Os 10 profissionais de comunicação de 2021

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Comunicação

Os 10 profissionais de comunicação de 2021

Meio & Mensagem lista os profissionais de agências e empresas do setor que tiveram projeção na indústria publicitária ao longo do ano

Isabella Lessa
21 de dezembro de 2021 - 15h52

Como faz anualmente, Meio & Mensagem destaca os profissionais que, pelo estilo de trabalho, características profissionais e pelos avanços conquistados em suas respectivas empresas e áreas de atuação, contribuíram para o avanço e a qualificação da indústria de comunicação.

A lista dos dez profissionais de agências e empresas de comunicação apresentada abaixo foi elaborada de acordo com critérios editorais de Meio & Mensagem. Os nomes dos profissionais são apresentados em ordem alfabética.

BAZINHO FERRAZ
À frente da agência de live marketing que fundou em 1999, a BFerraz, Bazinho Ferraz resolveu ir além: em 2018 criou a B&Partners com a meta de ampliar a atuação em outras disciplinas como dados e tecnologia. A operação, que se posiciona como brandtech, se construiu por meio de aquisições de empresas como Just a Little Data, New Vegas, Snack, Score Group e Just Live. Em agosto, a companhia concluiu mais uma transação: uma participação minoritária na Vitrio, agência de performance e mídia digital com atuação no Brasil e na América Latina. Hoje, 12 empresas fazem parte do portfólio da holding, pois a Score Group fez um spin off que deu origem a mais três marcas: Next3, Global Products e Plug In. De acordo com Bazinho, a estratégia é acelerar o crescimento orgânico e inorgânico da B&Partners, assim como fortalecer a operação na região latino-americana. Também neste ano, a empresa passou a atuar como venture para martechs. A previsão é de encerrar 2021 com crescimento de 47%. Em 2006, o Grupo ABC comprou a BFerraz, mas, em 2018, ele vendeu sua participação na holding e recomprou a agência.

 

CAIO DEL MANTO
Em menos de um ano, Caio Del Manto passou de managing director da Circus para liderança da Media.Monks no mercado brasileiro: a agência de origem mexicana inaugurou um escritório em São Paulo em outubro de 2019 e Caio deixou a Red Fuse, do WPP, para comandar a operação local. Em janeiro de 2020, a S4 Capital, grupo de Martin Sorrell que controla a Media.Monks, comprou a Circus e nomeou o brasileiro à inédita posição de managing director do Brasil. Desde então, ele vem ajudando a unificar a todas as empresas sob a marca única, o que exigiu uma definição de modelo de negócios e construção de cultura para o mercado local. Com estratégia de negócios focada na aceleração digital, a S4 cresceu 42% no terceiro trimestre e espera encerrar o ano com alta de 40% na receita. Estrategista, Caio acredita que agências precisam incutir o pensamento estratégico no modelo de negócio em um contexto no qual os planos precisam ser revistos diariamente.

 

FELIPE SILVA
Quando decidiu fundar uma agência com profissionais 100% negros, Felipe Silva quis reforçar que é preciso ter Pessoas pretas na linha de frente do mercado, não apenas nos cargos de estágio e trainee. “Já não nos sentíamos completos dentro das agências e pensamos como poderíamos dar esse passo para ter uma agência que fosse das nossas origens e considerasse todo esse outro tipo de formação da vivência periférica.” Desde que iniciou operações, em março deste ano, a Gana conquistou a conta full do guaraná Kuat e foi responsável por um dos podcasts mais ouvidos de 2021, o Mano a Mano, apresentado por Mano Brown — o programa foi o segundo mais acessado no Spotify e o episódio em que o rapper entrevista Lula, o mais ouvido do ano (a entrevista com Drauzio Varella ficou em quarto). Indicado à categoria de Profissional de Criação no Caboré 2021, Silva acredita na força de campanhas e projetos que considerem o contexto sociocultural sob diversos olhares — sobretudo as percepções das comunidades periféricas brasileiras. Hoje, a Gana conta com uma equipe fixa de 20 profissionais e 80 colaboradores espalhados pelo País.

