Dia do Mídia: quais habilidades o mercado vai exigir dos profissionais?

Buscar

Comunicação

Publicidade

Dia do Mídia: quais habilidades o mercado vai exigir dos profissionais?

Líderes da área de mídia em agências de publicidade apontam a curiosidade e interesse por dados e tecnologia como as características mais importantes de quem pretende seguir carreira na área

Bárbara Sacchitiello
21 de junho de 2021 - 16h20

Nesta segunda-feira, 21 de junho, a indústria de publicidade nacional celebra o Dia do Mídia, profissional que, originalmente, atuava como um elo entre o trabalho criativo produzido pela agência e o público, selecionando os veículos de comunicação que veiculariam as peças publicitárias daquele anunciante.

Aga Porada, VP de Mídia, Dados e Canais da AfricA: “Habilidades podem ser facilmente ensinadas, atitudes não” (Crédito: Divulgação)

A premissa dessa função, na verdade, ainda é a mesma: ainda cabe ao mídia definir os canais mais adequados para que a mensagem das marcas encontrem seu público-alvo. A forma como isso é feito e todo o trabalho que embasa a decisão do direcionamento das verbas de publicidade, no entanto, mudou completamente – e certamente será diferente já em alguns meses, devido a transformação constante dos meios de comunicação e dos hábitos dos consumidores.

Por isso, ter um entendimento que supere o conhecimento técnico e que envolva o entendimento dos hábitos das pessoas, alinhado a compressão, logicamente, das ferramentas e dados e tecnologia que trazem informações fundamentais ao dia a dia do trabalho, são apontadas pelos profissionais da área como habilidades fundamentais para os jovens profissionais que queiram seguir carreira na área de mídia.

Mauricio Almeida, VP de Mídia da Publicis Brasil: capacidae de gestão e poder analítico (Crédito: Divulgação)

Desde seu primeiro estágio, há 22 anos, Mauricio Almeida, VP de Mídia de Mídia da Publicis Brasil acompanha a área e vivenciou muitas de suas transformações. Em sua opinião, o profissional de mídia do futuro terá de ter uma formação além da acadêmica. “Skills como capacidade de gestão, poder analítico, curiosidade pelo novo e vontade de empreender na posição são fundamentais”, diz Almeida. O VP de mídia destaca que as transformações do ambiente da publicidade abriram caminhos para profissionais que não são, necessariamente, na área da comunicação. “Por exemplo, estatísticos e engenheiros de dados são formações importantes na área de mídia hoje em dia”, destaca.

Com 15 anos de experiência na área na área, sendo nove deles passados no ambiente das agências brasileiras, Aga Porada, VP de Mídia, Dados e Performance da Africa, tem experimentado as transformações do segmento em diferentes mercados. Ela, que acredita que o departamento de mídia é o que mais vem passando por transformações dentro da estrutura das agências de publicidade, cita atributos menos acadêmicos e mais comportamentais ao ser questionada sobre as habilidades que o mídia do futuro deveria ter. “Colaboração, respeito, vontade de realizar e de aprender. Esses, para mim, são os valores mais importantes em um colaborador. Habilidades podem ser facilmente ensinadas, atitudes não”, frisa a executiva.

André França, em breve, irá levar a experiência adquirida nos 25 anos de trabalho na área de mídia para a condução de uma agência de publicidade. A partir de julho, o profissional assume a presidência da WMcCann no lugar de Hugo Rodrigues e acredita que a experiência com o trabalho de dados pode colaborar com os novos desafios de gestão, embora esse seja um assunto que já vem permeando toda a agência. Para os novos profissionais que estão começando a trajetória na área de mídia, França diz que humildade e curiosidade são elementos fundamentais, além de uma formação pautada em comunicação e lógica.

André França: habilidade para otimizar investimentos (Crédito: Divulgação)

França acrescenta que vivemos na era dos nichos e a promessa da internet é justamente a da personalização e isso só é possível se o profissional estiver atento e aberto e aprender todo dia. “Almé disso, a atenção do consumidor nunca foi tão fragmentada, por isso, acertar o momento da mensagem tem sido extremamente importante. Com muitas empresas querendo investir sem gastar muito, os mídias têm de ter habilidade para otimizar investimentos dos clientes, medir o ROI e garantir que o resultado seja atingido”, opina.

Com trinta anos de experiência na área de mídia, Marcia Mendonça, head de mídia da David, cita a fragmentação dos meios de comunicação e da audiência como um grande desafio para os profissionais de hoje. A profissional destaca que, para se manter atualizado em um segmento que muda constantemente é fundamental ter uma rede de informações, com profissionais da agência conversando e interagindo o tempo todo para entender e buscar novas alternativas para as estratégias de comunicação. Para quem tem vontade de atuar na área, ela dá um conselho: “Sejam técnicos, estratégicos, mas, acima de tudo, criativos. Isso não é mais coisa de criação. A melhor ideia pode e deve vir de qualquer área de agência, incluindo a mídia”, sugere Marcia.

Tantas opções de plataformas digitais, redes sociais e meios de comunicação que surgem a cada dia para disputar a atenção dos espectadores – e, consequentemente, as verbas dos anunciantes – o mídia também precisa ser organizado em seu dia a dia para conseguir conduzir o trabalho de forma eficaz. Esse é um dos conselhos dados por Kelly Nascimento, diretora de mídia da R/GA São Paulo. “É importante ser organizado, porque se não mantiver uma rotina no dia a dia, você vai sofrer de ansiedade, pois as demandas são gigantescas. Então, a agenda é sua principal aliada. Ser curioso é uma habilidade importante para mídia, além, claro, do gosto pelo estudo”, aconselha a diretora da R/GA.

Entender um pouco das diferentes plataformas e ferramentas com as quais irá trabalhar no dia a dia é uma característica fundamental para o profissional de mídia do futuro na opinião de Gustavo Carvalho, COO da Execution. O executivo, que trabalha na disciplina desde 2014, reforça que o mídia precisa ser híbrido. “Ele não precisa ser especialista em diversas áreas, mas conseguir conversar, entender as formas de comercialização, siglas e métricas tanto de off quanto de online. Ele também tem que estar disposto a ser curioso”, diz Carvalho. O profissional também pontua que o mercado está se movimentando muito rápido, com novos veículos chegando a cada dia e que, portanto, quem não tiver a disciplina de se manter atualizado acaba ficando para trás.

Glaucia Montanha destaca a importância de saber ouvir e entender os sinais da audiência (Crédito: Divulgação)

Acima de todas as habilidades e conhecimentos técnicos, Glaucia Montanha, head da Convert, unidade do grupo Dreamers, e que na semana passada também foi anunciada como líder de mídia da Artplan, considera que a maior habilidade para um mídia será a de detectar – e entender – os sinais dados pela audiência. “Isso, não se aprende em nenhuma formação”, destaca.

Glaucia também destaca que é preciso ser naturalmente curioso e empático. “Se eu fosse anunciar uma vaga de mídia hoje, seria algo como: ‘Se você gosta de analisar sinais de comportamento, consumo e audiência e se desafia a entender sobre o consumidor, temos uma vaga para você’”, diz a executiva, que ainda manda um recado. “Se alguém se apaixonar por essa chamada, pode me mandar um e-mail que tenho interesse em conversar”, diz.

Publicidade

Compartilhe