A importância de se reinventar no jogo da vida

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A importância de se reinventar no jogo da vida

No MNB 2019, o campeão olímpico Tande traça paralelos entre o mundo do esporte e o dos negócios

Roseani Rocha
12 de abril de 2019 - 19h18

Não é novidade que palestrantes volta e meia tentem envolver suas plateias com dinâmicas, em que pedem que se levantem de seus lugares para fazer este ou aquele exercício ou atividade. Mas tirar todos do auditório – ou de sua “zona de conforto” -, formar times e fazer um campeonato de vôlei em tempo recorde não é para qualquer um. Isso aconteceu no primeiro dia do MBN 2019, que recebeu o campeão olímpico de vôlei – e agora comentarista esportivo e empresário – Tande.

Tande faz plateia do MNB sair do conforto de sua posição de expectador para entrar no jogo (Crédito: Eduardo Lopes)

Alexandre Ramos Samuel (é esse seu nome de registro) comentou o prazer de estar em meio a pessoas que considera transformadoras e inspiradoras, pois os profissionais de marketing, lembrou, também mexem com o sonho das pessoas. Traçando paralelos entre a sua vida no esporte e o mundo dos negócios, Tande enfatizou especialmente o quanto teve de se reinventar quando encerrou a carreira de atleta, que para todos os esportistas profissionais costuma ser curta. Hoje, além de comentarista, também empreende investindo em negócios como a rede de restaurantes Spoleto e a de academias Bodytech.

Além disso, Tande relembrou o quanto desde que jogava “por amor e um misto quente” no infanto-juvenil do Botafogo, no Rio de Janeiro, teve de aprender sobre entrega, dedicação, comprometimento e como lidar com períodos de ausência da família – qualquer semelhança com a vida dos profissionais de marketing não é mera coincidência.

Depois, também relembrou a importância do trabalho em equipe que levou a seleção masculina de vôlei conquistar a primeira medalha olímpica de ouro do Brasil em esporte coletivo, em Barcelona, dia 9 de agosto de 1992. O que “elevou a barra” e hoje até deixa o torcedor meio frustrado quando vem “somente” algum bronze ou prata, em campeonatos. Aquele período foi, ainda, tema para autocrítica: Tande comentou quanto a vaidade subiu à cabeça dos atletas, fazendo com que a equipe caísse do topo para a 5ª colocação entre Barcelona e a Olimpíada seguinte, em Atlanta, nos EUA, ressaltando a necessidade de foco e humildade.

O esporte do qual foi ícone também o fez refletir sobre estilos de liderança, ao comparar a natureza explosiva do técnico Bernardinho à mais calma de José Roberto Guimarães, assim como o fator de sucesso comum de ambos: capacitar suas equipes todo o tempo. E, claro, comentou como pessoalmente teve de lidar com novos desafios e se reinventar: quando percebeu que a nova geração estava chegando (Giba, mais jovem, fazendo melhor as jogadas a que Tande estava acostumado e chamando mais atenção das fãs), quando migrou para o vôlei de praia (e segundo ele teve de aprender sobre os efeitos do vento e do sol, mesmo se tratando de uma mesma categoria esportiva), quando topou fazer um quadro no Domingão do Faustão sobre adestramento de cachorros e, finalmente, quando entrou mesmo para o mundo da comunicação, ao se tornar apresentador ao lado de Glenda Kozlowski e até fazer reportagens na Globo.

E depois de tanta lembrança e ensinamentos compartilhados sobre o O Jogo da Vida, nome de sua palestra, Tande ainda bateu uma bola com a repórter cobrindo o evento:

Meio & Mensagem – Como avalia o estado do vôlei no Brasil hoje, em geral e em especial nas questões de governança/gestão, já que há algum tempo tivemos escândalos envolvendo membros da CBV?