 

FELIPE SIMI
Ao fundarem a Soko, em 2015, Felipe Simi e seu sócio, Pedro Tourinho, apostavam no potencial do earned media para alavancar a comunicação das marcas. Nos últimos 18 meses, a Soko triplicou de tamanho e chegou a 300 funcionários. Simi foi o escolhido para manter a liderança da empresa mesmo após a fusão com a agência digital CuboCC, em agosto. Com espectro ampliado, que inclui PR e conteúdo, mas também campanhas publicitárias, a Soko construiu cases como “Marca na Lata”, para Guaraná Antarctica, que ajudou a arrecadar mais dinheiro e atrair visibilidade para o futebol feminino no País e conquistou 1 Leão de Prata em Creative Strategy no Festival de Cannes. Além da marca de refrigerante, a agência do grupo Flagcx atende clientes como Audi, Michelob e Spotify. Outra motivação de Simi ao fundar o próprio negócio foi o combate a práticas tóxicas do mercado. Gay e ativista, ele defende a força criativa a partir da diversidade. Neste ano, a Soko foi indicada à Agência do Ano no Caboré.

 

JOANA MENDES
Primeira mulher negra, LGBTQIA+ e nortista a presidir o Clube de Criação, Joana Mendes acredita que tem nas mãos uma oportunidade para mudar os espaços do mercado de comunicação de dentro para fora. Diretora de criação associada da R/GA São Paulo, ela liderou a Chapa Preta, a primeira delegação formada 100% por profissionais pretos e pretas na disputa pelo comando da entidade. “A Chapa é uma construção coletiva: não é sobre mim, mas sobre todos. Para a indústria, significa ter outras perspectivas, pois a gente, do mercado, acaba sendo muito individualista. É também um olhar para o que é diversidade, o Brasil de verdade, o futuro. É sobre estar mais aberto ao diálogo, para construir o nome Clube, que quer ser um lugar inclusivo”, afirmou, em entrevista ao Meio & Mensagem dias após a vitória, em outubro. Como redatora, a diretora de criação não é da opinião de que pessoas não querem mais ser interrompidas pela publicidade: se o conteúdo consegue se aproximar do público, não será somente um break.

 

LEVIS NOVAES
Quando a Mooc (sigla para Movimento Observador Criativo) começou, em 2015, se posicionava como um coletivo. Após três anos em atividade e com um currículo de trabalhos relevantes para anunciantes como Avon, Faber-Castell e Skol, a operação passou a se apresentar como um hub de criativos dispostos a ir além da consultoria sobre diversidade e potencializar entregas de audiovisual e produção. Em novembro de 2020, passou a fazer parte da Flagcx, holding fundada por Roberto Martini. À frente da empresa como cofundador e head de estratégia, Levis Novaes considera que a própria formação é fruto de cenas culturais emergentes, não apenas das graduações acadêmicas. Essa combinação o torna apto, portanto, a pensar a inovação: “Se me sinto à vontade e pertencente, coloco ali minhas opiniões e inevitavelmente começo a ter mais inovação. Esse ambiente com inclusão, diversidade e equidade faz com que a gente saia do óbvio — e isso é inovação.

