistente. Existem muitos robôs de seguidores, grupos de curtida. E quem trabalha com isso identifica rapidinho” (Crédito: Divulgação)

A responsável pela estratégia da Nestlé é uma das integrantes do programa de mentoria oferecido pelo Meio & Mensagem, durante o evento Youpix Summit, nesta quarta-feira, 11. Das marcas participantes estão Tommy Hilfiger, TIM, Bradesco, Leroy Merlin, Magalu e a agência Mutato. Sobre os desafios de inicio de muitos influenciadores, Nanna reforça a necessidade de estruturar um bom projeto.

“Muito já querem começar com uma explosão de seguidores e likes. É preciso passar segurança para o mercado, fazer contatos, estar em locais certos com empresas e marcas e deixar que a relevância apareça. A remuneração virá com o tempo, assim como o destaque. Para se tornar um profissional no campo da influência é preciso se relacionar bem, tanto com seguidores quanto com marcas, e crescer organicamente”.

Maristela Abreu Vasconcelos, especialista em advertising and brand management na TIM e também criadora de conteúdo, reforça que a mentoria é importante, pois ajuda ao influenciador, que é extremamente criativo, a entender do negócio. “É essencial entender as expectativas de quem contrata, de como o conteúdo que ele produz pode ajudar a marca a vender ou alcançar qualquer objetivo que seja de interesse da empresa. Com esse treinamento ele também aprende a aproveitar a marca para viabilizar projetos que ele deseja e não tem a oportunidade financeira de realizar”, afirma.

Ela reforça que entre os principais desafios dos criadores de conteúdo em formação está o fato de não entender como grandes empresas funcionam. “Não entendem burocracia de pagamento, por exemplo. Algumas empresas não pagam antecipado, quanto maior a empresa, provavelmente maior a burocracia. Muitas das vezes eles não conhecem os processos e ficam com a expectativa de receber rápido, não se programam para os 60 dias ou para casos em que a empresa tenha algum problema sistêmico. Esse ponto acaba estressando a relação”, afirma. Além disso, Maristela destaca a importância do projeto ter direcionamento. “Recebemos muitos projetos e mídia kits que não têm nenhuma conexão com os valores da empresa. Muita gente querendo viagem, smartphones e afins com projetos que não casam com os valores”, destaca.

Paulo José, diretor de comunicação da Leroy Merlin, explica que entre os principais desafios de um creator está o fato de manter sua comunidade viva e ativa. “Um influenciador não deve colocar nenhuma plataforma social na frente de seu próprio conteúdo. Quando temos uma comunidade o canal que estamos é o aspecto menos relevante. Um outro desafio é demonstrar o seu real valor para marcas. Muitos influenciadores acabam topando qualquer negócio e perdem sua originalidade e essência nesta jornada”, reforça.

Pedro Octávio: “É necessário investir tempo na produção de um conteúdo relevante e que traga um impacto real na vida das pessoas.” (Crédito: Divulgação)

Pedro Octávio Alvim Cassimiro, content, social and influencer marketing manager, ressalta que a mentoria é um processo também de troca. “No Brasil, vejo uma intenção e movimentação da indústria de conteúdo, como um todo, em direção à profissionalização desse mercado. E, nesse contexto, é nítido e crescente a consciência dos creators em relação ao seu próprio conteúdo, assim como das marcas em relação ao valor que eles podem aportar no negócio”, ressalta. Ele adiciona o desafio de os creators mergulharem e compreenderem os objetivos de negócio e traduzi-los para a sua comunidade.

Dicas na relação entre creators e marcas:

Permutas
Maristela Abreu Vasconcelos, da TIM: “Às vezes, as permutas podem ser benéficas. Acho que cada caso é um caso e precisa ser analisado criteriosamente. Sei que existe uma corrente contra as permutas, no entanto, existem outras práticas dos próprios criadores que são ruins”

Relevância
Nanna Pretto, da Nestlé: “Existem muitos robôs de seguidores, grupos de curtida. E quem trabalha com isso identifica rapidinho. Esse tipo de comportamento mancha a reputação do influenciador. Com o tempo, você vai conhecendo quem te segue, o que eles gostam de ler e o que faz o seguidor parar no seu feed. Não importa se você tem mil ou 10 mil seguidores. Anote o que gera mais like, faça um estudo dos horários de pico, estude o comportamento dos seus seguidores. E se planeje para produzir um material real, que expresse o seu propósito ali, mas que converse com o seu publico.”

Visibilidade
Pedro Octávio, do Magalu: “Entre os principais desafios no início da jornada da criação de conteúdo, considero bem relevante a dificuldade em serem vistos e notados pelas marcas, uma vez que há um volume crescente de novos projetos e criadores. Para se destacar nesse cenário, é preciso encontrar um propósito para criação de conteúdo. Isso o tornará autêntico e trará um impacto direto na construção da comunidade. É necessário investir tempo na produção de um conteúdo relevante e que traga um impacto real na vida das pessoas. Consequentemente, as marcas vão querer fazer parte desse conteúdo, se aproximar do creator e da sua comunidade”.

Exclusividade
Maristela Abreu Vasconcelos, da TIM: “Não fazer oferecimentos ou formatos que são consolidados de TV, o publi precisa ter a voz e a alma do creator. Quando o creator faz um vídeo no YouTube e insere uma cartela de oferecimento ou faz um merchan super artificial (que às vezes até o cliente envia roteiro) ele está se apropriando de uma linguagem que não é a da internet. É papel do influenciador adaptar e usar a linguagem que ele tem dentro da comunidade para ajudar a marca a comunicar o que precisa”.

Dedicação
Paulo José, da Leroy Melin: “Antes de começar entenda que isso é um trabalho e requer tempo e dedicação como qualquer outra profissão. Saiba o seu valor, são negócios e é de extrema importância entender o impacto de sua persona para as marcas e vice-versa. Nunca perca sua essência.”

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