Tande – O esporte está num momento de transformação, assim como há na política. As pessoas que não forem corretas e estiverem dentro do certo irão ser punidas da mesma forma que os políticos estão sendo. Acho que o Brasil é um Brasil novo e precisamos de pessoas que movimentem realmente o esporte, que queiram o bem do esporte. Está indo para um caminho certo. As pessoas que estão tomando conta do Comitê Olímpico, o Rogério Sampaio já foi, dentro da Confederação Brasileira de Vôlei tem o Radamés Lattari, pessoas que realmente trabalharam com voleibol. O Radamés já foi técnico da seleção. São pessoas que conhecem e sabem do que o atleta precisa. É lógico que faltam investimentos, mas, por outro lado, nosso País do jeito que está, a economia do jeito que está, o esporte aqui no Brasil, infelizmente, é visto com uma outra pegada. Nos Estados Unidos, é uma ferramenta de transformação social que vem das escolas, das universidades. O esporte é um agente transformador que anda junto, paralelamente à educação. Aqui, não. É visto como possibilidade de ganhar recurso ou algo que tira recurso de outras áreas mais importantes – saúde, transporte, educação – e tudo que a gente precisa. Por outro lado, as pessoas esquecem que é o esporte que entra dentro de uma comunidade carente com o futebol, o badminton, o vôlei. E você consegue transformar a vida dessas crianças que, de repente, não teriam condições nenhuma de ter um futuro melhor e você muda isso, por meio do esporte. Falo isso, porque eu e a minha irmã temos um núcleo de cinco escolinhas no pé das comunidades, no Rio de Janeiro – Chapeú Mangueira, dentro da Vila Vintém… –  e já transformamos a vida de várias crianças. Já foram pra seleção brasileira, Flamengo, Fluminense. Sei de perto do que você precisa para transformar crianças e o esporte acaba sendo muito importante. E o vôlei está nesse momento de transformação também. As seleções infanto-juvenil, juvenil e adulto se reencontrando, em busca da excelência. É o que aprendemos. O centro de treinamento tem uma frase que exemplifica muito isso: “Em algum lugar neste momento tem alguém treinando intensamente para tentar ser melhor do que você”. Os nossos concorrentes. E é assim que a gente lida com as coisas.

M&M – Qual sua opinião sobre o relacionamento das empresas com a modalidade, os acordos de patrocínio e ativações, em relação ao que acontece com outros esportes?

Tande – Vejo exatamente como uma seleção brasileira, os melhores juntos, em busca de uma melhoria para a categoria em busca de novas possibilidades de negócios, novos clientes, novas parcerias. E só os grandes fazem isso, os que não têm medo nenhum, nem vaidade nenhuma de passar o seu melhor para os outros. E quem sabe potencializar o que você tem, se aprimorar e se reinventar para ter sucesso no seu negócio.

M&M – Acredita que algo poderia ser feito para mobilizar mais torcedores e marcas em torno do vôlei?

Tande – Primeiro, leis de incentivo, que precisamos ver como isso vai ficar. É importante. Temos a Lei Rouanet, quando existe ali um incentivo fiscal e tem as leis estaduais. Isso contribui demais para o esporte e esperamos que continue, porque você acaba realmente incentivando empresas a investirem no esporte.

M&M – Quando parou de jogar, você acabou virando comentarista. Tem algum projeto novo, nessa frente de programação esportiva, mídia?

Tande – Estou como comentarista e gosto muito da minha possibilidade de falar, atingir pessoas por vários cantos do Brasil, falar a pessoas que não entendam do esporte de uma maneira mais simples possível, para elas começarem a compreender. Esse é o intuito dos comentaristas. E tentamos buscar cada vez mais isso para que uma senhorinha que esteja no interior do interior e goste de um esporte, mas não entenda, consiga, com a simplicidade dos comentaristas, começar a entender e ter mais gosto ainda.

M&M – Você citou que tem seu lado empreendedor, empresário, e falou logo após a palestra do ex-ministro Maílson da Nóbrega. Como vê o ambiente de negócios e perspectivas econômicas do Brasil?

Tande – Até bati um papo com o Maílson antes, ele me mostrou que este mês de março agora tivemos o pior aumento de inflação dos últimos quatro anos. Mas ao longo do tempo, ele vê com bons olhos a queda da inflação. O PIB baixo não é só aqui, mas também no mundo, uma coisa ruim pra gente. Mas é mais um motivo… quanto mais dificuldade o País tem, mais importante o marketing, você botar a cara da sua empresa na rua para realmente mostrar “estou aqui me reinventando, me capacitando cada vez mais para mostrar para vocês que estou vivo”. Querendo ou não, as empresas acabam se movimentando muito e o marketing é essencial para você ter sucesso.

 

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