 

LUIZA BAFFA
Luiza Baffa é a primeira pessoa a assumir o comando da AKQA São Paulo depois de Diego Machado e Hugo Veiga, que inauguraram o escritório local, em 2014. Com a promoção da dupla a CCOs globais da rede, Luiza, então head de estratégia e operações da agência, assumiu como managing director. Na atual posição, ela expandiu projetos como a área de Impacto, voltado para iniciativas de diversidade e inclusão. Um dos frutos foi o programa mentoria de capacitação Soma, cujo intuito é levar conhecimento técnico da área de comunicação para estudantes periféricos e, desta forma, reduzir a distância entre estudantes negros, indígenas ou de baixa renda e a indústria de publicidade. Com apoio da WPP, o programa ampliou a sua meta para mil alunos até final de 2022. A agência também começou, neste ano, a compensar a emissão de carbono dos projetos realizados para os clientes. Nos últimos três anos, a agência cresceu três dígitos e a equipe passou de 20 a cem pessoas. Luiza,que também passou por empresas como Box 1824, Hood e Perestroika, foi uma das 30 under 30 na lista publicada pelo Meio & Mensagem neste ano.

 

MARIANA SÁ
Antes de chegar ao posto de chefe de criação da WMcCann em maio deste ano, Mariana Sá trabalhou quase uma década na Globo como diretora de criação, onde esteve à frente de projetos como Copa do Mundo 2014 e Olímpiadas do Rio 2016. O retorno ao universo das agências – antes de trabalhar em veículos, ela passou por DM9DDB e Lew’Lara —, veio com a missão de imprimir mais propósito às entregas criativas da WMcCann. Vencedora do Caboré na categoria Profissional de Criação, ela crê no potencial da criatividade como aceleradora de negócios e no posicionamento de marcas como agentes de transformação social. O comercial “Pilotas”, que a empresa criou para Tracker, da GM, centralizou toda a comunicação nas mulheres. Outra marca da criativa foi na campanha de Itaipava, que, após anos, deixou de forma definitiva a associação entre mulher e cerveja e adotou a democratização do verão como temática.

 

RAFAEL PITANGUY
Depois de atuar por seis anos como vice-presidente de criação da Africa, Pintanguy assumiu o posto de CCO da Young & Rubicam em 2016. Em outubro de 2020, se deparou com um desafio ainda maior de coordenar os times criativos da VML e da Y&R. A tarefa tem dado certo: neste ano, a VMLY&R conquistou alguns dos prêmios mais desejados pelas agências brasileiras. Ganhou o Grand Prix na categoria Glass do Cannes Lions, com “Eu Sou”, criada para Starbucks. No segundo semestre, venceu a disputa pelo Grand Effie, do Effie Awards Brasil, e pela Estrela Preta, do 46º Anuário do Clube de Criação, em ambos os casos com o trabalho “A Gente Banca”, desenvolvido em conjunto com a Suno para o Santander. No Profissionais do Ano, da Globo, a VMLY&R foi a ganhadora da categoria 30+ Nacional, com o comercial “Armários”, criado para Casas Bahia e que uniu os ex-BBBS Gil do Vigor e Lucas Penteado. Com uma carreira construída no Rio, em Lisboa e em São Paulo, incialmente como redator, o carioca Pitanguy foi um dos 30 Under 30, projeto de Meio & Mensagem, em 2008. Na época, era redator da Africa.

 

SERGIO GORDILHO
Nos últimos dois anos, despontou a percepção da indústria de que o papel da comunicação é chacoalhar a sociedade para avançar nas pautas sociais, aposta Sergio Gordilho, vencedor na categoria Dirigente da Indústria no Caboré
deste ano. De fato, um dos cases mais premiados da Africa, agência comandada por ele e Marcio Santoro, trata justamente sobre o aquecimento global: “Salla 2032”, criado para House of Lapland, foi premiado com um Grand Prix em Entertainment for Sports no Festival de Cannes deste ano. A agência foi a brasileira mais premiada nesta edição do evento, repetindo feito que já havia alcançado em 2018, quando também conquistou um Grand Prix. No Ranking M&M, que consolida os principais festivais de publicidade nacionais e internacionais, a equipe liderada por Gordilho colocou a Africa no degrau mais alto do pódio nos dois últimos anos. Independente de prêmios, a Africa mantém alto padrão criativo para alguns dos maiores anunciantes brasileiros como Ambev, Itaú, Natura e Vivo.

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