Consumidor compra menos celular, mas passa mais tempo online

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Consumidor compra menos celular, mas passa mais tempo online

De acordo com o relatório Mary Meeker, 2017 foi o primeiro ano em que as vendas de smartphone não cresceram


4 de junho de 2018 - 13h01

Por George Slefo, do Advertising Age

As pessoas estão comprando menos smartphones, mas estão passando mais tempo online. Os negócios na China estão expandindo, assim como o e-commerce e os pagamentos via mobile. O Echo, da Amazon, é um hit. E por aí vai.
Essas são algumas das constatações do relatório anual Mary Meeker, que traz as principais tendências da internet para os líderes de marketing. A seguir, veja 12 destaques do levantamento e veja o que pensam alguns executivos sobre a importância do estudo.

1. 2017 foi o primeiro ano em que não houve crescimento nas vendas de smartphones. À medida que mais pessoas tornam-se portadoras de celulares, essa alta fica mais difícil de acontecer. O mesmo vale para o crescimento de usuários da internet, que retraiu 7% em 2017 ante 12% no ano anterior. Com mais da metade do mundo com acesso à rede, sobram menos pessoas para se conectar.

2. As pessoas, no entanto, ainda estão aumentando o tempo que passam online. Nos EUA, os adultos passaram 5,9 horas diárias no digital em 2017, 5,6 horas a mais do que o ano retrasado. Cerca de 3,3 horas foram dedicadas ao mobile, responsável pelo aumento geral no consumo de mídia digital.

3. Apesar de lançamentos de alta estirpe – iPhones e Galaxy Notes da Samsung a US$ 1.000 – o preço global médio dos smartphones continua a cair. Custos menores ajudam a impulsionar a adoção dos dispositivos em mercados menos desenvolvidos.

4. Pagamentos via mobile estão ficando mais fáceis de serem efetuados. A China continua à frente do resto do mundo na adoção da prática, com mais de 500 milhões de usuários ativos em 2017.

5. Produtos controlados por voz como o Echo, da Amazon, estão decolando. Nos EUA, o uso de Echos cresceu mais de 30 milhões no quarto trimestre ante 20 milhões no terceiro trimestre.

6. As empresas de tecnologia estão enfrentando um “paradoxo de privacidade”: estão na encruzilhada entre a utilização de dados para oferecer uma melhor experiência ao consumidor e violar a privacidade dele.

7. As vendas de e-commerce continuam em aceleração. Em 2017, no mercado norte-americano, subiram 16%, 2% a mais que em 2016. A Amazon é detentora da maior fatia dessas vendas, com 28%. Já o desempenho do varejo físico é inversamente proporcional ao do comércio online, continua a retrair.

8. Companhias de tecnologia estão competindo em mais frentes. O Google está amplificando sua atuação: além de plataforma de anúncios, está tornando-se uma plataforma de comércio com o Google Home Ordering. A Amazon, por sua vez, está indo para a publicidade.

9. As pessoas estão investindo mais em health care, o que significa que talvez tenham que focar mais em valor. Meeker pergunta: “Será que as forças do mercado finalmente virão para o health care e baixar os preços para os consumidores?”

10. Espere que as empresas de healthcare ofereçam mais experiências modernas de varejo, com lojas convenientes, transações digitais e serviços farmacêuticos on-demand.

11. Espere que a tecnologia também transforme o trabalho. Da mesma maneira que os norte-americanos mudaram-se da agricultura para os serviços na década de 1990, os setores empregadores voltarão ao fluxo. Desta vez, espere mais trabalhos relacionados a serviços on-demand predominando.

12. A China está tornando-se um hub para as maiores empresas de internet do mundo. O país agora é sede de nove das 20 maiores empresas da internet – enquanto os EUA têm 11. Há cinco anos, a China, tinha dois e os EUA tinha nove.
Embora seja legal colocar números sobre fatos e quantificar mudanças, algumas destas conclusões confirmam o que muitas pessoas já esperavam. Então perguntamos por que as pessoas acompanham tão de perto o relatório Mary Meeker.
Eis o que responderam:

Liz Gottbretch, vice-presidente de marketing da Mavrck
“É o único relatório que conecta os pontos entre as macrotendências na cultura, tecnologia e comportamento do consumidor e o impacto econômico. “É interessante notar que conforme o tempo dos consumidores no celular continua a crescer e é mais fácil fazer compras on-demand, também estamos vendo grande disparidade entre as economias e o saldo do consumidor, assim como o crescente investimento em healthcare. A correlação não implica causa, mas os anunciantes precisam estar atentos ao cenário mais amplo que direciona as decisões de compra do consumidor”

Topher Burns, head de produto e marketing da Collins
“Certamente a era do ‘uou, a internet mobile continua crescendo’ acabou. Os relatórios recentes resistem às antigas manchetes que costumavam ter, mas acho que é porque Meeker nunca desviou da complexidade. O cenário digital é tão onipresente que em muitos casos dá para tirar a palavra ‘digital’ – como é possível um entretenimento ou um marketing que não seja digital? – e o relatório reflete um espaço onde a história de um crescimento rápido está arrefecendo e tornando-se uma história de maturação
Outra coisa que amo sobre o relatório é quão eficiente são alguns números em colocar o cenário sob perspectiva, como o fato de mais de 50% do mundo acessar a internet; e das 20 maiores empresas de internet, a China é casa para várias delas, praticamente igualando-se aos EUA; e, globalmente, os preços do smartphone estão caindo”

Wes MacLaggan, VP sênior de marketing da Marin Software
“As companhias podem baixar a cabeça quando tentam admitir que às vezes perdem tendências que estão impactando sua indústria e seus consumidores. Com o relatório, as empresas ao redor do mundo podem tirar alguns instantes para dar um passo atrás e descobrir o que está acontecendo nos espaços adjacentes”.

Crédito da imagem do topo: RawPixel/Pexels

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