Ultrafarma fecha farmácias para abrir megaloja em São Paulo
Rede fecha lojas físicas e centraliza operação em SP para apostar em novo modelo de consumo

Ultrafarma anuncia fechamento de farmácias físicas e abertura de megaloja (Crédito: Marco Ankosqui / Márcia Stival Assessoria)
Após 25 anos de atuação no varejo farmacêutico, a Ultrafarma, de propriedade de Sidney Oliveira, anunciou uma mudança estrutural no modelo de negócios da Ultrafarma.
A companhia está encerrando as atividades de todas as suas unidades físicas atuais — incluindo os tradicionais pontos na Avenida Jabaquara e a unidade da Estação Saúde Ultrafarma — para concentrar sua operação em uma única megaloja-conceito na Zona Norte de São Paulo.
O novo espaço, com cerca de 3 mil metros quadrados, integrará os serviços de farmácia, manipulação e a Ótica Ultrafarma, apostando em um ecossistema que une a experiência física ao e-commerce robusto.
A estratégia de centralização é inspirada no modelo da Magalu. Segundo a empresa, a ideia amadureceu após diálogos entre Sidney Oliveira e Luiza Trajano, presidente da Magazine Luiza. O objetivo é ganhar eficiência operacional e escala, utilizando inteligência artificial para otimizar processos: “É menos dispersão, mais eficiência e uma experiência muito mais completa”, declarou Oliveira, em comunicado.
Enquanto a megaloja atenderá a capital de São Paulo com entrega expressa, o centro de distribuição de 15 mil metros quadrados em Santa Isabel (SP) continuará responsável pela logística nacional. Com a redução de custos fixos de múltiplas unidades, a rede projeta praticar preços ainda mais competitivos.
Investigação e desdobramentos jurídicos
A mudança de posicionamento da marca ocorre meses depois de exposição jurídica de seu fundador. Em 12 de agosto de 2025, Sidney Oliveira foi preso temporariamente em uma operação do Ministério Público de São Paulo, que investigava um esquema de corrupção tributária envolvendo a auditoria fiscal da Secretaria da Fazenda estadual.
De acordo com as investigações, o esquema teria movimentado mais de R$ 1 bilhão em propinas para manipular processos administrativos e facilitar a quitação de créditos tributários de grandes empresas, incluindo a Ultrafarma e a Fast Shop.
Após três dias de detenção, em 15 de agosto, o empresário foi solto, depois do MP considerar que sua permanência na prisão não era mais necessária para o andamento das investigações.
Mesmo com a entrega de seu passaporte às autoridades e a pendência do pagamento de uma fiança estipulada em R$ 25 milhões, Oliveira retomou imediatamente sua função de principal embaixador da marca. No dia 20 de agosto, a rede colocou no ar uma nova campanha publicitária para a “Semana do Genérico”, protagonizada pelo próprio empresário, reforçando a estratégia de manutenção de sua imagem à frente dos negócios, mesmo diante do processo investigativo.