Revelando números, Uber pede IPO

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Revelando números, Uber pede IPO

Documento entregue a Comissão de Títulos e Câmbio dos EUA revela oportunidades e preocupações aos investidores, como a falta de lucratividade

Amanda Schnaider
12 de abril de 2019 - 20h03

A Uber entrou com o pedido de IPO na noite de quinta-feira, 11, e para isso divulgou um documento enviado à SEC – Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos que comenta sobre riscos e oportunidades para seus possíveis investidores, além de revelar números, até então inéditos, de sua operação, inclusive no Brasil. De acordo com a Reuters, este IPO, que está previsto para maio, pode ser o maior da história dos Estados Unidos, superando a chinesa Alibaba, que em 2014 levantou US$ 25 bilhões.

 

(Crédito: Freestocks-photos/Pixabay)

Segundo dados revelados no documento, no Brasil, a empresa faturou US$ 959 milhões em 2018, um aumento de 115% em relação a 2017, deixando o País na segunda posição entre os mercados onde a Uber atua. Já globalmente, a companhia teve um faturamento de US$ 11,3 bilhões no ano passado, apresentando um crescimento de 149% em relação a 2017.

A Uber também informou que 24% de seu faturamento vieram de cinco regiões do mundo: Los Angeles, Nova York, São Francisco, Londres e São Paulo. Apesar de estar em uma boa posição, o Brasil ainda está muito longe da primeira, que é os Estados Unidos, onde, em 2018, a Uber faturou US$ 6 bilhões, cerca de metade do faturamento global.

Já em número de usuários no mundo, a empresa chegou a 91 milhões, representando uma alta de 35% em relação ao ano anterior, sendo que no Brasil tem mais de 22 milhões de usuários e mais de 600 mil motoristas. Embora tenha apresentado esse aumento, a companhia aponta que somente 2% da população nos 63 países em que atua estão usando seus serviços.

O Brasil também é citado na parte em que se fala do pagamento em dinheiro, que causa incidentes de segurança como roubos e ataques violentos a motoristas. “Se não formos capazes de lidar adequadamente com essas preocupações, poderemos sofrer danos significativos à reputação, o que poderia afetar negativamente nossos negócios”, afirma em documento.

Obstáculos
“Ainda não atingimos a lucratividade e, mesmo que nossa receita exceda nossas despesas diretas ao longo do tempo, poderemos não atingir ou manter lucratividade”, comenta o documento, deixando mais uma preocupação para os investidores. O grande dilema que pode preocupar os investidores é que o ritmo de crescimento está diminuindo com o tempo. No último trimestre de 2018, por exemplo, a Uber faturou US$ 2,97 bilhões no mundo, contra US$ 2,94 bilhões no trimestre anterior, o que é praticamente igual. O documento ainda revela que a companhia teve US$ 6,8 bilhões de prejuízo entre 2014 e 2018, o que também pode causar preocupação entre os investidores.


Outro ponto negativo apresentado é a repercussão da campanha #DeleteUber que levou “centenas de milhares” de pessoas a deixar o aplicativo em 2017. Na época, a Uber elevou os seus preços em uma manifestação contra a medida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de proibir a entrada de pessoas de países majoritariamente muçulmanos no país norte-americano, onde havia uma paralisação de taxistas promovida pela New York Taxi Workers Alliance.

Segundo a Reuters, a empresa pretende vender cerca de US$ 10 bilhões em ações, avaliando a companhia entre US$ 90 e 100 bilhões. Apesar da abertura de capital, a Uber ainda terá alguns desafios pela frente, como o mercado competitivo que surgiu nos últimos anos, com empresas como 99 Táxis e Cabify. “Esperamos que nossas despesas operacionais cresçam consideravelmente no futuro próximo e possamos não alcançar lucratividade”, escreveu a companhia.

*Crédito da imagem no topo: Craig Adderley/Pexels

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