Mosaico: “Pandemia diferencia influenciador de criador”

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Mosaico: “Pandemia diferencia influenciador de criador”

Yheuriet Kalil, CEO da agência de marketing de influência Mosaico, comenta as recentes movimentações na comunicação de influenciadores

Isabella Lessa
2 de julho de 2020 - 6h00

A equipe da Mosaico: Clarice Freire, Celine Ramos, André Zugno, Yheuriet Kalil, Yhevelin Guerin, Rafael Rafic, Bernardo Remus (Crédito: Renan Freire)

A responsabilidade dos influenciadores com o conteúdo que publicam é uma questão que vem sendo ainda mais debatida nos últimos meses. Seja por casos de conduta que desviam do propósito da marca e resultam na quebra de parcerias, seja pela escassez de conteúdo relevante tomou conta dos perfis de muitas personalidades durante o distanciamento social, o papel do influenciador digital está sob transformação.

A Mosaico, agência de marketing de influência fundada pelos irmãos publicitários Yheuriet Kalil e Yhevelin Guerin, nasceu, há um ano com o intuito de ampliar a diversidade no universo de influenciadores. Hoje, a agência trabalha com marcas como TNT Energy Drink, Itaipava e Cacilds, e já realizou projetos para Fespsp e Quinto Andar.

E, durante a quarentena, a operação lançou o Mosaico de Boas Causas, uma plataforma de projetos pro bono que podem ser feitos tanto por meio de uma doação monetária quanto pela divulgação gratuita de serviços nas redes sociais. A apresentadora Titi Müller, o youtuber Klébio Damas e o jornalista Fefito foram alguns dos embaixadores de projetos sociais, como o Rango Solidário.

Diante da transformação do marketing de influência, Kalil comenta algumas tendências para esse mercado:

Influência na pandemia
O mercado de influência somente ganhou durante a pandemia: evidenciou a diferença entre influenciadores e criadores de conteúdo, entre os que criam pautas relevantes e os que ficam sem assunto. Estamos vivendo momento de autoconhecimento muito grande, isolados, dentro de casa. Essa pandemia acendeu um holofote muito grande, que pede menos conteúdo de celebridade e mais produtores de conteúdo. Os que perderam foram os que ficaram sem assunto. A Bia Granja (co-fundadora e CCO do YouPix), sempre fala que o termo lifestyle é muito abrangente porque todo mundo tem uma life e um style. Acho que há uma nova definição de influência, é menos sobre aspirar e menos sobre identidade, pois todos estão precisando de conteúdos pertinentes, em vários nichos, como gastronomia, exercício físico e entretenimento, Uma parcela não soube continuar o assunto enquanto outra está trabalhando muito. A Rita Lobo, por exemplo, fez muitas lives nesse período.

Ressignificação do glamour
Essa questão de responsabilidade de produzir conteúdos responsáveis passa por ser condizente com a realidade que a gente vive. Claro que sempre vai ter gente que gosta de glamour, esse mercado não vai acabar, mas haverá uma ressignificação do que a gente quer consumir e produzir. É uma questão de mais valor e menos produto. E tem muita empresa se saindo bem, como a Magazine Luiza, que está ajudando pequenos negócios. O público levará isso para o pós-pandemia, se lembrará de quais marcas estavam com eles no momento de crise.

Micro e nano influenciadores
Durante muito tempo, muitas marcas viam que alguém tinha 5 milhões de seguidores, mas nem estavam de olho no engajamento, em quem de fato estava ouvindo o discurso. Muitas vezes, é melhor buscar diretamente no nicho com o qual a gente quer falar. Micro e nano influenciadores têm uma relação mais próxima com seguidores – como não são tantos, têm engajamento muito maior, mais conversa, proximidade, confiança gigantesca. Há muitos exemplos disso em perfis body positive, de ativismo, LGBT. O engajamento às vezes é tão grande, que os seguidores, a comunicada, os seguem nos eventos, já que os acompanham diariamente. Influência também é saber liderar uma comunidade.

Democratização de influência
O mercado de criadores de conteúdo vai se desenvolver ainda mais. A influência vai aumentar bastante, nesse período de pandemia os nanos cresceram. Há muitas lives de personal trainers e de donas de casa que têm empatia com o público, Pessoas que acabaram se motivando a criar conteúdo. Pequenos negócios que viram seus negócios mudarem totalmente, passaram a entregar pão na porta de casa ao mesmo tempo em que se fizeram mais presentes digitalmente. Muitos profissionais não se enxergavam como canais de comunicação, então viram que podem virar influenciadores. Até dentista que começou a criar conteúdo. E o público, por sua vez, passou a se interessar por assuntos que antes não estavam ligados, como conteúdo de ciência e política. Esse momento de autoconhecimento leva a uma sensibilidade maior.

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