Faber-Castell transforma criatividade em plataforma

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Faber-Castell transforma criatividade em plataforma

Eduardo Ruschel, diretor de marketing e inovação, fala sobre o projeto que visa reduzir a dependência da marca de produtos e ampliar oferta de serviços

Luiz Gustavo Pacete
16 de setembro de 2019 - 13h00

 

Espaço da Faber-Castell, em São Paulo, explora storytelling e tecnologia em prol da criatividade (Crédito: Divulgação)

O que fez uma marca de 250 anos manter-se atrativa até aqui foram produtos. Seja lápis, caneta ou canetinha, a fortaleza da Faber-Castell, no entanto, também se transformou em um de seus principais desafios já que a empresa precisou definir qual o caminho trilharia para reduzir sua dependência de produtos. No Brasil, esse questionamento foi feito há quatro anos quando foi iniciado um processo de reposicionamento.

Esse processo, que teve a criatividade como plataforma culminou na inauguração, no ano passado, do Espaço Faber-Castell de Criatividade e Inovação. O projeto alia a utilização da criatividade junto com a cultura do Faça Você Mesmo. “Na metodologia que desenvolvemos, a cultura maker faz parte, mas o mais importante é a sistematização do processo criativo por meio do design thinking. Tudo começa com uma narrativa ou storytelling, para gerar a sensibilização e empatia das crianças”, explica Eduardo Ruschel, diretor de marketing e inovação da Faber-Castell.

Eduardo Ruschel

Prestes a completar um ano, o espaço, que utiliza a metodologia do criativa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), se transformou em uma plataforma que vai além da aprendizagem criativa, ele se tornou um lugar estratégico também para empresas que, em meio a processos de transformação digital, precisam buscar maneiras de reacender a criatividade em suas equipes. “Entendemos que, embora nasçamos criativos, com o tempo, aprendemos a ser não criativos. E são vários os fatores que atuam nesta queda”, afirma.

“O início de tudo é entendermos as causas e momentos da queda da criatividade das pessoas ao longo da vida, pois se queremos auxiliar neste desafio, precisamos entregar soluções.”

Meio & Mensagem – Quais são os principais destaques do reposicionamento da Faber-Castell que começou há quatro anos?
Eduardo Ruschel – Entendemos que chegou o momento de passarmos a ser uma marca baseada em propósito e não mais em produto. O lápis de cor é excelente ferramenta de expressão, mas entendemos que o território da criatividade pode nos ajudar a enxergar novos caminhos, garantindo a perpetuidade e contemporaneidade da empresa. Afinal, a queda brusca da criatividade é uma das grandes oportunidades a serem atacadas. Quando iniciamos este movimento, há 4 anos atrás, a importância da criatividade não estava tão evidente como hoje. E acreditamos que, em cinco anos, será ainda mais relevante. Já é claro hoje que podemos ser criativos na escola e construir os melhores projetos, podemos ser criativos no trabalho e nos tornarmos um profissional inovador, e podemos também usar a criatividade para a vida pessoal, resolvendo conflitos e desafios. Nesse sentido, expressão criativa, em um sentido mais amplo da criatividade, é o valor que a marca deve entregar.

“Entendemos que chegou o momento de passarmos a ser uma marca baseada em propósito e não mais em produto”

Quais os desafios para que uma empresa focada em produto comece a focar em plataforma?
O primeiro foi entender se este valor era genuíno e estava em nosso DNA e tivemos a certeza de que sim, fazia parte da história. Então delimitamos o território que fazia sentido. Na sequência, a mudança cultural na empresa é fundamental, para gerar engajamento e colaboração. Mudanças exigem esforços, sendo assim, precisamos que todos estejam na mesma sintonia, mas leva tempo.

Como vocês fizeram para equilibrar tradição e inovação?
A Faber-Castell atua no mercado brasileiro há 89 anos. Sempre buscamos inovar, mas em um território mais restrito, relacionado a produtos escolares. O que estamos fazendo é somente ampliar a lente com uma outra perspectiva. Há um caminho longo e fértil a ser percorrido.

“A próxima etapa é passarmos a atuar em parceria com startups e outras empresas para acelerar este movimento. Não conseguiremos cumprir nosso propósito atuando sós, precisamos de parceiros nesta causa”

Como você vislumbra o futuro da marca e de que maneira ela pode expandir com novos produtos e serviços?
O início de tudo é entendermos as causas e momentos da queda da criatividade das pessoas ao longo da vida, pois se queremos auxiliar neste desafio, precisamos entregar soluções. A metodologia de Aprendizagem Criativa que criamos com pesquisadores do MIT e que está presente nos currículos de váris escolas já mostra que o modelo de negócio e o público serão consequências de onde acharmos a oportunidade para a marca entregar soluções à queda da criatividade. Clube de assinatura de kits de criatividade, nosso espaço de criatividade e inovação no shopping Market Place e outras iniciativas mostram que há muitas novas possibilidades de atuação da marca. Mas entendemos também que a próxima etapa é passarmos a atuar em parceria com startups e outras empresas para acelerar este movimento. Não conseguiremos cumprir nosso propósito atuando sós, precisamos de parceiros nesta causa.

“Cada vez mais precisaremos lidar com as adversidades, e uma forma eficiente de se preparar para isso é exercitando o pensamento criativo”

Por que estamos falando sobre tanto sobre o novo papel da criatividade atualmente e qual o impacto que isso tem no mundo das marcas e empresas?
A importância da criatividade vai crescer por diversas questões. Tecnologia, por exemplo! Afinal, robôs não tem a capacidade da improvisação, então acreditamos na criatividade como uma grande vantagem competitiva. Além disso, enfrentamos a velocidade das mudanças que possivelmente irão se acentuar no futuro, as fórmulas do passado não necessariamente ajudarão nos desafios do futuro. Cada vez mais precisaremos lidar com as adversidades, e uma forma eficiente de se preparar para isso é exercitando o pensamento criativo. Em diversas pesquisas, comprovamos que todos nascemos criativos, mas quando chegamos a vida adulta, isso cai drasticamente. E evitar esta queda é nosso papel como marca.

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